Terror no mangue - Flávio Assumpção
Flávio Assumpção
Eu escrevo desde 2007. Trabalho com contos de terror e ficção científica. Fui influenciado por Lautreamont, Marquês de Sade, Philip K. Dick, Robert Anton Wilson, Willian Burroughs, Augusto dos Anjos, Hakim Bey, Alan Moore, Clive Barker, entre outros. Quando não estou sob a influência dos demônios do caos, costumo trabalhar como psicólogo clínico na cidade de São Paulo.





Terror no mangue

Lembro-me de quando eu entrei neste mangue para trabalhar como catador de caranguejos. Era daqui que eu tirava o meu sustento, toda a renda que eu obtinha com a venda dos caranguejos eu usava para alimentar minha família faminta. Infelizmente hoje em dia não posso mais vê-los de perto, não posso mais estar ao lado deles. Minha vida agora está restrita a este mangue onde vivo.

Quando adentrei pelas entranhas fétidas desse mangue pela primeira vez, o cheiro de lodo e carne pútrida se instalou em minhas narinas. Os urubus sobrevoavam este local de aspecto triste enegrecido pela lama, sua vegetação típica apresentava pequenas árvores de galhos retorcidos e folhas secas que comprometem a visão de quem se atrevesse a adentrar neste labirinto natural onde se perder é o mais comum de acontecer. Para aqueles que nunca entraram em um mangue o ambiente é extremamente hostil, onde caminhar é quase impossível, pois a lama irá engolir suas pernas, os galhos secos, raízes e espinhos que se encontram espalhados por todos os lados irão facilmente cortar sua pele nos braços, pernas e irão perfurar profundamente a sola de seus pés. Sem falar no calor excessivo, nas cobras que se arrastam sorrateiramente pelos galhos que são baixos pela vegetação típica do local,nos caranguejos que se escondem em suas tocas pelo chão lamacento mas que com suas pinças poderosas podem destruir suas articulações das mãos ou dilacerar seus dedos com a simples de pressão de um golpe. Realmente lhes digo que um mangue é para poucos que conhecem suas armadilhas naturais. Eu como trabalhei minha vida toda como catador de caranguejo já estava familiarizado com tudo, sabia como me virar no interior desses ambientes. Hoje me restam apenas lembranças do passado. Em minhas memórias vejo minha pequena casa de alvenaria com apenas um cômodo onde moravam eu,minha esposa e meus quatro filhos.
Consigo avistar a minha pequena residência daqui do mangue onde tenho que viver escondido,ela fica próxima daqui, consigo ver meus filhos crescerem e poso ver minha esposa cuidando de nossa família dia após dia. Infelizmente não posso falar com eles mais e nem me aproximar deles, vivo secretamente aqui e eles não sabem que eu estou vivo.

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Flávio Assumpção
Terror no mangue

Lembro-me de quando eu entrei neste mangue para trabalhar como catador de caranguejos. Era daqui que eu tirava o meu sustento, toda a renda que eu obtinha com a venda dos caranguejos eu usava para alimentar minha família faminta. Infelizmente hoje em dia não posso mais vê-los de perto, não posso mais estar ao lado deles. Minha vida agora está restrita a este mangue onde vivo.

Quando adentrei pelas entranhas fétidas desse mangue pela primeira vez, o cheiro de lodo e carne pútrida se instalou em minhas narinas. Os urubus sobrevoavam este local de aspecto triste enegrecido pela lama, sua vegetação típica apresentava pequenas árvores de galhos retorcidos e folhas secas que comprometem a visão de quem se atrevesse a adentrar neste labirinto natural onde se perder é o mais comum de acontecer. Para aqueles que nunca entraram em um mangue o ambiente é extremamente hostil, onde caminhar é quase impossível, pois a lama irá engolir suas pernas, os galhos secos, raízes e espinhos que se encontram espalhados por todos os lados irão facilmente cortar sua pele nos braços, pernas e irão perfurar profundamente a sola de seus pés. Sem falar no calor excessivo, nas cobras que se arrastam sorrateiramente pelos galhos que são baixos pela vegetação típica do local,nos caranguejos que se escondem em suas tocas pelo chão lamacento mas que com suas pinças poderosas podem destruir suas articulações das mãos ou dilacerar seus dedos com a simples de pressão de um golpe. Realmente lhes digo que um mangue é para poucos que conhecem suas armadilhas naturais. Eu como trabalhei minha vida toda como catador de caranguejo já estava familiarizado com tudo, sabia como me virar no interior desses ambientes. Hoje me restam apenas lembranças do passado. Em minhas memórias vejo minha pequena casa de alvenaria com apenas um cômodo onde moravam eu,minha esposa e meus quatro filhos.
Consigo avistar a minha pequena residência daqui do mangue onde tenho que viver escondido,ela fica próxima daqui, consigo ver meus filhos crescerem e poso ver minha esposa cuidando de nossa família dia após dia. Infelizmente não posso falar com eles mais e nem me aproximar deles, vivo secretamente aqui e eles não sabem que eu estou vivo.

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