O Ódio nasce em uma foz chamada Amor (Parte 2/2) - Fabiano Soares
Fabiano Soares
Formado em jornalismo, detesta jornalismo. Escrito assim em terceira pessoa parece melhor para uma minibiografia. Fabiano tenta se dedicar a muitas coisas, levando-se pela paixão das diversas formas de artes: música, textos, filmes. E é nessa esquizofrenia de interesses, onde tenta dedicar-se um pouco a cada coisa que acaba como um jornalista: sabendo nada de muita coisa. Não sabe fazer música, não sabe escrever textos e não sabe fazer filmes. Mas tenta fazer tudo isso e segue, literalmente, amador. É isso mesmo que ele quer. Apaixonado também por temas sombrios e por uma sombria vontade de avacalhar temas sombrios, não consegue fazer nada sério, portanto, não criem expectativas. Divirtam-se, ou não.
E-mail: fabianocabeludo@yahoo.com.br
Facebook: facebook.com/fabiano. cabeludosoares






O Ódio nasce em uma foz chamada Amor (Parte 2/2)

            Renato sorria enquanto escrevia o texto. Releu umas três vezes. Temia que perguntassem quem foi ferido, mas, qualquer coisa, compraria um outro chip para dar veracidade à farsa, já que naquele grupo, provavelmente poucos se conheciam pessoalmente. Enviou. Foi dormir feliz, esperançoso.

*

            No dia seguinte, Renato acordou normalmente e seguiu sua rotina. Estava apenas um pouco menos deprimido, pois havia feito algo para mudar e dar uma lição “naquelas putas”, era como ele se referia mentalmente às duas; engraçado era que, mesmo sendo mentalmente, ao pensar “putas”, Renato dava uma acentuação no pê, que o fazia externar um “put…” com cuspe quando sua boca acompanhava sua mente. Explicando melhor: mentalmente era o tudo o que vinha antes até o “naquelas”; depois, ele involuntariamente sussurava cuspindo e acentuando o pê de “putas”, mas após o tê, só o que se ouvia era um chiado. Ódio deprimente. O mais irônico era que Renato ficava ofendido por serem lésbicas; a lambeção vaginal mútua que tanto o excitara antes agora era motivo de seu ódio, ainda mais sabendo que as duas faziam bem e davam-se prazer, gozavam com aquilo. Ele realmente achava o máximo enquanto seu pau podia brincar junto.

            Enquanto Renato escovava os dentes, não sabia, mas a foto que espalhara com a legenda falsa já havia sido compartilhada em mais de cem grupos de taxistas do Brasil, e pelo menos cinco taxistas haviam criado áudios para enviar junto com a foto; a maioria dos áudios continha xingamento às mulheres de piranhas, safadas, filhas da puta, e revoltavam-se com o fato de elas terem, além de assaltado, ferido um taxista – um taxista inclusive chegou a falar que elas “deram um tiro” em um companheiro. Renato tomava café da manhã e não sabia ainda o quão longe sua mensagem chegava, com a força do telefone wi-fi (sim, literalmente a atualização do “telefone sem fio”).

            Cristina e Flávia trabalhavam após uma noite de sexo e carícias leves. Estavam amando a privacidade e liberdade que tinham em casa, poder transar sem acabar após uma gozada; lamber e receber lambidas sem a preocupação de ter que abrir as pernas para uma penetração longa e chata ou rápida e afoita. Ao menos uma vez por dia, durante o expediente, iam ao banheiro juntas e faziam alguma safadeza, de leve, demonstrando um frescor de amor adolescente. Não passava na cabeça delas que uma foto das duas circulava o país em grupos de táxi.

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Fabiano Soares
O Ódio nasce em uma foz chamada Amor (Parte 2/2)

            Renato sorria enquanto escrevia o texto. Releu umas três vezes. Temia que perguntassem quem foi ferido, mas, qualquer coisa, compraria um outro chip para dar veracidade à farsa, já que naquele grupo, provavelmente poucos se conheciam pessoalmente. Enviou. Foi dormir feliz, esperançoso.

*

            No dia seguinte, Renato acordou normalmente e seguiu sua rotina. Estava apenas um pouco menos deprimido, pois havia feito algo para mudar e dar uma lição “naquelas putas”, era como ele se referia mentalmente às duas; engraçado era que, mesmo sendo mentalmente, ao pensar “putas”, Renato dava uma acentuação no pê, que o fazia externar um “put…” com cuspe quando sua boca acompanhava sua mente. Explicando melhor: mentalmente era o tudo o que vinha antes até o “naquelas”; depois, ele involuntariamente sussurava cuspindo e acentuando o pê de “putas”, mas após o tê, só o que se ouvia era um chiado. Ódio deprimente. O mais irônico era que Renato ficava ofendido por serem lésbicas; a lambeção vaginal mútua que tanto o excitara antes agora era motivo de seu ódio, ainda mais sabendo que as duas faziam bem e davam-se prazer, gozavam com aquilo. Ele realmente achava o máximo enquanto seu pau podia brincar junto.

            Enquanto Renato escovava os dentes, não sabia, mas a foto que espalhara com a legenda falsa já havia sido compartilhada em mais de cem grupos de taxistas do Brasil, e pelo menos cinco taxistas haviam criado áudios para enviar junto com a foto; a maioria dos áudios continha xingamento às mulheres de piranhas, safadas, filhas da puta, e revoltavam-se com o fato de elas terem, além de assaltado, ferido um taxista – um taxista inclusive chegou a falar que elas “deram um tiro” em um companheiro. Renato tomava café da manhã e não sabia ainda o quão longe sua mensagem chegava, com a força do telefone wi-fi (sim, literalmente a atualização do “telefone sem fio”).

            Cristina e Flávia trabalhavam após uma noite de sexo e carícias leves. Estavam amando a privacidade e liberdade que tinham em casa, poder transar sem acabar após uma gozada; lamber e receber lambidas sem a preocupação de ter que abrir as pernas para uma penetração longa e chata ou rápida e afoita. Ao menos uma vez por dia, durante o expediente, iam ao banheiro juntas e faziam alguma safadeza, de leve, demonstrando um frescor de amor adolescente. Não passava na cabeça delas que uma foto das duas circulava o país em grupos de táxi.

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