Tudo é mais fácil com um carro e dinheiro - Fabiano Soares
Fabiano Soares
Formado em jornalismo, detesta jornalismo. Escrito assim em terceira pessoa parece melhor para uma minibiografia. Fabiano tenta se dedicar a muitas coisas, levando-se pela paixão das diversas formas de artes: música, textos, filmes. E é nessa esquizofrenia de interesses, onde tenta dedicar-se um pouco a cada coisa que acaba como um jornalista: sabendo nada de muita coisa. Não sabe fazer música, não sabe escrever textos e não sabe fazer filmes. Mas tenta fazer tudo isso e segue, literalmente, amador. É isso mesmo que ele quer. Apaixonado também por temas sombrios e por uma sombria vontade de avacalhar temas sombrios, não consegue fazer nada sério, portanto, não criem expectativas. Divirtam-se, ou não.
E-mail: fabianocabeludo@yahoo.com.br
Facebook: facebook.com/fabiano. cabeludosoares






Tudo é mais fácil com um carro e dinheiro

Vinte e duas crianças foram atingidas pelo carro. Algumas foram esmagadas contra o muro, outras com o impacto, realizaram o infantil sonho de voar. A parede foi pintada de vermelha rapidamente. Vinte e cinco mortes. O número de mortos só foi maior do que o de atingidos pelo carro porque alguém, antes de subir em um ônibus, havia jogado um cigarro aceso no chão, o que ocasionou a explosão quando a gasolina do tanque se espalhou. Uma explosão. O fogo dava seu show, luzes naturais sempre são boas para os fotógrafos. Dois policiais que tentavam resgatar algumas crianças, as que estavam em melhores condições, tiveram sua experiência de cremação vivos. E Cristina, que odiava a idéia de funeral e ritos mórbido-religiosos, ficaria feliz ao saber que ninguém lamentava sua morte, o que certamente aconteceria em seu funeral. Só lamentaria não ter usado o carro como motel.

Mas tudo em nome de uma boa morte!

 

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Fabiano Soares
Tudo é mais fácil com um carro e dinheiro

Vinte e duas crianças foram atingidas pelo carro. Algumas foram esmagadas contra o muro, outras com o impacto, realizaram o infantil sonho de voar. A parede foi pintada de vermelha rapidamente. Vinte e cinco mortes. O número de mortos só foi maior do que o de atingidos pelo carro porque alguém, antes de subir em um ônibus, havia jogado um cigarro aceso no chão, o que ocasionou a explosão quando a gasolina do tanque se espalhou. Uma explosão. O fogo dava seu show, luzes naturais sempre são boas para os fotógrafos. Dois policiais que tentavam resgatar algumas crianças, as que estavam em melhores condições, tiveram sua experiência de cremação vivos. E Cristina, que odiava a idéia de funeral e ritos mórbido-religiosos, ficaria feliz ao saber que ninguém lamentava sua morte, o que certamente aconteceria em seu funeral. Só lamentaria não ter usado o carro como motel.

Mas tudo em nome de uma boa morte!

 

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