Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Flávio Assumpção
Eu escrevo desde 2007. Trabalho com contos de terror e ficção científica. Fui influenciado por Lautreamont, Marquês de Sade, Philip K. Dick, Robert Anton Wilson, Willian Burroughs, Augusto dos Anjos, Hakim Bey, Alan Moore, Clive Barker, entre outros. Quando não estou sob a influência dos demônios do caos, costumo trabalhar como psicólogo clínico na cidade de São Paulo.





Egogracia (Parte 1)

Mas naquele dia Rivotril se olhou no espelho e uma súbita vontade de chorar tomou conta de seu ser, sua alma fria começou a doer, sua garganta ardia em chamas, suas lágrimas escorriam pelo seu rosto pesando toneladas, seu corpo tremia inteiro, seu estômago estava embrulhado, sua mente explodia de dor e agonia. Em pleno desespero, Rivotril estourou seus punhos no vidro do espelho, que lhe mostrava aquela imagem, aquele ser morto que tanto lhe trazia dor. Ao quebrar o vidro, ele viu que existia alguma coisa do outro lado do espelho, parecia uma passagem escura, uma porta, uma janela. Colocou seu rosto ali, gritou e o eco se fez presente, vibrando, ecoando o seu grito naquele local escuro. De repente, sua curiosidade há muito tempo amortecida, estava pulsando em seu peito, querendo sair. Rivotril se atreveu então a entrar naquele local desconhecido a assustador.

Enquanto isso, no templo cadavérico do deus ego, os fiéis realizam um ritual de adoração. O grande ego sentado em seu trono de vidro observava o ritual em sua homenagem. Os fiéis estavam de quatro, com suas nádegas viradas em direção ao grande ego, com suas mãos abrindo gentilmente as laterais de suas bundas, mostrando seus ânus para o grande deus. Cada pessoa soltava seus gases, todos se regozijavam compartilhando o odor íntimo de cada um; numa festa religiosa e escatológica sem precedentes. Todos peidavam felizes, entrando em transe espiritual com os odores internos que rodeava aquele local sagrado, o frenesi era visível, o êxtase gritava naquele recinto. Depois desse ritual inicial, os fiéis juntavam uma grande massa de muco, catarro e saliva em suas gargantas, traziam para a boca, erguiam suas cabeças para cima e cada um dos fiéis cuspia aquela massa amarela esverdeada e pegajosa, fazendo com que aquele bolo nojento voasse bem alto, acima de suas cabeças para logo em seguida, cair em suas próprias faces. Ao cair em suas faces, o catarro se espalhava por seus rostos felizes e realizados com tamanho ato sagrado, homenageando o sagrado ego. No meio do ritual, o grande ego esporrava em suas pernas o gozo de seu prazer divino, pois durante a celebração de seus fiéis, ele se masturbava observando todos ali no templo. Depois sua porra era recolhida para ser vendia aos fiéis em pequenos potes. Os fiéis levavam aquele esperma do grande ego, para se banhar em casa, ou para beber o líquido sagrado do seu grande deus numa tentativa de ter sorte e de alcançar algum milagre em suas vidas ínfimas.

Do outro lado, Rivotril caminhava naquele mundo escuro, por trás do espelho de sua casa, num mundo paralelo ao seu. Rivotril sentia um medo crescente em seu corpo, ao mesmo tempo uma sensação de um prazer estranho, como nunca antes havia sentido em sua vida precária e doente. Ele sentia medo e também uma sensação de esperança que pulsava em seu peito, renovando suas artérias há muito deteriorado em sua vida estúpida que ele levava do outro lado do espelho…

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Flávio Assumpção
Egogracia (Parte 1)

Mas naquele dia Rivotril se olhou no espelho e uma súbita vontade de chorar tomou conta de seu ser, sua alma fria começou a doer, sua garganta ardia em chamas, suas lágrimas escorriam pelo seu rosto pesando toneladas, seu corpo tremia inteiro, seu estômago estava embrulhado, sua mente explodia de dor e agonia. Em pleno desespero, Rivotril estourou seus punhos no vidro do espelho, que lhe mostrava aquela imagem, aquele ser morto que tanto lhe trazia dor. Ao quebrar o vidro, ele viu que existia alguma coisa do outro lado do espelho, parecia uma passagem escura, uma porta, uma janela. Colocou seu rosto ali, gritou e o eco se fez presente, vibrando, ecoando o seu grito naquele local escuro. De repente, sua curiosidade há muito tempo amortecida, estava pulsando em seu peito, querendo sair. Rivotril se atreveu então a entrar naquele local desconhecido a assustador.

Enquanto isso, no templo cadavérico do deus ego, os fiéis realizam um ritual de adoração. O grande ego sentado em seu trono de vidro observava o ritual em sua homenagem. Os fiéis estavam de quatro, com suas nádegas viradas em direção ao grande ego, com suas mãos abrindo gentilmente as laterais de suas bundas, mostrando seus ânus para o grande deus. Cada pessoa soltava seus gases, todos se regozijavam compartilhando o odor íntimo de cada um; numa festa religiosa e escatológica sem precedentes. Todos peidavam felizes, entrando em transe espiritual com os odores internos que rodeava aquele local sagrado, o frenesi era visível, o êxtase gritava naquele recinto. Depois desse ritual inicial, os fiéis juntavam uma grande massa de muco, catarro e saliva em suas gargantas, traziam para a boca, erguiam suas cabeças para cima e cada um dos fiéis cuspia aquela massa amarela esverdeada e pegajosa, fazendo com que aquele bolo nojento voasse bem alto, acima de suas cabeças para logo em seguida, cair em suas próprias faces. Ao cair em suas faces, o catarro se espalhava por seus rostos felizes e realizados com tamanho ato sagrado, homenageando o sagrado ego. No meio do ritual, o grande ego esporrava em suas pernas o gozo de seu prazer divino, pois durante a celebração de seus fiéis, ele se masturbava observando todos ali no templo. Depois sua porra era recolhida para ser vendia aos fiéis em pequenos potes. Os fiéis levavam aquele esperma do grande ego, para se banhar em casa, ou para beber o líquido sagrado do seu grande deus numa tentativa de ter sorte e de alcançar algum milagre em suas vidas ínfimas.

Do outro lado, Rivotril caminhava naquele mundo escuro, por trás do espelho de sua casa, num mundo paralelo ao seu. Rivotril sentia um medo crescente em seu corpo, ao mesmo tempo uma sensação de um prazer estranho, como nunca antes havia sentido em sua vida precária e doente. Ele sentia medo e também uma sensação de esperança que pulsava em seu peito, renovando suas artérias há muito deteriorado em sua vida estúpida que ele levava do outro lado do espelho…

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