Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Flávio Assumpção
Eu escrevo desde 2007. Trabalho com contos de terror e ficção científica. Fui influenciado por Lautreamont, Marquês de Sade, Philip K. Dick, Robert Anton Wilson, Willian Burroughs, Augusto dos Anjos, Hakim Bey, Alan Moore, Clive Barker, entre outros. Quando não estou sob a influência dos demônios do caos, costumo trabalhar como psicólogo clínico na cidade de São Paulo.





Egogracia (Parte 1)

Quetiapina alimentou o filho com os pedaços do pai durante três meses seguidos numa fartura de carne sem fim. Assados, fritos, ensopados, belos bifes, um banquete refinado para aquela família que se alimentava de pilhas, jornais velhos, pombos e gatos mortos. Quando a carne do falecido pai acabou, Quetiapina defecava ou vomitava na panela, incrementando os pratos criando uma nova forma de se fazer comida, tudo para alimentar seu filho, o querido Rivotril. O garoto comia tudo sem reclamar, sem dizer nada, apenas engolia. Quetiapina, tentava interagir com o filho colocando fogo em seu corpo, dando choques em sua língua, as vezes arrancava suas unhas. Ela até trazia animais de estimação pra o seu filho, depois ela os matava na sua frente apenas por uma diversão sadia em família. Depois de mortos, os bichinhos de estimação viravam grandes banquetes que alimentava mãe e filho.

Para se livrar do tédio noturno, Quetiapina saia pelas ruas atrás de jovens garotas para entreter seu filho que mofava em casa. Quetiapina matava as garotas, arrancava suas peles e as trazia para casa. A dedicada mãe criou uma boneca de tamanho humano, costurou as peles em volta da boneca, vestiu-a com as roupas do pai morto e colocou as suas próprias roupas íntimas na boneca. Quetiapina deu a boneca de presente para Rivotril.

Ela obrigava o garoto a manter relações sexuais com a boneca enquanto ela assistia tudo saboreando uma bela taça de vinho. Às vezes ela mesma estuprava o filho com pedaços de madeira pontiagudos, só para não morrer de tédio.

Rivotril, era fraco, magro, pálido, olheiras negras e esverdeadas, dedos magros, pele ensebada, cabelo ralo, seu olhar era moribundo. Todas as manhãs ele ficava sentado em sua cama, olhando para o vazio de sua parede mofada e descascada. No andar de baixo, sua mãe ouvia um disco velho em sua vitrola, uma velha ópera da década de vinte, uma raridade nos tempos em que eles viviam.

Aquelas pessoas, ou o que restou delas, viviam numa pequena cidade, onde reinava o todo poderoso ego, ele decidia tudo (ele havia se tornado o soberano daquelas pessoas quando ele ganhou vida na cidade dos homens grandes e ensebados). Possuía uma forma esquisita, o corpo era uma grande gosma verde amarelada, com toques de crueldade nos olhos, seu cabelo tinha cor de narcisismo, sua boca era pura alienação, seus pés mediam o tamanho de uma ignorância, sua cabeça tinha a circunferência de uma perversão, seu sorriso era de plástico com bolhas e sua voz tinha a tessitura, o brilho e o tom de um empalamento. Era uma figura idolatrada por todos que ali viviam, era um ícone daquela época, todos vestiam camisetas com seu grande mestre estampando nela, rezavam em seu grande e suntuoso templo feito em homenagem àquele messias. O templo era feito com corpos amontoados daqueles que ousaram questionar o grande e sábio líder, o grande ego. Todos amavam aquele ser, aquele que havia surgido das entranhas de cada humano que havia vivido e que vivia naquele planeta, antes conhecido como terra, agora Ego Azul.

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Flávio Assumpção
Egogracia (Parte 1)

Quetiapina alimentou o filho com os pedaços do pai durante três meses seguidos numa fartura de carne sem fim. Assados, fritos, ensopados, belos bifes, um banquete refinado para aquela família que se alimentava de pilhas, jornais velhos, pombos e gatos mortos. Quando a carne do falecido pai acabou, Quetiapina defecava ou vomitava na panela, incrementando os pratos criando uma nova forma de se fazer comida, tudo para alimentar seu filho, o querido Rivotril. O garoto comia tudo sem reclamar, sem dizer nada, apenas engolia. Quetiapina, tentava interagir com o filho colocando fogo em seu corpo, dando choques em sua língua, as vezes arrancava suas unhas. Ela até trazia animais de estimação pra o seu filho, depois ela os matava na sua frente apenas por uma diversão sadia em família. Depois de mortos, os bichinhos de estimação viravam grandes banquetes que alimentava mãe e filho.

Para se livrar do tédio noturno, Quetiapina saia pelas ruas atrás de jovens garotas para entreter seu filho que mofava em casa. Quetiapina matava as garotas, arrancava suas peles e as trazia para casa. A dedicada mãe criou uma boneca de tamanho humano, costurou as peles em volta da boneca, vestiu-a com as roupas do pai morto e colocou as suas próprias roupas íntimas na boneca. Quetiapina deu a boneca de presente para Rivotril.

Ela obrigava o garoto a manter relações sexuais com a boneca enquanto ela assistia tudo saboreando uma bela taça de vinho. Às vezes ela mesma estuprava o filho com pedaços de madeira pontiagudos, só para não morrer de tédio.

Rivotril, era fraco, magro, pálido, olheiras negras e esverdeadas, dedos magros, pele ensebada, cabelo ralo, seu olhar era moribundo. Todas as manhãs ele ficava sentado em sua cama, olhando para o vazio de sua parede mofada e descascada. No andar de baixo, sua mãe ouvia um disco velho em sua vitrola, uma velha ópera da década de vinte, uma raridade nos tempos em que eles viviam.

Aquelas pessoas, ou o que restou delas, viviam numa pequena cidade, onde reinava o todo poderoso ego, ele decidia tudo (ele havia se tornado o soberano daquelas pessoas quando ele ganhou vida na cidade dos homens grandes e ensebados). Possuía uma forma esquisita, o corpo era uma grande gosma verde amarelada, com toques de crueldade nos olhos, seu cabelo tinha cor de narcisismo, sua boca era pura alienação, seus pés mediam o tamanho de uma ignorância, sua cabeça tinha a circunferência de uma perversão, seu sorriso era de plástico com bolhas e sua voz tinha a tessitura, o brilho e o tom de um empalamento. Era uma figura idolatrada por todos que ali viviam, era um ícone daquela época, todos vestiam camisetas com seu grande mestre estampando nela, rezavam em seu grande e suntuoso templo feito em homenagem àquele messias. O templo era feito com corpos amontoados daqueles que ousaram questionar o grande e sábio líder, o grande ego. Todos amavam aquele ser, aquele que havia surgido das entranhas de cada humano que havia vivido e que vivia naquele planeta, antes conhecido como terra, agora Ego Azul.

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