O Ódio nasce em uma foz chamada Amor (Parte 2/2) - Fabiano Soares
Fabiano Soares
Formado em jornalismo, detesta jornalismo. Escrito assim em terceira pessoa parece melhor para uma minibiografia. Fabiano tenta se dedicar a muitas coisas, levando-se pela paixão das diversas formas de artes: música, textos, filmes. E é nessa esquizofrenia de interesses, onde tenta dedicar-se um pouco a cada coisa que acaba como um jornalista: sabendo nada de muita coisa. Não sabe fazer música, não sabe escrever textos e não sabe fazer filmes. Mas tenta fazer tudo isso e segue, literalmente, amador. É isso mesmo que ele quer. Apaixonado também por temas sombrios e por uma sombria vontade de avacalhar temas sombrios, não consegue fazer nada sério, portanto, não criem expectativas. Divirtam-se, ou não.
E-mail: fabianocabeludo@yahoo.com.br
Facebook: facebook.com/fabiano. cabeludosoares






O Ódio nasce em uma foz chamada Amor (Parte 2/2)

*

            O quarto estava todo escuro, exceto por um ponto luminoso um pouco azulado, que iluminava o rosto de Renato. Ele estava horas olhando o celular, olhando fotos de Cristina e Flávia; mas agora, essas imagens não traziam mais a tristeza do abandono, nem a vergonha de ser trocado: Renato sorria com as sobrancelhas arqueadas, dando um toque demoníaco ao seu rosto. Ele bolava um plano maligno, e ao mesmo tempo, sentia prazer ao ver os corpos seminus das garotas; realmente elas tinham uma interação mágica, trepavam muito bem e lhe deram horas de felicidade que nunca mais conseguiria de novo através de sexo. Como gostaria que elas tivessem o deixado fotografá-las nuas, para a exposição ser total. No entanto, tinha ótimas fotos ali, e a história começava a tomar forma em sua cabeça.

            Selecionou a única foto em que Flávia e Cristina apareciam sem sutiã, com maquiagem bem marcada, e abraçavam-se em pé, usando apenas calcinha. Os peitos estavam colados uns nos outros, e as duas olhavam para a câmera. A imagem passava uma sensualidade e uma intimidade ímpar, mesmo sem mostrar partes íntimas das mulheres (nem mesmo os mamilos apareciam). Renato sabia que com uma imagem dessas poderia fazer qualquer um pensar que eram putas, mas isso não satisfazia o seu desejo de vingança; poderia também contar vantagem espalhando as fotos, para mostrar que ele havia pego as duas, e ficar com fama de garanhão, de pica das galáxias, mas ele queria algo mais.

            Renato pegou seu celular velho e instalou o chip que comprara por R$ 5,00 na rua, um chip que não estava ligado ao seu nome, e criou uma conta no Whatsapp para aquele número. Ele sentia-se um hacker, imaginava estar dentro da Matrix por estar segurando dois celulares ao mesmo tempo; realmente via um quê de gênio nas ações que seguiram a partir daí. Com o seu número oficial, entrou no grupo de táxi do qual fazia parte e adicionou o seu novo número ao grupo. Fingindo ser uma outra pessoa com o novo chip, começou a escrever uma história para usar de legenda à foto de sua ex-mulher e Cristina seminuas. Transcrevo abaixo o texto, inclusive os erros de português:

            “taxistas do rj! galera que faz zona norte direto ai fica ligado nessas duas vagabundas. essas piranhas distraem o taxista porque são bonitas, parecem inofensivas mas depois anunciam o assalto, levando todo o dinheiro. cuidado! essas piranhas andam armadas e já feriram dois companheiros, um no quitungo essa semana. olho aberto e sempre ligado, rapeize. essas duas merece uma surra pra aprender que taxista não ta de bobeira! mta atenção! se cruzar, eh tomar cuidado e tendo oportunidade, surra nelas!”

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Fabiano Soares
O Ódio nasce em uma foz chamada Amor (Parte 2/2)

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            O quarto estava todo escuro, exceto por um ponto luminoso um pouco azulado, que iluminava o rosto de Renato. Ele estava horas olhando o celular, olhando fotos de Cristina e Flávia; mas agora, essas imagens não traziam mais a tristeza do abandono, nem a vergonha de ser trocado: Renato sorria com as sobrancelhas arqueadas, dando um toque demoníaco ao seu rosto. Ele bolava um plano maligno, e ao mesmo tempo, sentia prazer ao ver os corpos seminus das garotas; realmente elas tinham uma interação mágica, trepavam muito bem e lhe deram horas de felicidade que nunca mais conseguiria de novo através de sexo. Como gostaria que elas tivessem o deixado fotografá-las nuas, para a exposição ser total. No entanto, tinha ótimas fotos ali, e a história começava a tomar forma em sua cabeça.

            Selecionou a única foto em que Flávia e Cristina apareciam sem sutiã, com maquiagem bem marcada, e abraçavam-se em pé, usando apenas calcinha. Os peitos estavam colados uns nos outros, e as duas olhavam para a câmera. A imagem passava uma sensualidade e uma intimidade ímpar, mesmo sem mostrar partes íntimas das mulheres (nem mesmo os mamilos apareciam). Renato sabia que com uma imagem dessas poderia fazer qualquer um pensar que eram putas, mas isso não satisfazia o seu desejo de vingança; poderia também contar vantagem espalhando as fotos, para mostrar que ele havia pego as duas, e ficar com fama de garanhão, de pica das galáxias, mas ele queria algo mais.

            Renato pegou seu celular velho e instalou o chip que comprara por R$ 5,00 na rua, um chip que não estava ligado ao seu nome, e criou uma conta no Whatsapp para aquele número. Ele sentia-se um hacker, imaginava estar dentro da Matrix por estar segurando dois celulares ao mesmo tempo; realmente via um quê de gênio nas ações que seguiram a partir daí. Com o seu número oficial, entrou no grupo de táxi do qual fazia parte e adicionou o seu novo número ao grupo. Fingindo ser uma outra pessoa com o novo chip, começou a escrever uma história para usar de legenda à foto de sua ex-mulher e Cristina seminuas. Transcrevo abaixo o texto, inclusive os erros de português:

            “taxistas do rj! galera que faz zona norte direto ai fica ligado nessas duas vagabundas. essas piranhas distraem o taxista porque são bonitas, parecem inofensivas mas depois anunciam o assalto, levando todo o dinheiro. cuidado! essas piranhas andam armadas e já feriram dois companheiros, um no quitungo essa semana. olho aberto e sempre ligado, rapeize. essas duas merece uma surra pra aprender que taxista não ta de bobeira! mta atenção! se cruzar, eh tomar cuidado e tendo oportunidade, surra nelas!”

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