O Ódio nasce em uma foz chamada Amor (Parte 1/2) - Fabiano Soares
Fabiano Soares
Formado em jornalismo, detesta jornalismo. Escrito assim em terceira pessoa parece melhor para uma minibiografia. Fabiano tenta se dedicar a muitas coisas, levando-se pela paixão das diversas formas de artes: música, textos, filmes. E é nessa esquizofrenia de interesses, onde tenta dedicar-se um pouco a cada coisa que acaba como um jornalista: sabendo nada de muita coisa. Não sabe fazer música, não sabe escrever textos e não sabe fazer filmes. Mas tenta fazer tudo isso e segue, literalmente, amador. É isso mesmo que ele quer. Apaixonado também por temas sombrios e por uma sombria vontade de avacalhar temas sombrios, não consegue fazer nada sério, portanto, não criem expectativas. Divirtam-se, ou não.
E-mail: fabianocabeludo@yahoo.com.br
Facebook: facebook.com/fabiano. cabeludosoares






O Ódio nasce em uma foz chamada Amor (Parte 1/2)

            – O que foi, Rê?

            Renato olhava para um ponto fixo na parede branca. Não respondeu. Flávia pareceu preocupada e levantou-se, ficando sentada na cama. Ele virou para ela, encarou-a olhando diretamente em seus olhos e descarregou três frases que eram um peso em sua consciência, de uma vez só:

            – Eu estou apaixonado. É pela Cristina. Eu quero me separar de você.

*

            O silêncio que seguiu-se à fala de Renato foi de menos de 15 segundos; mas foi tão pesado que pareceram ser minutos, até a densidade ser cortada por uma risada aguda e alta, parecia até um pouco forçada, de Flávia.

            – Hahahahahahahahaha! Você vai me largar… pela Cristina?

            Renato esperava muitas reações: choro, tapas e socos violentos contra ele, apatia. Risada não estava na lista, certamente.

            – É sério. Estou decidido. Desculpe, mas ela é uma força da natureza, não posso ignorar isso. Mesmo que ela não queira ficar comigo, é enganar a mim mesmo eu não tentar apenas por ter um compromisso com você… – tentou justificar-se Renato, que achava que a companheira pensava que era uma piada.

            Flávia ria ainda mais. Ele chegou a pensar que era de nervoso, mas logo em seguida seu pensamento desfez-se com uma brutalidade de um soco do Mike Tyson. E veio na suave voz de Flávia, sua companheira, ou, poderia dizer já, ex-companheira.

            – Rê, não sei como você pôde ser tão burro. Não é possível que tenha achado que sexo a três era tão perfeito assim, que todo mundo gozava, que era só alegria…

            Renato tentava entender, mas estava confuso; enquanto ele franzia a sobrancelha, ouvia cada palavra e observava o modo como ela falava, chegando a uma conclusão de que parecia cinismo com um pouco de sadismo.

            – Eu, nunca tendo chupado uma buceta antes, ia ser tão desinibida daquele jeito? Tadinho de você…

            Renato não entendia muito, mas começava a desconfiar de que Flávia insinuava que já tinha pego outras mulheres antes; mas o que isso tinha a ver? Ela continuou, e deu o tiro final:

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Fabiano Soares
O Ódio nasce em uma foz chamada Amor (Parte 1/2)

            – O que foi, Rê?

            Renato olhava para um ponto fixo na parede branca. Não respondeu. Flávia pareceu preocupada e levantou-se, ficando sentada na cama. Ele virou para ela, encarou-a olhando diretamente em seus olhos e descarregou três frases que eram um peso em sua consciência, de uma vez só:

            – Eu estou apaixonado. É pela Cristina. Eu quero me separar de você.

*

            O silêncio que seguiu-se à fala de Renato foi de menos de 15 segundos; mas foi tão pesado que pareceram ser minutos, até a densidade ser cortada por uma risada aguda e alta, parecia até um pouco forçada, de Flávia.

            – Hahahahahahahahaha! Você vai me largar… pela Cristina?

            Renato esperava muitas reações: choro, tapas e socos violentos contra ele, apatia. Risada não estava na lista, certamente.

            – É sério. Estou decidido. Desculpe, mas ela é uma força da natureza, não posso ignorar isso. Mesmo que ela não queira ficar comigo, é enganar a mim mesmo eu não tentar apenas por ter um compromisso com você… – tentou justificar-se Renato, que achava que a companheira pensava que era uma piada.

            Flávia ria ainda mais. Ele chegou a pensar que era de nervoso, mas logo em seguida seu pensamento desfez-se com uma brutalidade de um soco do Mike Tyson. E veio na suave voz de Flávia, sua companheira, ou, poderia dizer já, ex-companheira.

            – Rê, não sei como você pôde ser tão burro. Não é possível que tenha achado que sexo a três era tão perfeito assim, que todo mundo gozava, que era só alegria…

            Renato tentava entender, mas estava confuso; enquanto ele franzia a sobrancelha, ouvia cada palavra e observava o modo como ela falava, chegando a uma conclusão de que parecia cinismo com um pouco de sadismo.

            – Eu, nunca tendo chupado uma buceta antes, ia ser tão desinibida daquele jeito? Tadinho de você…

            Renato não entendia muito, mas começava a desconfiar de que Flávia insinuava que já tinha pego outras mulheres antes; mas o que isso tinha a ver? Ela continuou, e deu o tiro final:

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