Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Flávio Assumpção
Eu escrevo desde 2007. Trabalho com contos de terror e ficção científica. Fui influenciado por Lautreamont, Marquês de Sade, Philip K. Dick, Robert Anton Wilson, Willian Burroughs, Augusto dos Anjos, Hakim Bey, Alan Moore, Clive Barker, entre outros. Quando não estou sob a influência dos demônios do caos, costumo trabalhar como psicólogo clínico na cidade de São Paulo.





Bipolar – O intelectual do ânus

          Uma batida, duas batidas… Apenas o som das marretadas e o estalar dos ossos quebrados em meu corpo. Tropeço em minhas próprias pernas, uma velha respira com dificuldades em seu pulmão de aço, um louco se masturba ao seu lado enquanto ele a observa; introduz agulhas em sua uretra durante o ato, seus olhos esbugalhados revelam um prazer doentio correndo em suas veias contaminadas. Abro meus olhos, estou sonolento. No espelho próximo a minha cama uma imagem se forma, uma menina nua com o corpo pálido rasteja em minha direção, ela atravessa a fina camada de vidro. Em seu rosto eu vejo dois buracos negros onde deveriam ter olhos, sua mandíbula está fraturada fazendo com que seu queixo fique pendurado na altura do peito, seus lábios mostram-se com uma elasticidade enorme pelo tamanho da abertura em sua boca, devido ao deslocamento dos ossos faciais e de sua fratura. Rastejou pelo chão em minha direção, abriu um sorriso doentio com gengivas negras e uma língua azulada, sua saliva escura jorrava devido a abertura enorme de sua boca. Ela se aproxima lentamente da cama, estou paralisado ao me deparar com aquela cena de horror. Ela se apóia em minha cama com seus braços finos e fracos, seu cabelo sujo desliza pelo meu corpo. Ela estende sua mão; vejo que ela segura três comprimidos. Ela os oferece a mim. Pego com minhas mãos rígidas, levo-os até minha boca e os engulo com dificuldade. O despertador toca, são 6h da manhã. Levanto, tomo banho. Os caranguejos continuam a caminhar pelas paredes, eles nunca se vão. Coloco minha melhor roupa para ir a entrevista de emprego, salário bom e cargo bom. No momento estou desempregado, às vezes faço bico vendendo cordas para suicidas em potencial.

          Em minha geladeira as baratas dançam valsa, na parede o crucifixo com o macaquinho pendurado nele está empoeirado. Depilo minhas virilhas para sair de casa, dou uma bela lustrada nas minhas nádegas, é preciso estar pronto para receber o não caso a entrevista não dê certo para mim. Esfrego bem as mãos em minhas bolas para poder cumprimentar as pessoas na rua. Claro, eu sou um cidadão exemplar, sempre respeitando a ética, a moral e os bons costumes, amém. Dou uma bela laminada em minha língua para poder lamber as botas necessárias para eu poder pagar minhas contas alegremente como o bom cidadão que sou. Retiro alguns pelos do meu ânus com uma pequena pinça velha, passo vaselina nas axilas, quero estar com o cheiro dos vencedores hoje! Bebo um copo de café com urina de cadela no cio para dar sorte, esse emprego vai ser meu! Lembre-se sempre, os bons pensamentos atraem boas energias. Talvez eu até pare no meio do caminho para fazer uma fezinha e jogar na mega sena. Amém!

Páginas: 1 2 3 4 5 6

Flávio Assumpção
Bipolar – O intelectual do ânus

          Uma batida, duas batidas… Apenas o som das marretadas e o estalar dos ossos quebrados em meu corpo. Tropeço em minhas próprias pernas, uma velha respira com dificuldades em seu pulmão de aço, um louco se masturba ao seu lado enquanto ele a observa; introduz agulhas em sua uretra durante o ato, seus olhos esbugalhados revelam um prazer doentio correndo em suas veias contaminadas. Abro meus olhos, estou sonolento. No espelho próximo a minha cama uma imagem se forma, uma menina nua com o corpo pálido rasteja em minha direção, ela atravessa a fina camada de vidro. Em seu rosto eu vejo dois buracos negros onde deveriam ter olhos, sua mandíbula está fraturada fazendo com que seu queixo fique pendurado na altura do peito, seus lábios mostram-se com uma elasticidade enorme pelo tamanho da abertura em sua boca, devido ao deslocamento dos ossos faciais e de sua fratura. Rastejou pelo chão em minha direção, abriu um sorriso doentio com gengivas negras e uma língua azulada, sua saliva escura jorrava devido a abertura enorme de sua boca. Ela se aproxima lentamente da cama, estou paralisado ao me deparar com aquela cena de horror. Ela se apóia em minha cama com seus braços finos e fracos, seu cabelo sujo desliza pelo meu corpo. Ela estende sua mão; vejo que ela segura três comprimidos. Ela os oferece a mim. Pego com minhas mãos rígidas, levo-os até minha boca e os engulo com dificuldade. O despertador toca, são 6h da manhã. Levanto, tomo banho. Os caranguejos continuam a caminhar pelas paredes, eles nunca se vão. Coloco minha melhor roupa para ir a entrevista de emprego, salário bom e cargo bom. No momento estou desempregado, às vezes faço bico vendendo cordas para suicidas em potencial.

          Em minha geladeira as baratas dançam valsa, na parede o crucifixo com o macaquinho pendurado nele está empoeirado. Depilo minhas virilhas para sair de casa, dou uma bela lustrada nas minhas nádegas, é preciso estar pronto para receber o não caso a entrevista não dê certo para mim. Esfrego bem as mãos em minhas bolas para poder cumprimentar as pessoas na rua. Claro, eu sou um cidadão exemplar, sempre respeitando a ética, a moral e os bons costumes, amém. Dou uma bela laminada em minha língua para poder lamber as botas necessárias para eu poder pagar minhas contas alegremente como o bom cidadão que sou. Retiro alguns pelos do meu ânus com uma pequena pinça velha, passo vaselina nas axilas, quero estar com o cheiro dos vencedores hoje! Bebo um copo de café com urina de cadela no cio para dar sorte, esse emprego vai ser meu! Lembre-se sempre, os bons pensamentos atraem boas energias. Talvez eu até pare no meio do caminho para fazer uma fezinha e jogar na mega sena. Amém!

Páginas: 1 2 3 4 5 6