Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Flávio Assumpção
Eu escrevo desde 2007. Trabalho com contos de terror e ficção científica. Fui influenciado por Lautreamont, Marquês de Sade, Philip K. Dick, Robert Anton Wilson, Willian Burroughs, Augusto dos Anjos, Hakim Bey, Alan Moore, Clive Barker, entre outros. Quando não estou sob a influência dos demônios do caos, costumo trabalhar como psicólogo clínico na cidade de São Paulo.





Terrorismo poético
Sentado com o meu cu no formigueiro, sinto rasgar a pele do meu períneo e do meu escroto; tiro uma velha navalha de meu bolso. Tenho muita dificuldade para cortar os pulsos, pois a navalha está cega e enferrujada. É doloroso e duro chegar até a carne; tendões e nervos se arrebentam e estalam.
Meu sangue jorra pelo chão alimentando a terra úmida e podre, onde crescem as plantas carnívoras que se devoram. O sol bate na minha carne aberta, o sangue espirra, fazendo-o brilhar de maneira escarlate e alegre. De dentro das minhas veias, vejo um sorriso em meio ao sangue e a carne pendurada sobre o meu braço, vejo um sorriso negro do cancro que cresce em mim… Tento escrever um poema final, usando como tinta o meu próprio sangue.
Na minha frente, um velho de 13 anos me observa e canta a seguinte canção:

“Passos lentos

Ossos fracos

Sem dentes na boca

Os cabelos se foram e os poucos que restaram estão brancos

Já não decido mais quando vou defecar

Minha urina escorre pelas minhas calças

Meu corpo é frio como um necrotério

Minhas vestimentas mais gloriosas são minhas fraldas geriátricas

Meu coração se arrasta em meu peito

Meus amigos se foram, nem os rostos ficaram em minha memória

Meu amor jaz num terreno baldio…

Meu nome é… Você”

Assim o velho cantava sua música de hálito podre, com seus testículos à mostra, repleto de chagas leprosas negras…

Ontem fiz as pazes com o abutre que vem todas as manhãs devorar meu olho esquerdo. Disse a ele: “Bom dia velho amigo, como vai devorar meu olho hoje?”

Suas asas negras sobrevoaram por cima de minha cabeça, até que o sol mostrar sua face escondida por detrás das montanhas azuis, onde vivem meus sonhos e onde morrem meus sonhos. De lá que vem a mais linda música flutuando com o orvalho do amanhecer, os raios solares que aquecem a pele da linda moça que vive no lago, que chora lágrimas de sangue pelo seu amado que nunca chega…

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Flávio Assumpção
Terrorismo poético
Sentado com o meu cu no formigueiro, sinto rasgar a pele do meu períneo e do meu escroto; tiro uma velha navalha de meu bolso. Tenho muita dificuldade para cortar os pulsos, pois a navalha está cega e enferrujada. É doloroso e duro chegar até a carne; tendões e nervos se arrebentam e estalam.
Meu sangue jorra pelo chão alimentando a terra úmida e podre, onde crescem as plantas carnívoras que se devoram. O sol bate na minha carne aberta, o sangue espirra, fazendo-o brilhar de maneira escarlate e alegre. De dentro das minhas veias, vejo um sorriso em meio ao sangue e a carne pendurada sobre o meu braço, vejo um sorriso negro do cancro que cresce em mim… Tento escrever um poema final, usando como tinta o meu próprio sangue.
Na minha frente, um velho de 13 anos me observa e canta a seguinte canção:

“Passos lentos

Ossos fracos

Sem dentes na boca

Os cabelos se foram e os poucos que restaram estão brancos

Já não decido mais quando vou defecar

Minha urina escorre pelas minhas calças

Meu corpo é frio como um necrotério

Minhas vestimentas mais gloriosas são minhas fraldas geriátricas

Meu coração se arrasta em meu peito

Meus amigos se foram, nem os rostos ficaram em minha memória

Meu amor jaz num terreno baldio…

Meu nome é… Você”

Assim o velho cantava sua música de hálito podre, com seus testículos à mostra, repleto de chagas leprosas negras…

Ontem fiz as pazes com o abutre que vem todas as manhãs devorar meu olho esquerdo. Disse a ele: “Bom dia velho amigo, como vai devorar meu olho hoje?”

Suas asas negras sobrevoaram por cima de minha cabeça, até que o sol mostrar sua face escondida por detrás das montanhas azuis, onde vivem meus sonhos e onde morrem meus sonhos. De lá que vem a mais linda música flutuando com o orvalho do amanhecer, os raios solares que aquecem a pele da linda moça que vive no lago, que chora lágrimas de sangue pelo seu amado que nunca chega…

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