Tudo é mais fácil com um carro e dinheiro - Fabiano Soares
Fabiano Soares
Formado em jornalismo, detesta jornalismo. Escrito assim em terceira pessoa parece melhor para uma minibiografia. Fabiano tenta se dedicar a muitas coisas, levando-se pela paixão das diversas formas de artes: música, textos, filmes. E é nessa esquizofrenia de interesses, onde tenta dedicar-se um pouco a cada coisa que acaba como um jornalista: sabendo nada de muita coisa. Não sabe fazer música, não sabe escrever textos e não sabe fazer filmes. Mas tenta fazer tudo isso e segue, literalmente, amador. É isso mesmo que ele quer. Apaixonado também por temas sombrios e por uma sombria vontade de avacalhar temas sombrios, não consegue fazer nada sério, portanto, não criem expectativas. Divirtam-se, ou não.
E-mail: fabianocabeludo@yahoo.com.br
Facebook: facebook.com/fabiano. cabeludosoares






Tudo é mais fácil com um carro e dinheiro

Enquanto pensava nesse brilhante futuro, sem a presença de diploma ou de pessoas constantes em sua vida, ou seja, a maior parte do tempo sozinha, distraiu-se, e não viu a pobre senhora que saía, com sua longa saia, do culto de sua igreja, agarrada firmemente à Bíblia. A senhora olhou para o Verona de Cristina, e sorriu, como se pedisse que parasse apenas por um momento para que ela pudesse atravessar. Desculpe, senhora, Deus não atendeu a sua prece! O carro de Cristina acertou a senhora em cheio, quebrando-lhe as pernas no impacto, e fazendo-a bater com a cabeça no vidro, deixando um vermelho vivo como pintura, e rolando carro acima, caindo na pista logo atrás.

Cristina por um momento parou. Um pequeno grupo de pessoas olhava para a cena, incluindo pessoas da igreja, chocadas com o que acabara de acontecer. Não se moviam, ninguém teve força. Cristina, um pouco assustada, pois o choque a fez parar de pensar em suas possibilidades com o carro, olhava pelo retrovisor, e via o corpo da velha. E, após uns 30 segundos, contando do momento do impacto, Cristina engata a ré, ajusta o volante um pouco para o lado e acelera. PLOOSH! A cabeça da velha foi esmagada. Cristina agora sorria levemente, e viu um grupo das pessoas da igreja partindo em direção a seu carro.

Então o sorriso ganhou vida, nem parecia aquela menina triste de antes. Ela engatou a primeira, acelerou fundo, e pouco depois engatou a segunda. Não, Cristina não fugia da cena do crime. Ela partia em direção a uma segunda: ia de encontro ao pessoal da igreja, que agora começava a se separar, cada um para um lado. Umas três pessoas não pensaram tão rápido e tiveram seus corpos arrastados pelo carro, desfigurando-os completamente.

Cristina agora gargalhava, e entrou em uma das ruas. A velocidade era alta, e pessoas que andavam na beira da rua ou na ponta da calçada, todas eram atropeladas por ela. Algumas somente se feriam, eram arremessadas longe. Outras não tinham a mesma sorte e paravam onde caiam. Crianças saindo de aula, uma mulher com um carrinho de bebê, uma senhora de andador (não, infelizmente não passou nenhuma senhora de andador), pseudo-atletas que corriam com roupinhas de corredor, ou que andavam de bicicleta. Todos foram vítimas da ensandecida Cristina.
Mas após 10 minutos de brincadeira, um carro de polícia apareceu ao longe, com as sirenes ligadas. Era a hora de parar. Se entregaria? Não, preferia morrer do que passar uma vida na prisão. Não aguentava sua vida, cheia de conforto, por que aguentaria uma vida na qual seria a escória? Acelerou, tinha que escolher rápido o último alvo. Já tinha massacrado algumas pessoas de igreja, o que mais faltava? Olhou ao redor. Não tinha mais igreja. Merda! O carro da polícia se aproximava. Viu um ponto de ônibus cheio de crianças, em frente a um grande muro branco de escola. Seria ali. Que não fosse para acabar com um bando de bosta, que ao menos fosse algo bem comentado. Matar crianças dá IBOPE! Acelerou. Passava já dos 110 quilômetros por hora quando o carro subitamente virou para a esquerda, em direção ao ponto onde as crianças, até meio segundo atrás, vibravam de alegria com um carro acelerando.

