Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Flávio Assumpção
Eu escrevo desde 2007. Trabalho com contos de terror e ficção científica. Fui influenciado por Lautreamont, Marquês de Sade, Philip K. Dick, Robert Anton Wilson, Willian Burroughs, Augusto dos Anjos, Hakim Bey, Alan Moore, Clive Barker, entre outros. Quando não estou sob a influência dos demônios do caos, costumo trabalhar como psicólogo clínico na cidade de São Paulo.





Descida ao inferno

‘’Mas quem és tu velho bruxo?’’ pergunta o viajante.

‘’Viajante, sou o seu sábio interior, sou Belzebu, Cristo, Anticristo, Zaratustra, Maldoror, Zeus, Hades, Odin, Thor, Anúbis… sou você’’.

Neste instante cadáveres copulam ao pé da montanha numa orgia onde membros são despedaçados, ao som de gritos de desespero… enquanto o rio lacrimal corre junto da bile negra de suas margens… a chuva de escorpiões parece interminável, a ventania traz consigo lacraias famintas… do rio surge uma baleia monstruosa com dentes de foice e olhos de sangue, suas asas de morcego elefante, maiores que duas formigas, assustadoras como um abutre rasgando a carne de uma parede de tijolos de vidro, canta uma canção que diz ‘’durma bem, durma no fogo, comendo formigas pela manhã, amando o ódio… o sábio urubu com cabeça de cigana vem pela noite…’’

Uma criança canta a canção junto do rio vendo a baleia nas suas margens, cortando seus pulsos com pregos… comendo um belo prato de arame farpado…

Enquanto isso uma mulher doente, o corpo cheio de chagas, se masturba esfregando cacos de vidro em sua vagina, sentada em cima de um formigueiro de onde saem formigas espermatozóides de duas cabeças… ao lado, a mãe sem rosto amamenta o bebê de três olhos, com seus 18 seios de onde saem o leite de barata….

Ao pé da montanha…….

Todas as criaturas ao verem que o viajante estava confrontando seus demônios, seus monstros e seu inferno, são tomadas pelo desespero e terror. E numa tentativa de sabotar a coragem do viajante, começam a subir na montanha, para impedir a atitude dele… gritando desesperadamente, querendo devora-lo ao pé da montanha….

…. A sagração da primavera e o pássaro de fogo….

‘’Viajante, olhe para o que te tornastes, sua vida está se esgotando, está perdendo seu tempo. Liberte a chama que existe dentro de você, está vivendo sua vida como uma lagosta indo para o forno, seu corpo está endurecido, sua respiração é fraca. Aprenda a viver teu agora, ouça os teus desejos e sonhos, realize-os no presente pois este é o único tempo real que te pertences. Pare de alimentar tua estupidez, tua alienação.

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Flávio Assumpção
Descida ao inferno

‘’Mas quem és tu velho bruxo?’’ pergunta o viajante.

‘’Viajante, sou o seu sábio interior, sou Belzebu, Cristo, Anticristo, Zaratustra, Maldoror, Zeus, Hades, Odin, Thor, Anúbis… sou você’’.

Neste instante cadáveres copulam ao pé da montanha numa orgia onde membros são despedaçados, ao som de gritos de desespero… enquanto o rio lacrimal corre junto da bile negra de suas margens… a chuva de escorpiões parece interminável, a ventania traz consigo lacraias famintas… do rio surge uma baleia monstruosa com dentes de foice e olhos de sangue, suas asas de morcego elefante, maiores que duas formigas, assustadoras como um abutre rasgando a carne de uma parede de tijolos de vidro, canta uma canção que diz ‘’durma bem, durma no fogo, comendo formigas pela manhã, amando o ódio… o sábio urubu com cabeça de cigana vem pela noite…’’

Uma criança canta a canção junto do rio vendo a baleia nas suas margens, cortando seus pulsos com pregos… comendo um belo prato de arame farpado…

Enquanto isso uma mulher doente, o corpo cheio de chagas, se masturba esfregando cacos de vidro em sua vagina, sentada em cima de um formigueiro de onde saem formigas espermatozóides de duas cabeças… ao lado, a mãe sem rosto amamenta o bebê de três olhos, com seus 18 seios de onde saem o leite de barata….

Ao pé da montanha…….

Todas as criaturas ao verem que o viajante estava confrontando seus demônios, seus monstros e seu inferno, são tomadas pelo desespero e terror. E numa tentativa de sabotar a coragem do viajante, começam a subir na montanha, para impedir a atitude dele… gritando desesperadamente, querendo devora-lo ao pé da montanha….

…. A sagração da primavera e o pássaro de fogo….

‘’Viajante, olhe para o que te tornastes, sua vida está se esgotando, está perdendo seu tempo. Liberte a chama que existe dentro de você, está vivendo sua vida como uma lagosta indo para o forno, seu corpo está endurecido, sua respiração é fraca. Aprenda a viver teu agora, ouça os teus desejos e sonhos, realize-os no presente pois este é o único tempo real que te pertences. Pare de alimentar tua estupidez, tua alienação.

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