O Ódio nasce em uma foz chamada Amor (Parte 2/2) - Fabiano Soares
Fabiano Soares
Formado em jornalismo, detesta jornalismo. Escrito assim em terceira pessoa parece melhor para uma minibiografia. Fabiano tenta se dedicar a muitas coisas, levando-se pela paixão das diversas formas de artes: música, textos, filmes. E é nessa esquizofrenia de interesses, onde tenta dedicar-se um pouco a cada coisa que acaba como um jornalista: sabendo nada de muita coisa. Não sabe fazer música, não sabe escrever textos e não sabe fazer filmes. Mas tenta fazer tudo isso e segue, literalmente, amador. É isso mesmo que ele quer. Apaixonado também por temas sombrios e por uma sombria vontade de avacalhar temas sombrios, não consegue fazer nada sério, portanto, não criem expectativas. Divirtam-se, ou não.
E-mail: fabianocabeludo@yahoo.com.br
Facebook: facebook.com/fabiano. cabeludosoares






O Ódio nasce em uma foz chamada Amor (Parte 2/2)

            Enquanto ele dirige, longe do local do crime, mais tranqüilo, envia a foto de Flávia e Cristina mortas para um grupo de taxistas no Whatsapp, junto com a foto que o fez reconhecê-las, e um áudio, transcrito a seguir:

            “Mandei pro colo do capeta! Essas aí não assaltam mais. Obrigado ao pessoal que compartilhou a foto delas para alertar geral, e vamos compartilhar essa aí pra dar o aviso. Vê bem com quem você mexe, que taxista é tudo ‘atividade’, tá ligado?”

*

            Renato estava rodando, sem passageiro, quando ouviu o aviso de mensagem. Checou, pois na madrugada era comum receber mensagens em grupos, avisando onde estava havendo eventos ou necessidade de carros, na cidade. Ao abrir, viu as fotos de Flávia e Cristina, em dois momentos: vivas e sensuais, a foto que ele havia tirado; e as duas mortas, estiradas em um solo manchado do sangue delas, com os vestidos brilhando por conta do flash, trazendo uma sensualidade fúnebre, combinando com o estilo das duas.

            Renato foi invadido por um turbilhão de emoções, e antes que pudesse entender a situação, abateu-se de tal forma pelo arrependimento que ficou ao volante, acelerando, até ir de encontro a um poste de concreto, derrubando-o e partindo seu carro e sua cabeça ao meio. Mentira, isso seria o final ideal, mas o mundo é vil, e sujo.         Renato encostou o carro e ligou o alerta, devido ao turbilhão de emoções que passavam em sua cabeça. Mas antes que o remorso o pegasse, antes que a tristeza o abatesse, ele espantou todas as lembranças do passado com apenas um botão: compartilhar.

            Sentia-se mais poderoso agora do que quando fodeu com as duas ao mesmo tempo, e realmente era; um juiz, com a distância de um clique de achar um executor para fazer o serviço sujo, gratuito. Voltou a dirigir com um sorriso insano no rosto, e com uma felicidade de dever cumprido. O ódio e o amor, na vida de Renato, foram apenas passageiros.

 

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Fabiano Soares
O Ódio nasce em uma foz chamada Amor (Parte 2/2)

            Enquanto ele dirige, longe do local do crime, mais tranqüilo, envia a foto de Flávia e Cristina mortas para um grupo de taxistas no Whatsapp, junto com a foto que o fez reconhecê-las, e um áudio, transcrito a seguir:

            “Mandei pro colo do capeta! Essas aí não assaltam mais. Obrigado ao pessoal que compartilhou a foto delas para alertar geral, e vamos compartilhar essa aí pra dar o aviso. Vê bem com quem você mexe, que taxista é tudo ‘atividade’, tá ligado?”

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            Renato estava rodando, sem passageiro, quando ouviu o aviso de mensagem. Checou, pois na madrugada era comum receber mensagens em grupos, avisando onde estava havendo eventos ou necessidade de carros, na cidade. Ao abrir, viu as fotos de Flávia e Cristina, em dois momentos: vivas e sensuais, a foto que ele havia tirado; e as duas mortas, estiradas em um solo manchado do sangue delas, com os vestidos brilhando por conta do flash, trazendo uma sensualidade fúnebre, combinando com o estilo das duas.

            Renato foi invadido por um turbilhão de emoções, e antes que pudesse entender a situação, abateu-se de tal forma pelo arrependimento que ficou ao volante, acelerando, até ir de encontro a um poste de concreto, derrubando-o e partindo seu carro e sua cabeça ao meio. Mentira, isso seria o final ideal, mas o mundo é vil, e sujo.         Renato encostou o carro e ligou o alerta, devido ao turbilhão de emoções que passavam em sua cabeça. Mas antes que o remorso o pegasse, antes que a tristeza o abatesse, ele espantou todas as lembranças do passado com apenas um botão: compartilhar.

            Sentia-se mais poderoso agora do que quando fodeu com as duas ao mesmo tempo, e realmente era; um juiz, com a distância de um clique de achar um executor para fazer o serviço sujo, gratuito. Voltou a dirigir com um sorriso insano no rosto, e com uma felicidade de dever cumprido. O ódio e o amor, na vida de Renato, foram apenas passageiros.

 

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