O dia das crianças - Flávio Assumpção
Flávio Assumpção
Eu escrevo desde 2007. Trabalho com contos de terror e ficção científica. Fui influenciado por Lautreamont, Marquês de Sade, Philip K. Dick, Robert Anton Wilson, Willian Burroughs, Augusto dos Anjos, Hakim Bey, Alan Moore, Clive Barker, entre outros. Quando não estou sob a influência dos demônios do caos, costumo trabalhar como psicólogo clínico na cidade de São Paulo.





O dia das crianças

Nos últimos 4 meses a situação só tem piorado. Em todos os cantos do planeta o caos tem se espalhado, não existe um vírus específico e nada que explique os terríveis fatos. Começou numa tarde em algum pais. Alguns imaginam que talvez tenha sido a televisão ou a internet outros dizem que a alimentação possa ter causado tudo isso. Teorias conspiratórias afirmam que é coisa do governo e tem ainda aqueles que dizem ser coisas do demônio, que Deus está nos fazendo pagar pelos nossos pecados. Ninguém conseguia explicar nada, o governo estava perdendo o controle da situação, a população mundial estava em pânico. A ciência se mostrava falha sobre o assunto, a medicina havia falido,os físicos não achavam a solução desse problema e filosofia alguma conseguia mostrar o caminho para sair daquela situação catastrófica para a humanidade.
Nesses últimos 4 meses todas as crianças com menos de 12 anos vieram a cometer suicídio em todos os cantos do mundo, sem nenhuma explicação e sem dizer palavra alguma. Elas apenas se suicidavam.
Em apenas quatro meses o mundo já estava sem criança alguma,sem suas vozes,suas risadas e brincadeiras cheias de vida. Sem a energia cativamente da infância,sem os olhares inocentes e sem a fantasia e a imaginação. Os sonhos humanos haviam terminado, a humanidade chegava ao seu fim. Restavam apenas os humanos frustrados,deprimidos,bêbados,viciados e os mesmos bons cidadãos de sempre. Nenhuma reza adiantava ,era o fim de todos. O tempo devorando a cada dia mais rápido o sopro de vida que ainda restava para aqueles últimos seres humanos. A esperança havia ido embora junto com a última criança suicida de terra. Estavam todos condenados.
Todas as lojas de roupas infantis haviam sido saqueadas todos queriam guardar uma lembrança de um mundo onde elas existiam. Centenas de fotos das crianças mortas estavam espalhadas pelas paredes ,muros e postes das cidades, esse apenas era um meio de manter a esperança de que tudo voltasse ao normal novamente. As lojas de brinquedos e as escolas haviam se tornado templos de orações onde os mais religiosos se reuniam para rezar e acender velas. Os que antes eram depressivos e suicidas agora queriam viver desesperadamente cada segundo que lhes restavam, pois perceberam que eram os últimos remanescentes da raça humana.
Os últimos bebês que se teve notícia se suicidaram no ventre de suas mães se enforcando em seus cordões umbilicais. Elas simplesmente não queriam nascer mais.

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Flávio Assumpção
O dia das crianças

Nos últimos 4 meses a situação só tem piorado. Em todos os cantos do planeta o caos tem se espalhado, não existe um vírus específico e nada que explique os terríveis fatos. Começou numa tarde em algum pais. Alguns imaginam que talvez tenha sido a televisão ou a internet outros dizem que a alimentação possa ter causado tudo isso. Teorias conspiratórias afirmam que é coisa do governo e tem ainda aqueles que dizem ser coisas do demônio, que Deus está nos fazendo pagar pelos nossos pecados. Ninguém conseguia explicar nada, o governo estava perdendo o controle da situação, a população mundial estava em pânico. A ciência se mostrava falha sobre o assunto, a medicina havia falido,os físicos não achavam a solução desse problema e filosofia alguma conseguia mostrar o caminho para sair daquela situação catastrófica para a humanidade.
Nesses últimos 4 meses todas as crianças com menos de 12 anos vieram a cometer suicídio em todos os cantos do mundo, sem nenhuma explicação e sem dizer palavra alguma. Elas apenas se suicidavam.
Em apenas quatro meses o mundo já estava sem criança alguma,sem suas vozes,suas risadas e brincadeiras cheias de vida. Sem a energia cativamente da infância,sem os olhares inocentes e sem a fantasia e a imaginação. Os sonhos humanos haviam terminado, a humanidade chegava ao seu fim. Restavam apenas os humanos frustrados,deprimidos,bêbados,viciados e os mesmos bons cidadãos de sempre. Nenhuma reza adiantava ,era o fim de todos. O tempo devorando a cada dia mais rápido o sopro de vida que ainda restava para aqueles últimos seres humanos. A esperança havia ido embora junto com a última criança suicida de terra. Estavam todos condenados.
Todas as lojas de roupas infantis haviam sido saqueadas todos queriam guardar uma lembrança de um mundo onde elas existiam. Centenas de fotos das crianças mortas estavam espalhadas pelas paredes ,muros e postes das cidades, esse apenas era um meio de manter a esperança de que tudo voltasse ao normal novamente. As lojas de brinquedos e as escolas haviam se tornado templos de orações onde os mais religiosos se reuniam para rezar e acender velas. Os que antes eram depressivos e suicidas agora queriam viver desesperadamente cada segundo que lhes restavam, pois perceberam que eram os últimos remanescentes da raça humana.
Os últimos bebês que se teve notícia se suicidaram no ventre de suas mães se enforcando em seus cordões umbilicais. Elas simplesmente não queriam nascer mais.

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