Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Fabiano Soares
Formado em jornalismo, detesta jornalismo. Escrito assim em terceira pessoa parece melhor para uma minibiografia. Fabiano tenta se dedicar a muitas coisas, levando-se pela paixão das diversas formas de artes: música, textos, filmes. E é nessa esquizofrenia de interesses, onde tenta dedicar-se um pouco a cada coisa que acaba como um jornalista: sabendo nada de muita coisa. Não sabe fazer música, não sabe escrever textos e não sabe fazer filmes. Mas tenta fazer tudo isso e segue, literalmente, amador. É isso mesmo que ele quer. Apaixonado também por temas sombrios e por uma sombria vontade de avacalhar temas sombrios, não consegue fazer nada sério, portanto, não criem expectativas. Divirtam-se, ou não.
E-mail: fabianocabeludo@yahoo.com.br
Facebook: facebook.com/fabiano. cabeludosoares






Marcas

Eu sou um cara tranquilo. Tive filha cedo, aos 16 anos, porque… é foda, né? Se com essa caralhada de informação e de instrumentos, nego ainda consegue engravidar sem querer, imagina na minha época, que só quem falava de sexo com muleque eram os primos e amigos mais velhos, que só ficavam contando putarias… Enfim, só estou contando isso porque o assunto hoje é minha filha. Sei lá, nem imaginei que seria isso tudo, mas enfim, um conselho que eu dei pra minha filha tornou-me um mito na escola dela. Como eles falam: um “conselho épico!”. Bom, eu diria mais, que além de épico, ético, mas não moral! Mas enfim, “mitei” sem querer.

Tudo começou semana passada, quando eu estava tranquilamente na sala, lendo o jornal (a parte de entretenimento, cinema, literatura, quadrinhos, palavra cruzada; detesto ler jornal e ver os jornalistas vendendo a mão para escrever o que os donos dos jornais querem… é só o que os jornalistas que cobrem os “fatos” sabem fazer… tudo prostituto (a)s de punheta), sentado no meu sofá aconchegante, mas sem frescuras, quando chegou minha filha.

Eu estava fazendo palavras cruzadas quando Duda, minha filha, chegou à sala e mal olhei-a. Ela veio, me deu um beijo na careca, sentou no sofá em frente ao que eu estava, e falou, meio rindo: “Papai, estou apaixonada!”. Isso foi o suficiente para abandonar mentalmente minha cruzadinha (estava no V de Canaveral, “Cabo (?): base de lançamento de foguetes dos EUA”). E do momento em que eu me esqueci das palavras cruzadas passando pelo fechar dos olhos, o abaixar do jornal até eu abrir meus olhos novamente e a encarar, deve ter passado talvez pouco mais ou pouco menos do que 2 segundos. Mas sabe aqueles momentos em que um milésimo de segundo equivale a quase uma vida? Esse foi um deles.

Duda já tinha me apresentado a namoradinhos, e sempre fui o tipo de pai que brincava que era durão com o garoto, mas que sabia como funcionavam as coisas, aliás, eu já fui um desses garotos. Inclusive sempre expliquei bastante sobre gravidez na adolescência, porque já passei por isso. E mesmo assim, eu sempre percebi muita inocência, talvez algumas descobertas, mas nada muito sério nos namoros dela. E agora ela me dizia não que estava namorando, como das outras vezes, mas que estava APAIXONADA. Certamente ela, conscientemente ou não, queria me falar alguma coisa com isso, de que era diferente. Eu saquei isso durante aquele piscar de olhos, e acredite, ainda deu para vir um fluxo absurdo de minhas lembranças sexuais, várias esporradas que eu dei, várias taras minhas satisfeitas, vários fetiches de mulheres que eu resolvi satisfazer, algumas bizarras (ao menos para a época, onde não existia tanta divulgação de bizarrices sexuais…), enfim; Mas não senti prazer ao lembrar-se desses momentos, pois eu me sentia na obrigação de avisar à minha filha de todas as perversões que existem, e que ela não precisa se submeter a tudo o que ela não queira… e eu só sabia que queria dar UM conselho a ela.

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Eu sou um cara tranquilo. Tive filha cedo, aos 16 anos, porque… é foda, né? Se com essa caralhada de informação e de instrumentos, nego ainda consegue engravidar sem querer, imagina na minha época, que só quem falava de sexo com muleque eram os primos e amigos mais velhos, que só ficavam contando putarias… Enfim, só estou contando isso porque o assunto hoje é minha filha. Sei lá, nem imaginei que seria isso tudo, mas enfim, um conselho que eu dei pra minha filha tornou-me um mito na escola dela. Como eles falam: um “conselho épico!”. Bom, eu diria mais, que além de épico, ético, mas não moral! Mas enfim, “mitei” sem querer.

Tudo começou semana passada, quando eu estava tranquilamente na sala, lendo o jornal (a parte de entretenimento, cinema, literatura, quadrinhos, palavra cruzada; detesto ler jornal e ver os jornalistas vendendo a mão para escrever o que os donos dos jornais querem… é só o que os jornalistas que cobrem os “fatos” sabem fazer… tudo prostituto (a)s de punheta), sentado no meu sofá aconchegante, mas sem frescuras, quando chegou minha filha.

Eu estava fazendo palavras cruzadas quando Duda, minha filha, chegou à sala e mal olhei-a. Ela veio, me deu um beijo na careca, sentou no sofá em frente ao que eu estava, e falou, meio rindo: “Papai, estou apaixonada!”. Isso foi o suficiente para abandonar mentalmente minha cruzadinha (estava no V de Canaveral, “Cabo (?): base de lançamento de foguetes dos EUA”). E do momento em que eu me esqueci das palavras cruzadas passando pelo fechar dos olhos, o abaixar do jornal até eu abrir meus olhos novamente e a encarar, deve ter passado talvez pouco mais ou pouco menos do que 2 segundos. Mas sabe aqueles momentos em que um milésimo de segundo equivale a quase uma vida? Esse foi um deles.

Duda já tinha me apresentado a namoradinhos, e sempre fui o tipo de pai que brincava que era durão com o garoto, mas que sabia como funcionavam as coisas, aliás, eu já fui um desses garotos. Inclusive sempre expliquei bastante sobre gravidez na adolescência, porque já passei por isso. E mesmo assim, eu sempre percebi muita inocência, talvez algumas descobertas, mas nada muito sério nos namoros dela. E agora ela me dizia não que estava namorando, como das outras vezes, mas que estava APAIXONADA. Certamente ela, conscientemente ou não, queria me falar alguma coisa com isso, de que era diferente. Eu saquei isso durante aquele piscar de olhos, e acredite, ainda deu para vir um fluxo absurdo de minhas lembranças sexuais, várias esporradas que eu dei, várias taras minhas satisfeitas, vários fetiches de mulheres que eu resolvi satisfazer, algumas bizarras (ao menos para a época, onde não existia tanta divulgação de bizarrices sexuais…), enfim; Mas não senti prazer ao lembrar-se desses momentos, pois eu me sentia na obrigação de avisar à minha filha de todas as perversões que existem, e que ela não precisa se submeter a tudo o que ela não queira… e eu só sabia que queria dar UM conselho a ela.

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