O aniversário de Julia - Flávio Assumpção
Flávio Assumpção
Eu escrevo desde 2007. Trabalho com contos de terror e ficção científica. Fui influenciado por Lautreamont, Marquês de Sade, Philip K. Dick, Robert Anton Wilson, Willian Burroughs, Augusto dos Anjos, Hakim Bey, Alan Moore, Clive Barker, entre outros. Quando não estou sob a influência dos demônios do caos, costumo trabalhar como psicólogo clínico na cidade de São Paulo.





O aniversário de Julia

– Diga minha filha, seu aniversário é dia dois de novembro, o que você vai querer de aniversário dessa vez?

– Pai, dessa vez eu quero morrer no meu aniversário.

– O que você está me dizendo? Você ficou maluca? Você só tem sete anos, não pode falar coisas desse tipo!

O pai de Júlia pensou que a filha estava com algum transtorno e que teria de levá-la em um psicólogo ou psiquiatra.

– É sério papai, quero ser morta no dia do meu aniversário por você e pela mamãe, do jeito que meu amigo Charlie disse que vocês teriam de fazer, assim ele fica feliz.

– Mas que merda você está me dizendo, quem é Charlie? Vou ter de falar com sua mãe que você está ficando maluca.

– Ele apareceu pra mim depois que eu fiz a brincadeira do lápis na escola, papai. Agora ele aparece pra mim dentro da minha lancheira, na minha mochila e embaixo da minha cama. Ele me disse que às vezes ele fica em suas costas, quando você está em cima da mamãe fazendo aqueles barulhos estranhos que vocês fazem de madrugada, quando vão dormir. Ele diz que gosta quando vocês fazem isso.

– Mas o que você está me dizendo Júlia?!? Quem diabos é Charlie? Você vai ficar de castigo, não quero mais saber de você falando disso aqui em casa.

– Por favor, papai! Charlie é real, eu preciso que vocês me matem em meu aniversário, senão ele vai ficar bravo com vocês! Por favor papai!

Logo eu poderei falar o nome real dele pra vocês, mas só se você realizar o que te pedi para o meu aniversário. Por Favor!

O pai de Júlia acabou se descontrolando e esbofeteando a pequena, logo após colocou ela de castigo em seu quarto.

Assim que chega o dia dois de novembro, o pai de Júlia sobe até o quarto da filha para lhe dar os parabéns. Ao abrir a porta do quarto, ele não a encontra lá dentro e as paredes estavam rabiscadas com o nome Belial em todos os cantos. E na porta do armário de Júlia estava escrito algo, que dizia : “Papai, estou no cemitério da rua de baixo, espero você e a mamãe para a minha festa de aniversário, não se atrasem!”

O pai e a mãe de Júlia correram desesperados para o cemitério. Ao chegarem lá, eles se deparam com uma cena horrível: A pequena Júlia brincava com seu ursinho de pelúcia ao lado de uma cova aberta, onde um cadáver em decomposição liberava um odor pútrido de carniça.

Júlia olhou para os pais e sorriu dizendo: “venham mamãe e papai, ele está chegando para a minha festa”.

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Flávio Assumpção
O aniversário de Julia

– Diga minha filha, seu aniversário é dia dois de novembro, o que você vai querer de aniversário dessa vez?

– Pai, dessa vez eu quero morrer no meu aniversário.

– O que você está me dizendo? Você ficou maluca? Você só tem sete anos, não pode falar coisas desse tipo!

O pai de Júlia pensou que a filha estava com algum transtorno e que teria de levá-la em um psicólogo ou psiquiatra.

– É sério papai, quero ser morta no dia do meu aniversário por você e pela mamãe, do jeito que meu amigo Charlie disse que vocês teriam de fazer, assim ele fica feliz.

– Mas que merda você está me dizendo, quem é Charlie? Vou ter de falar com sua mãe que você está ficando maluca.

– Ele apareceu pra mim depois que eu fiz a brincadeira do lápis na escola, papai. Agora ele aparece pra mim dentro da minha lancheira, na minha mochila e embaixo da minha cama. Ele me disse que às vezes ele fica em suas costas, quando você está em cima da mamãe fazendo aqueles barulhos estranhos que vocês fazem de madrugada, quando vão dormir. Ele diz que gosta quando vocês fazem isso.

– Mas o que você está me dizendo Júlia?!? Quem diabos é Charlie? Você vai ficar de castigo, não quero mais saber de você falando disso aqui em casa.

– Por favor, papai! Charlie é real, eu preciso que vocês me matem em meu aniversário, senão ele vai ficar bravo com vocês! Por favor papai!

Logo eu poderei falar o nome real dele pra vocês, mas só se você realizar o que te pedi para o meu aniversário. Por Favor!

O pai de Júlia acabou se descontrolando e esbofeteando a pequena, logo após colocou ela de castigo em seu quarto.

Assim que chega o dia dois de novembro, o pai de Júlia sobe até o quarto da filha para lhe dar os parabéns. Ao abrir a porta do quarto, ele não a encontra lá dentro e as paredes estavam rabiscadas com o nome Belial em todos os cantos. E na porta do armário de Júlia estava escrito algo, que dizia : “Papai, estou no cemitério da rua de baixo, espero você e a mamãe para a minha festa de aniversário, não se atrasem!”

O pai e a mãe de Júlia correram desesperados para o cemitério. Ao chegarem lá, eles se deparam com uma cena horrível: A pequena Júlia brincava com seu ursinho de pelúcia ao lado de uma cova aberta, onde um cadáver em decomposição liberava um odor pútrido de carniça.

Júlia olhou para os pais e sorriu dizendo: “venham mamãe e papai, ele está chegando para a minha festa”.

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