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Fabiano Soares
Tudo é mais fácil com um carro e dinheiro

Enquanto pensava nesse brilhante futuro, sem a presença de diploma ou de pessoas constantes em sua vida, ou seja, a maior parte do tempo sozinha, distraiu-se, e não viu a pobre senhora que saía, com sua longa saia, do culto de sua igreja, agarrada firmemente à Bíblia. A senhora olhou para o Verona de Cristina, e sorriu, como se pedisse que parasse apenas por um momento para que ela pudesse atravessar. Desculpe, senhora, Deus não atendeu a sua prece! O carro de Cristina acertou a senhora em cheio, quebrando-lhe as pernas no impacto, e fazendo-a bater com a cabeça no vidro, deixando um vermelho vivo como pintura, e rolando carro acima, caindo na pista logo atrás.

Cristina por um momento parou. Um pequeno grupo de pessoas olhava para a cena, incluindo pessoas da igreja, chocadas com o que acabara de acontecer. Não se moviam, ninguém teve força. Cristina, um pouco assustada, pois o choque a fez parar de pensar em suas possibilidades com o carro, olhava pelo retrovisor, e via o corpo da velha. E, após uns 30 segundos, contando do momento do impacto, Cristina engata a ré, ajusta o volante um pouco para o lado e acelera. PLOOSH! A cabeça da velha foi esmagada. Cristina agora sorria levemente, e viu um grupo das pessoas da igreja partindo em direção a seu carro.

Então o sorriso ganhou vida, nem parecia aquela menina triste de antes. Ela engatou a primeira, acelerou fundo, e pouco depois engatou a segunda. Não, Cristina não fugia da cena do crime. Ela partia em direção a uma segunda: ia de encontro ao pessoal da igreja, que agora começava a se separar, cada um para um lado. Umas três pessoas não pensaram tão rápido e tiveram seus corpos arrastados pelo carro, desfigurando-os completamente.

Cristina agora gargalhava, e entrou em uma das ruas. A velocidade era alta, e pessoas que andavam na beira da rua ou na ponta da calçada, todas eram atropeladas por ela. Algumas somente se feriam, eram arremessadas longe. Outras não tinham a mesma sorte e paravam onde caiam. Crianças saindo de aula, uma mulher com um carrinho de bebê, uma senhora de andador (não, infelizmente não passou nenhuma senhora de andador), pseudo-atletas que corriam com roupinhas de corredor, ou que andavam de bicicleta. Todos foram vítimas da ensandecida Cristina.
Mas após 10 minutos de brincadeira, um carro de polícia apareceu ao longe, com as sirenes ligadas. Era a hora de parar. Se entregaria? Não, preferia morrer do que passar uma vida na prisão. Não aguentava sua vida, cheia de conforto, por que aguentaria uma vida na qual seria a escória? Acelerou, tinha que escolher rápido o último alvo. Já tinha massacrado algumas pessoas de igreja, o que mais faltava? Olhou ao redor. Não tinha mais igreja. Merda! O carro da polícia se aproximava. Viu um ponto de ônibus cheio de crianças, em frente a um grande muro branco de escola. Seria ali. Que não fosse para acabar com um bando de bosta, que ao menos fosse algo bem comentado. Matar crianças dá IBOPE! Acelerou. Passava já dos 110 quilômetros por hora quando o carro subitamente virou para a esquerda, em direção ao ponto onde as crianças, até meio segundo atrás, vibravam de alegria com um carro acelerando.

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