O grito dos emparedados - Flávio Assumpção
Flávio Assumpção
Eu escrevo desde 2007. Trabalho com contos de terror e ficção científica. Fui influenciado por Lautreamont, Marquês de Sade, Philip K. Dick, Robert Anton Wilson, Willian Burroughs, Augusto dos Anjos, Hakim Bey, Alan Moore, Clive Barker, entre outros. Quando não estou sob a influência dos demônios do caos, costumo trabalhar como psicólogo clínico na cidade de São Paulo.





O grito dos emparedados

Numa tarde qualquer do último outubro negro, numa rua qualquer, morava a família dos felizes. Eles moravam em uma bela casa de paredes pintadas com fezes e portas enfeitadas com os testículos dos homens da casa. O avô estava sentado no sofá da sala em estado de decomposição avançada, com moscas verdes saindo de sua boca feliz. O pequeno Nestor, o cãozinho da casa, fazia sexo com a perna do avô necrosado. As crianças menores brincavam de roleta russa no quintal, enquanto o pai estuprava sua filha adolescente de 13 anos, colocando seu membro doente naquele pequeno corpo frágil.

A mãe feliz amamentava o seu bebê de 35 anos na cozinha, segurando o pênis do filho com uma faca, de maneira doce e ameaçadora… Enquanto isso, a noiva grávida, de nove meses, que havia se enforcado nove vezes com o cordão umbilical dos seus nove filhos, que vão nascer daqui nove dias,quando ela completar noventa e nove anos de idade, olhou para mim, no portão da casa da família feliz, com lágrimas saindo de seus olhos de girino dizendo: “quando vamos aprender a morrer? quando vamos aprender a nascer?”.

Saindo daquela casa feliz, caminhando pela Rua Qualquer, olho para aquele lindo céu de azulejos vermelhos, feito pelo grande jesus ,um pedreiro esquizoide que adorava rodopiar de maneira infantil com sua caixinha de pregos ensanguentados.

E o surto psicótico começa …

Certo dia ouvi a história de um garoto que não dormia, pois vivia com medo de ter paralisias noturnas e ver criaturas horríveis durante as crises. Ele ouvia vozes dizendo coisas terríveis, ele via vultos disformes nos pés de sua cama. Ás vezes algumas criaturas até o seguravam, soltando baforadas pútridas em seu rosto durante suas paralisias noturnas. Palavras eram ditas em seus ouvidos, o calafrio subia em sua coluna, junto de uma ardência em seus rins. Até que numa noite de crise, o garoto resolveu atender ao chamado das criaturas sombrias. Hoje em dia você pode encontra-lo no canto de seu quarto, ou rondando sua cama, basta desejar uma crise de paralisia noturna…

Não atenda aquela voz na noite…

No exato momento que escrevo, um ser apodrecido toca meus ombros, massageando-os com suas mãos gélidas e em pedaços, dizendo boa noite, soprando em meus ouvidos a canção da noite… Gostaria de beija-la, mas não posso, pois ela não tem mais os lábios. Ela ergue seu vestido mofado, mostrando sua genitália pútrida, numa tentativa de me distrair com os prazeres carnais do dia e da noite, mas decido voltar para a minha jornada ao abismo, abismo que cavei com uma colher de madeira, em cima de uma ferida aberta em meu peito. Abismo negro que me olha de baixo, ardendo em meu tórax, lambendo minhas chagas, soprando o calor do sol para o horizonte escuro, onde dançam as velhas de pernas retorcidas em trajes pretos e sujos…

Páginas: 1 2 3 4 5 6 7 8

Flávio Assumpção
O grito dos emparedados

Numa tarde qualquer do último outubro negro, numa rua qualquer, morava a família dos felizes. Eles moravam em uma bela casa de paredes pintadas com fezes e portas enfeitadas com os testículos dos homens da casa. O avô estava sentado no sofá da sala em estado de decomposição avançada, com moscas verdes saindo de sua boca feliz. O pequeno Nestor, o cãozinho da casa, fazia sexo com a perna do avô necrosado. As crianças menores brincavam de roleta russa no quintal, enquanto o pai estuprava sua filha adolescente de 13 anos, colocando seu membro doente naquele pequeno corpo frágil.

A mãe feliz amamentava o seu bebê de 35 anos na cozinha, segurando o pênis do filho com uma faca, de maneira doce e ameaçadora… Enquanto isso, a noiva grávida, de nove meses, que havia se enforcado nove vezes com o cordão umbilical dos seus nove filhos, que vão nascer daqui nove dias,quando ela completar noventa e nove anos de idade, olhou para mim, no portão da casa da família feliz, com lágrimas saindo de seus olhos de girino dizendo: “quando vamos aprender a morrer? quando vamos aprender a nascer?”.

Saindo daquela casa feliz, caminhando pela Rua Qualquer, olho para aquele lindo céu de azulejos vermelhos, feito pelo grande jesus ,um pedreiro esquizoide que adorava rodopiar de maneira infantil com sua caixinha de pregos ensanguentados.

E o surto psicótico começa …

Certo dia ouvi a história de um garoto que não dormia, pois vivia com medo de ter paralisias noturnas e ver criaturas horríveis durante as crises. Ele ouvia vozes dizendo coisas terríveis, ele via vultos disformes nos pés de sua cama. Ás vezes algumas criaturas até o seguravam, soltando baforadas pútridas em seu rosto durante suas paralisias noturnas. Palavras eram ditas em seus ouvidos, o calafrio subia em sua coluna, junto de uma ardência em seus rins. Até que numa noite de crise, o garoto resolveu atender ao chamado das criaturas sombrias. Hoje em dia você pode encontra-lo no canto de seu quarto, ou rondando sua cama, basta desejar uma crise de paralisia noturna…

Não atenda aquela voz na noite…

No exato momento que escrevo, um ser apodrecido toca meus ombros, massageando-os com suas mãos gélidas e em pedaços, dizendo boa noite, soprando em meus ouvidos a canção da noite… Gostaria de beija-la, mas não posso, pois ela não tem mais os lábios. Ela ergue seu vestido mofado, mostrando sua genitália pútrida, numa tentativa de me distrair com os prazeres carnais do dia e da noite, mas decido voltar para a minha jornada ao abismo, abismo que cavei com uma colher de madeira, em cima de uma ferida aberta em meu peito. Abismo negro que me olha de baixo, ardendo em meu tórax, lambendo minhas chagas, soprando o calor do sol para o horizonte escuro, onde dançam as velhas de pernas retorcidas em trajes pretos e sujos…

Páginas: 1 2 3 4 5 6 7 8