O Ódio nasce em uma foz chamada Amor (Parte 2/2) - Fabiano Soares
Fabiano Soares
Formado em jornalismo, detesta jornalismo. Escrito assim em terceira pessoa parece melhor para uma minibiografia. Fabiano tenta se dedicar a muitas coisas, levando-se pela paixão das diversas formas de artes: música, textos, filmes. E é nessa esquizofrenia de interesses, onde tenta dedicar-se um pouco a cada coisa que acaba como um jornalista: sabendo nada de muita coisa. Não sabe fazer música, não sabe escrever textos e não sabe fazer filmes. Mas tenta fazer tudo isso e segue, literalmente, amador. É isso mesmo que ele quer. Apaixonado também por temas sombrios e por uma sombria vontade de avacalhar temas sombrios, não consegue fazer nada sério, portanto, não criem expectativas. Divirtam-se, ou não.
E-mail: fabianocabeludo@yahoo.com.br
Facebook: facebook.com/fabiano. cabeludosoares






O Ódio nasce em uma foz chamada Amor (Parte 2/2)

*

            A semana passou e todos estavam cumprindo suas rotinas. Renato havia voltado ao trabalho, um pouco frustrado por não dar em nada, mas ao menos havia exposto as duas; em sua mente aquilo não era o suficiente, mas dava uma sensação de que elas foram prejudicadas. Cristina e Flávia seguiam apaixonadas, sem cobranças, livres e amando-se carnalmente todas as noites – com algumas “rapidinhas” durante o trabalho.

            Era sexta-feira e mais uma semana de trabalho chegava ao fim. Renato trabalhava mais do que de costume, para recuperar o tempo perdido. Flávia e Cristina programavam-se para curtir uma festinha em um pub, numa festa new wave. As vidas seguiam, Renato em uma sintonia completamente diferente do casal feminino.

            Flávia e Cristina estavam divertindo-se no pub. Chamavam muita atenção, pois a felicidade delas era contagiante – e porque seus vestidos, uma em látex e a outra em couro sintético, davam um toque fetichista sombrio, bonito de se ver. Beijaram-se muito na boca – algumas vezes para mostrar aos rapazes, que pensavam tratar-se de duas mulheres fingindo pegar-se apenas para atiçar os homens do local, que o egocentrismo deles estava errado, e elas se curtiam e se amavam mesmo; não queriam saber de piroca. Beberam muito. Dividiram um papelzinho de LSD; sem bad.

            Na saída da festa, as duas estavam um pouco altas e confusas devidas às alterações de percepção, mas emanavam alegria. Cristina, mais forte, estava totalmente em pé, enquanto Flávia escorava-se na companheira, enlaçando seu pescoço com o braço direito, enquanto o esquerdo segurava uma garrafinha de bebia, já no final. Cristina fez sinal para um táxi que passava no local e parou. Pegou a garrafa da mão de Flávia e deixou no chão, enquanto tentava trazê-la de volta à realidade e colocá-la dentro do táxi.

            As duas entraram, Flávia quase se jogando no banco traseiro como se fosse sua cama; Cristina, empurrando a outra para que sobrasse um lugar para entrar. Segurou o rosto de Flávia, até ela abrir os olhos e deu-lhe um beijão na boca. Sussurrou:

            – Vamos pra casa, bebê! – virou-se para o taxista, que as olhava pelo retrovisor. Rua Petter Baiestorf, 66, por favor.

            O taxista olhou bem para ela ainda pelo retrovisor, virou-se e olhou diretamente para ela, fez uma indicação de caminho e seguiu. Durante a viagem, o taxista, um homem grande e corpulento, não parava de olhar para as duas pelo retrovisor. Ao perceber que as duas se beijavam, distraídas, ele pegou o celular e abriu as fotos do Whatsapp, até encontrar o que queria: eram elas! As duas piranhas que estavam assaltando taxistas. “Comigo, não!” pensou ele, e aproveitou o momento de amor das duas para sair da rota estipulada.

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Fabiano Soares
O Ódio nasce em uma foz chamada Amor (Parte 2/2)

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            A semana passou e todos estavam cumprindo suas rotinas. Renato havia voltado ao trabalho, um pouco frustrado por não dar em nada, mas ao menos havia exposto as duas; em sua mente aquilo não era o suficiente, mas dava uma sensação de que elas foram prejudicadas. Cristina e Flávia seguiam apaixonadas, sem cobranças, livres e amando-se carnalmente todas as noites – com algumas “rapidinhas” durante o trabalho.

            Era sexta-feira e mais uma semana de trabalho chegava ao fim. Renato trabalhava mais do que de costume, para recuperar o tempo perdido. Flávia e Cristina programavam-se para curtir uma festinha em um pub, numa festa new wave. As vidas seguiam, Renato em uma sintonia completamente diferente do casal feminino.

            Flávia e Cristina estavam divertindo-se no pub. Chamavam muita atenção, pois a felicidade delas era contagiante – e porque seus vestidos, uma em látex e a outra em couro sintético, davam um toque fetichista sombrio, bonito de se ver. Beijaram-se muito na boca – algumas vezes para mostrar aos rapazes, que pensavam tratar-se de duas mulheres fingindo pegar-se apenas para atiçar os homens do local, que o egocentrismo deles estava errado, e elas se curtiam e se amavam mesmo; não queriam saber de piroca. Beberam muito. Dividiram um papelzinho de LSD; sem bad.

            Na saída da festa, as duas estavam um pouco altas e confusas devidas às alterações de percepção, mas emanavam alegria. Cristina, mais forte, estava totalmente em pé, enquanto Flávia escorava-se na companheira, enlaçando seu pescoço com o braço direito, enquanto o esquerdo segurava uma garrafinha de bebia, já no final. Cristina fez sinal para um táxi que passava no local e parou. Pegou a garrafa da mão de Flávia e deixou no chão, enquanto tentava trazê-la de volta à realidade e colocá-la dentro do táxi.

            As duas entraram, Flávia quase se jogando no banco traseiro como se fosse sua cama; Cristina, empurrando a outra para que sobrasse um lugar para entrar. Segurou o rosto de Flávia, até ela abrir os olhos e deu-lhe um beijão na boca. Sussurrou:

            – Vamos pra casa, bebê! – virou-se para o taxista, que as olhava pelo retrovisor. Rua Petter Baiestorf, 66, por favor.

            O taxista olhou bem para ela ainda pelo retrovisor, virou-se e olhou diretamente para ela, fez uma indicação de caminho e seguiu. Durante a viagem, o taxista, um homem grande e corpulento, não parava de olhar para as duas pelo retrovisor. Ao perceber que as duas se beijavam, distraídas, ele pegou o celular e abriu as fotos do Whatsapp, até encontrar o que queria: eram elas! As duas piranhas que estavam assaltando taxistas. “Comigo, não!” pensou ele, e aproveitou o momento de amor das duas para sair da rota estipulada.

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