O Ódio nasce em uma foz chamada Amor (Parte 1/2) - Fabiano Soares
Fabiano Soares
Formado em jornalismo, detesta jornalismo. Escrito assim em terceira pessoa parece melhor para uma minibiografia. Fabiano tenta se dedicar a muitas coisas, levando-se pela paixão das diversas formas de artes: música, textos, filmes. E é nessa esquizofrenia de interesses, onde tenta dedicar-se um pouco a cada coisa que acaba como um jornalista: sabendo nada de muita coisa. Não sabe fazer música, não sabe escrever textos e não sabe fazer filmes. Mas tenta fazer tudo isso e segue, literalmente, amador. É isso mesmo que ele quer. Apaixonado também por temas sombrios e por uma sombria vontade de avacalhar temas sombrios, não consegue fazer nada sério, portanto, não criem expectativas. Divirtam-se, ou não.
E-mail: fabianocabeludo@yahoo.com.br
Facebook: facebook.com/fabiano. cabeludosoares






O Ódio nasce em uma foz chamada Amor (Parte 1/2)

            O rapaz estranhou o assunto, mas pensou que era efeito da bebida.

            – Normal… – Renato respondeu, fingindo indiferença.

            Flávia pulou segurando o rosto dele, encostando seus mamilos na lateral do torso de Renato.

            – Normal o caralho! Eu vi você olhando as pernas dela, seu puto!

            Ele começou a pensar uma desculpa, mas percebeu que o tom da garota estava muito mais para safadeza do que para puta (não no sentido de “prostituta”, mas no sentido de “irada”; não no sentido de “legal”, mas no sentido de “colérica”), e encarou-a por um tempo, sem saber se ria ou não. Acabou rindo.

            – Eu, hein… louca – disse Renato, tentando desviar o assunto.

            Flávia agora passava os dedos pelo peito dele, suavemente, e fazia uma voz um pouco infantil:

            – Hm, sabe… eu tava pensando… A gente podia propôr e ver se ela topa…

            Puta que pariu, tudo o que passava na cabeça de Renato sumiu: contas a pagar, a quase broxada que deu há pouco, o que ia comer no almoço amanhã; tudo foi descartado e trocado por uma expressão de três palavras, que se repetiam e ecoavam e ricocheteavam em seu pensamento: “sexo a três”.

            – … um ménage… – falou, virando os olhos, Flávia.

            Renato simplesmente não acreditava no que estava ouvindo. A vida toda a pornografia “gratuita” da internet o ensinou que isso era o máximo que ele poderia conseguir, e isso estava sendo proposto pela mulher que ele amava, para trepar com a mulher que o deixou boquiaberto. Era como ganhar na loteria. E embora estivesse explodindo de alegria por dentro, controlou a emoção como fazia às vezes, quando ia com muita sede ao pote, para não gozar rápido. Pensou na morte de algum parente. Isso o faria, e fez, não abrir um sorriso de orelha a orelha e urrar de felicidade.

            – Hmm… é, né? Quem sabe… – controlou-se.

            Flávia sorriu, deu um beijo em sua boca e abraçou-o para dormir.

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Fabiano Soares
O Ódio nasce em uma foz chamada Amor (Parte 1/2)

            O rapaz estranhou o assunto, mas pensou que era efeito da bebida.

            – Normal… – Renato respondeu, fingindo indiferença.

            Flávia pulou segurando o rosto dele, encostando seus mamilos na lateral do torso de Renato.

            – Normal o caralho! Eu vi você olhando as pernas dela, seu puto!

            Ele começou a pensar uma desculpa, mas percebeu que o tom da garota estava muito mais para safadeza do que para puta (não no sentido de “prostituta”, mas no sentido de “irada”; não no sentido de “legal”, mas no sentido de “colérica”), e encarou-a por um tempo, sem saber se ria ou não. Acabou rindo.

            – Eu, hein… louca – disse Renato, tentando desviar o assunto.

            Flávia agora passava os dedos pelo peito dele, suavemente, e fazia uma voz um pouco infantil:

            – Hm, sabe… eu tava pensando… A gente podia propôr e ver se ela topa…

            Puta que pariu, tudo o que passava na cabeça de Renato sumiu: contas a pagar, a quase broxada que deu há pouco, o que ia comer no almoço amanhã; tudo foi descartado e trocado por uma expressão de três palavras, que se repetiam e ecoavam e ricocheteavam em seu pensamento: “sexo a três”.

            – … um ménage… – falou, virando os olhos, Flávia.

            Renato simplesmente não acreditava no que estava ouvindo. A vida toda a pornografia “gratuita” da internet o ensinou que isso era o máximo que ele poderia conseguir, e isso estava sendo proposto pela mulher que ele amava, para trepar com a mulher que o deixou boquiaberto. Era como ganhar na loteria. E embora estivesse explodindo de alegria por dentro, controlou a emoção como fazia às vezes, quando ia com muita sede ao pote, para não gozar rápido. Pensou na morte de algum parente. Isso o faria, e fez, não abrir um sorriso de orelha a orelha e urrar de felicidade.

            – Hmm… é, né? Quem sabe… – controlou-se.

            Flávia sorriu, deu um beijo em sua boca e abraçou-o para dormir.

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