Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Flávio Assumpção
Eu escrevo desde 2007. Trabalho com contos de terror e ficção científica. Fui influenciado por Lautreamont, Marquês de Sade, Philip K. Dick, Robert Anton Wilson, Willian Burroughs, Augusto dos Anjos, Hakim Bey, Alan Moore, Clive Barker, entre outros. Quando não estou sob a influência dos demônios do caos, costumo trabalhar como psicólogo clínico na cidade de São Paulo.





Egogracia (Parte 1)

Lúcifer sai da caverna após sua longa conversa com a grande Kali. O cheiro de incenso e o gosto de ervas fortes ainda estão impregnados em seus sentidos. Ele desce a montanha lentamente, onde a caverna de kali permanecia no topo daquele monte. Em sua pele, não havia mais nada escrito, sua feridas haviam cicatrizado e seu corpo pulsava mais forte e vivo como nunca em sua longa jornada.

Lúcifer sabia que ele tinha que cumprir sua missão cósmica em nome do caos. Sabia que sua grande batalha, sua grande revolução, se daria na cidade nova, onde o grande ego havia formado o centro de seu império. A cidade ficava atrás do vale dos leprosos, atrás da floresta morta dos canibais, próximo do rio onde os recém nascidos tinham suas gargantas cortadas.

Seus olhos brilhavam com o fogo de sua alma, ele agora estava pronto para cumprir o seu ciclo caótico naquele planeta.

Haldol era um homem de meia idade que trabalhava de maneira mecânica e infeliz em seu emprego, assim como todas as pessoas de sua cidade. Ele trabalhava como limpador de narizes dos grandes empresários que eram seus chefes. Conhecia todas as artimanhas de como se limpar um nariz era um especialista na arte de tirar ranho dos narizes poderosos de seus patrões. Sua vida se resumia a uma comodidade infeliz e suicida.

Quetiapina, sua esposa. Era dona de casa, fazia a janta, o almoço, limpava o chão, banheiros, quartos e limpava as fezes do cachorro. Era uma mulher que vivia sua vida em uma comodidade segura e repetitiva. Rivotril era o único filho do casal, sua vida se resumia às aulas de “como morrer em vida” na escola e punhetas em homenagem às moças felizes e sorridentes dos rótulos dos xampus.

Certo dia, Quetiapina em um surto repentino de tédio, pegou o machado que estava no armário e acertou a cabeça de Haldol, abrindo-lhe um imenso buraco. Após o ato, a doce esposa não esboçou reação alguma, apenas cortou o marido em pedaços, recolheu o resto do cérebro que estava espalhado pelo chão, guardando tudo na geladeira da família. Quetiapina sabia que Rivotril havia presenciado toda aquela cena, mas ambos sequer esboçaram reação alguma.

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Flávio Assumpção
Egogracia (Parte 1)

Lúcifer sai da caverna após sua longa conversa com a grande Kali. O cheiro de incenso e o gosto de ervas fortes ainda estão impregnados em seus sentidos. Ele desce a montanha lentamente, onde a caverna de kali permanecia no topo daquele monte. Em sua pele, não havia mais nada escrito, sua feridas haviam cicatrizado e seu corpo pulsava mais forte e vivo como nunca em sua longa jornada.

Lúcifer sabia que ele tinha que cumprir sua missão cósmica em nome do caos. Sabia que sua grande batalha, sua grande revolução, se daria na cidade nova, onde o grande ego havia formado o centro de seu império. A cidade ficava atrás do vale dos leprosos, atrás da floresta morta dos canibais, próximo do rio onde os recém nascidos tinham suas gargantas cortadas.

Seus olhos brilhavam com o fogo de sua alma, ele agora estava pronto para cumprir o seu ciclo caótico naquele planeta.

Haldol era um homem de meia idade que trabalhava de maneira mecânica e infeliz em seu emprego, assim como todas as pessoas de sua cidade. Ele trabalhava como limpador de narizes dos grandes empresários que eram seus chefes. Conhecia todas as artimanhas de como se limpar um nariz era um especialista na arte de tirar ranho dos narizes poderosos de seus patrões. Sua vida se resumia a uma comodidade infeliz e suicida.

Quetiapina, sua esposa. Era dona de casa, fazia a janta, o almoço, limpava o chão, banheiros, quartos e limpava as fezes do cachorro. Era uma mulher que vivia sua vida em uma comodidade segura e repetitiva. Rivotril era o único filho do casal, sua vida se resumia às aulas de “como morrer em vida” na escola e punhetas em homenagem às moças felizes e sorridentes dos rótulos dos xampus.

Certo dia, Quetiapina em um surto repentino de tédio, pegou o machado que estava no armário e acertou a cabeça de Haldol, abrindo-lhe um imenso buraco. Após o ato, a doce esposa não esboçou reação alguma, apenas cortou o marido em pedaços, recolheu o resto do cérebro que estava espalhado pelo chão, guardando tudo na geladeira da família. Quetiapina sabia que Rivotril havia presenciado toda aquela cena, mas ambos sequer esboçaram reação alguma.

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