Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Flávio Assumpção
Eu escrevo desde 2007. Trabalho com contos de terror e ficção científica. Fui influenciado por Lautreamont, Marquês de Sade, Philip K. Dick, Robert Anton Wilson, Willian Burroughs, Augusto dos Anjos, Hakim Bey, Alan Moore, Clive Barker, entre outros. Quando não estou sob a influência dos demônios do caos, costumo trabalhar como psicólogo clínico na cidade de São Paulo.





Egogracia (Parte 1)

A família de Rivotril havia sobrevivido ao final da era antiga, quando a terra foi assolada pelo ódio antigo, onde o grande vírus devastou o velho planeta terra, transformando quase todos os seres humanos em bestas canibais. Algumas bestas ainda perambulavam pelo planeta, tinham aqueles que tentavam se aproximar da grande e nova cidade, mas logo eram capturados e transformados em escravos sexuais ou se tornavam animais exóticos de estimação dos moradores da grande cidade. O próprio Rivotril quando era criança, ganhou uma besta humana como animalzinho de estimação. Ele não durou muito tempo, pois o pai estuprou tanto a pobre criatura, que esta morreu por conta de uma perfuração intestinal. Claro que ele serviu de alimento para toda a família, graças aos dotes culinários de dona Quetiapina.

Todos interagiam em suas redes sociais na nova cidade, em computadores que ainda funcionavam, resgatados da antiga era(eles usavam o mesmo mecanismo para se recriar a internet que era usado pelos homens grandes e ensebados, da sua recém destruída cidade). O Egobook, era o sucesso entre os moradores da cidade nova, era inspirado nas redes sociais do antigo mundo que já estava extinto, mas todos nós sabemos o quanto é legal fazer “revival” de coisas antigas, só pra ser descolado.

Todos postavam fotos de suas vidas felizes, postavam frases inteligentes roubadas de livros da antiga era; coisas que eles não entendiam, mas, apenas postavam por que era legal. Faziam discussões entre eles mesmos, apenas para ver quem ganhava no número de likes, apenas para parecerem inteligentes e descolados na tela dos computadores de outras pessoas, escondendo suas profundas mazelas, ignorâncias e medos.

A nova religião daquela cidade era baseada nas antigas religiões monoteístas, mas o grande diferencial, o grande barato daquela religião, era que o deus, o messias estava vivo entre eles, aparecia nas camisetas, comerciais de supositório, participava de programas de auditório, de reality shows, tinha um perfil no egobook. Muito mais divertido que as antigas religiões.

Outro fato interessante nessa religião era que ao invés de ficar adorando um deus para depois que morrer a pessoa ir para um suposto céu passar a sua eternidade, nessa nova seita; quando as pessoas ficavam velhas, doentes ou apenas queriam morrer, elas iam até o grande ego divino e se entregavam para ele, sendo engolidas por seu corpo perfeitamente disforme, servindo de alimento para o grande e novo deus.

Certo dia, Rivotril estava tão cansado e tão entediado daquela vida que ele resolveu desligar o seu computador, deixando um pouco de lado a seu perfil no egobook, sendo que todos os dias ele postava fotos de sua querida boneca, presente de sua mamãe. Ele foi até o banheiro e se olhou no espelho, o que ele viu não o agradou, há anos ele não esboçava uma única reação, não sorria, não chorava. Seu pai lhe contava que quando Rivotril havia nascido; os médicos tiveram que bater no bebe, espanca-lo, para que este pudesse chorar e dar algum sinal de vida.

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Flávio Assumpção
Egogracia (Parte 1)

A família de Rivotril havia sobrevivido ao final da era antiga, quando a terra foi assolada pelo ódio antigo, onde o grande vírus devastou o velho planeta terra, transformando quase todos os seres humanos em bestas canibais. Algumas bestas ainda perambulavam pelo planeta, tinham aqueles que tentavam se aproximar da grande e nova cidade, mas logo eram capturados e transformados em escravos sexuais ou se tornavam animais exóticos de estimação dos moradores da grande cidade. O próprio Rivotril quando era criança, ganhou uma besta humana como animalzinho de estimação. Ele não durou muito tempo, pois o pai estuprou tanto a pobre criatura, que esta morreu por conta de uma perfuração intestinal. Claro que ele serviu de alimento para toda a família, graças aos dotes culinários de dona Quetiapina.

Todos interagiam em suas redes sociais na nova cidade, em computadores que ainda funcionavam, resgatados da antiga era(eles usavam o mesmo mecanismo para se recriar a internet que era usado pelos homens grandes e ensebados, da sua recém destruída cidade). O Egobook, era o sucesso entre os moradores da cidade nova, era inspirado nas redes sociais do antigo mundo que já estava extinto, mas todos nós sabemos o quanto é legal fazer “revival” de coisas antigas, só pra ser descolado.

Todos postavam fotos de suas vidas felizes, postavam frases inteligentes roubadas de livros da antiga era; coisas que eles não entendiam, mas, apenas postavam por que era legal. Faziam discussões entre eles mesmos, apenas para ver quem ganhava no número de likes, apenas para parecerem inteligentes e descolados na tela dos computadores de outras pessoas, escondendo suas profundas mazelas, ignorâncias e medos.

A nova religião daquela cidade era baseada nas antigas religiões monoteístas, mas o grande diferencial, o grande barato daquela religião, era que o deus, o messias estava vivo entre eles, aparecia nas camisetas, comerciais de supositório, participava de programas de auditório, de reality shows, tinha um perfil no egobook. Muito mais divertido que as antigas religiões.

Outro fato interessante nessa religião era que ao invés de ficar adorando um deus para depois que morrer a pessoa ir para um suposto céu passar a sua eternidade, nessa nova seita; quando as pessoas ficavam velhas, doentes ou apenas queriam morrer, elas iam até o grande ego divino e se entregavam para ele, sendo engolidas por seu corpo perfeitamente disforme, servindo de alimento para o grande e novo deus.

Certo dia, Rivotril estava tão cansado e tão entediado daquela vida que ele resolveu desligar o seu computador, deixando um pouco de lado a seu perfil no egobook, sendo que todos os dias ele postava fotos de sua querida boneca, presente de sua mamãe. Ele foi até o banheiro e se olhou no espelho, o que ele viu não o agradou, há anos ele não esboçava uma única reação, não sorria, não chorava. Seu pai lhe contava que quando Rivotril havia nascido; os médicos tiveram que bater no bebe, espanca-lo, para que este pudesse chorar e dar algum sinal de vida.

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