Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Fabiano Soares
Formado em jornalismo, detesta jornalismo. Escrito assim em terceira pessoa parece melhor para uma minibiografia. Fabiano tenta se dedicar a muitas coisas, levando-se pela paixão das diversas formas de artes: música, textos, filmes. E é nessa esquizofrenia de interesses, onde tenta dedicar-se um pouco a cada coisa que acaba como um jornalista: sabendo nada de muita coisa. Não sabe fazer música, não sabe escrever textos e não sabe fazer filmes. Mas tenta fazer tudo isso e segue, literalmente, amador. É isso mesmo que ele quer. Apaixonado também por temas sombrios e por uma sombria vontade de avacalhar temas sombrios, não consegue fazer nada sério, portanto, não criem expectativas. Divirtam-se, ou não.
E-mail: fabianocabeludo@yahoo.com.br
Facebook: facebook.com/fabiano. cabeludosoares






O Ódio nasce em uma foz chamada Amor (Parte 1/2)

I – O Reino Gostoso do Amor

            Renato e Flávia formavam um casal mais unido do que saco e pentelho; a separação (e digo ficarem longe um do outro por alguns dias, nada mais do que isso), para eles, era como a depilação do saco com cera quente: dolorosa. Muito dolorosa, a ponto de doer só de pensar. E assim viviam, felizes e com a vida sexual muito bem, típica dos jovens antes de se tornarem balzaquianos.

            Um dia, Flávia marcou de encontrar com Renato em um barzinho, e falou que apresentaria a ele uma amiga do trabalho, Cristina. Ele já estava desanimado, só de pensar que preferia levar Flávia para casa e poderem passar um tempo transando, experimentando novas posições (ainda buscavam inventar posições diferentes, para descobrir outros prazeres), e teria que ouvir as duas conversando sobre trabalho… Enfim, mas não podia dizer não.

            Renato foi ao bar marcado, e estava buscando uma mesa para sentar quando seus olhos cruzaram com os de Flávia. Ele abriu um sorriso, e no que foi se aproximando da amada, percebeu a mulher ao seu lado. O mundo pareceu dar-lhe uma pancada, de deixar seu ouvido ferido. A mulher era linda. Não vou descrever, porque cada um tem uma percepção diferente de beleza; então, simplesmente imagine aquela pessoa que te deixa tonto quando você olha muito rápido, aquele clichê de fazer faltar ar: esse tipo de beleza. E Renato observou as coxas dela. Sim, que coxas. Ele gostava de meninas coxudas (e Flávia era também, mas essa estonteou-o, talvez por ser novidade), e os olhos bateram ali logo. Sentadas em uma mesa alta do bar, as cadeiras compridas que ocupavam somadas ao olhar malicioso de Renato fizeram com que ele subisse o olhar e visse o triângulo entre as pernas cruzadas de… qual o nome dela? – tentava lembrar Renato. “Vagina, eu sei que parece vagina…”

            – Rê, essa é a Cristina, que eu te falei! Ele é o famoso “namorido”, Cris!

            Renato fingiu que não era com ele; odiava “namorido”, “macarronese” e outras junções idiotas de palavras que geram essas aberrações da língua. Mas fora isso, beberam um pouco, a noite foi boa e as garotas nem falaram tanto de trabalho assim. E ele focou muito no pensamento para não olhar para as pernas de Cristina (“Rimava com vagina… sabia!”).

            Chegando em casa, um pouco altos os dois, Flávia e Renato transaram loucamente, como sempre transavam quando estavam um pouco alcoolizados; uma mistura entre estabanados e selvagens. Quando terminaram, ou melhor, quando ele gozou, pois Flávia ainda poderia continuar por horas, numa boa, ela disse, na lata:

            – Gostosa a Cris, né?

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Fabiano Soares
O Ódio nasce em uma foz chamada Amor (Parte 1/2)

I – O Reino Gostoso do Amor

            Renato e Flávia formavam um casal mais unido do que saco e pentelho; a separação (e digo ficarem longe um do outro por alguns dias, nada mais do que isso), para eles, era como a depilação do saco com cera quente: dolorosa. Muito dolorosa, a ponto de doer só de pensar. E assim viviam, felizes e com a vida sexual muito bem, típica dos jovens antes de se tornarem balzaquianos.

            Um dia, Flávia marcou de encontrar com Renato em um barzinho, e falou que apresentaria a ele uma amiga do trabalho, Cristina. Ele já estava desanimado, só de pensar que preferia levar Flávia para casa e poderem passar um tempo transando, experimentando novas posições (ainda buscavam inventar posições diferentes, para descobrir outros prazeres), e teria que ouvir as duas conversando sobre trabalho… Enfim, mas não podia dizer não.

            Renato foi ao bar marcado, e estava buscando uma mesa para sentar quando seus olhos cruzaram com os de Flávia. Ele abriu um sorriso, e no que foi se aproximando da amada, percebeu a mulher ao seu lado. O mundo pareceu dar-lhe uma pancada, de deixar seu ouvido ferido. A mulher era linda. Não vou descrever, porque cada um tem uma percepção diferente de beleza; então, simplesmente imagine aquela pessoa que te deixa tonto quando você olha muito rápido, aquele clichê de fazer faltar ar: esse tipo de beleza. E Renato observou as coxas dela. Sim, que coxas. Ele gostava de meninas coxudas (e Flávia era também, mas essa estonteou-o, talvez por ser novidade), e os olhos bateram ali logo. Sentadas em uma mesa alta do bar, as cadeiras compridas que ocupavam somadas ao olhar malicioso de Renato fizeram com que ele subisse o olhar e visse o triângulo entre as pernas cruzadas de… qual o nome dela? – tentava lembrar Renato. “Vagina, eu sei que parece vagina…”

            – Rê, essa é a Cristina, que eu te falei! Ele é o famoso “namorido”, Cris!

            Renato fingiu que não era com ele; odiava “namorido”, “macarronese” e outras junções idiotas de palavras que geram essas aberrações da língua. Mas fora isso, beberam um pouco, a noite foi boa e as garotas nem falaram tanto de trabalho assim. E ele focou muito no pensamento para não olhar para as pernas de Cristina (“Rimava com vagina… sabia!”).

            Chegando em casa, um pouco altos os dois, Flávia e Renato transaram loucamente, como sempre transavam quando estavam um pouco alcoolizados; uma mistura entre estabanados e selvagens. Quando terminaram, ou melhor, quando ele gozou, pois Flávia ainda poderia continuar por horas, numa boa, ela disse, na lata:

            – Gostosa a Cris, né?

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