Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Fabiano Soares
Formado em jornalismo, detesta jornalismo. Escrito assim em terceira pessoa parece melhor para uma minibiografia. Fabiano tenta se dedicar a muitas coisas, levando-se pela paixão das diversas formas de artes: música, textos, filmes. E é nessa esquizofrenia de interesses, onde tenta dedicar-se um pouco a cada coisa que acaba como um jornalista: sabendo nada de muita coisa. Não sabe fazer música, não sabe escrever textos e não sabe fazer filmes. Mas tenta fazer tudo isso e segue, literalmente, amador. É isso mesmo que ele quer. Apaixonado também por temas sombrios e por uma sombria vontade de avacalhar temas sombrios, não consegue fazer nada sério, portanto, não criem expectativas. Divirtam-se, ou não.
E-mail: fabianocabeludo@yahoo.com.br
Facebook: facebook.com/fabiano. cabeludosoares






O Ódio nasce em uma foz chamada Amor (Parte 2/2)

II – O Amargor do Ódio

            Renato passava suas noites nos bares, bebendo. Parou de trabalhar. O que tinha de dinheiro guardado estava gastando tudo com bebidas. Pensou em gastar tudo com álcool e putas; mas pensar em sexo lhe lembrava Cristina e Flávia, e isso o fazia chorar feito um bebê, de soluçar. Estava acabado, não sentia vontade de fazer nada, não via futuro em nada, estava entrando em depressão. Estava na merda.

            Um dia, estava sentado no balcão de um bar vagabundo, porém bonito (com uma iluminação sombria que dava todo um charme à dor-de-cotovelo de bêbado), quando um senhor de capote entrou e sentou-se ao seu lado. O homem, com um capuz que cobria-lhe a face, pediu duas doses de uma cachaça mineira. Ao ser servido, pegou uma com a mão direita e levantou-a, enquanto com a esquerda, deslizava o copinho na direção de Renato.

            – Ei, jovem! Prova essa delícia aqui. Por minha conta! – falou soturnamente o homem.

            Renato parecia ter saído de uma viagem astral, e alternava o olhar entre o rosto oculto do velho e o copinho com a cachaça. Pegou o copo, brindou com o novo companheiro e os dois beberam de um gole.

            – Obrigado. Muito bom mesmo – Renato disse, sem tanto ânimo na voz. Posso saber o porquê da gentileza?

            O homem tirou lentamente o capuz do rosto e revelou fogo em seus olhos, e revelou ser o Diabo. Mentira, tirou porque dentro do bar estava quente, e para estabelecer uma relação mais pessoal com Renato. Apresentou-se.

            – Não gosto de ver pessoas prá baixo. Prazer, Cláudio.

            – Prazer, Renato – disse, tentando apertar as mãos do homem com total desenvoltura, o que não conseguiu.

            Renato virou-se para a TV, para onde olhava fixamente sem assistir a nada. Cláudio tirou um celular enorme do bolso do capote e percebeu que aquele jovem não estava para conversas. Começou a ver vídeos.

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Fabiano Soares
O Ódio nasce em uma foz chamada Amor (Parte 2/2)

II – O Amargor do Ódio

            Renato passava suas noites nos bares, bebendo. Parou de trabalhar. O que tinha de dinheiro guardado estava gastando tudo com bebidas. Pensou em gastar tudo com álcool e putas; mas pensar em sexo lhe lembrava Cristina e Flávia, e isso o fazia chorar feito um bebê, de soluçar. Estava acabado, não sentia vontade de fazer nada, não via futuro em nada, estava entrando em depressão. Estava na merda.

            Um dia, estava sentado no balcão de um bar vagabundo, porém bonito (com uma iluminação sombria que dava todo um charme à dor-de-cotovelo de bêbado), quando um senhor de capote entrou e sentou-se ao seu lado. O homem, com um capuz que cobria-lhe a face, pediu duas doses de uma cachaça mineira. Ao ser servido, pegou uma com a mão direita e levantou-a, enquanto com a esquerda, deslizava o copinho na direção de Renato.

            – Ei, jovem! Prova essa delícia aqui. Por minha conta! – falou soturnamente o homem.

            Renato parecia ter saído de uma viagem astral, e alternava o olhar entre o rosto oculto do velho e o copinho com a cachaça. Pegou o copo, brindou com o novo companheiro e os dois beberam de um gole.

            – Obrigado. Muito bom mesmo – Renato disse, sem tanto ânimo na voz. Posso saber o porquê da gentileza?

            O homem tirou lentamente o capuz do rosto e revelou fogo em seus olhos, e revelou ser o Diabo. Mentira, tirou porque dentro do bar estava quente, e para estabelecer uma relação mais pessoal com Renato. Apresentou-se.

            – Não gosto de ver pessoas prá baixo. Prazer, Cláudio.

            – Prazer, Renato – disse, tentando apertar as mãos do homem com total desenvoltura, o que não conseguiu.

            Renato virou-se para a TV, para onde olhava fixamente sem assistir a nada. Cláudio tirou um celular enorme do bolso do capote e percebeu que aquele jovem não estava para conversas. Começou a ver vídeos.

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