O Maravilhoso Destino de Maldito - George Au Costa
George Au Costa
George Au Costa nasceu e reside em Porto Alegre, RS.
Persona non grata para alguns, utiliza sua arte desde 2013 como resposta para tudo.
Vive transitando entre Cinema, escrita e fotografia, suas maiores paixões.
Em suas malditas trindades, estão Stephen King, Edgar Allan Poe e H.P. Lovecraft; Quentin Tarantino, Stanley Kubrick e Woody Allen; Annie Leibovitz, Vivian Maier e Andy Warhol.
Atualmente, vem publicando textos em coletâneas, sites e em suas redes sociais, onde pode ser encontrado como @georgeaucosta.





O Maravilhoso Destino de Maldito

       A solitária árvore que ficava exatamente no centro da praça esbanjava folhas verdes e galhos fortes; suficientes para aguentar o peso de um homem desprovido de gordura como Maldito era. Como se para provar isso, os dois homens chegaram e agarraram Maldito como se agarrassem um animal indefeso. Um deles jogou a ponta de uma corda por um dos galhos enquanto a outra ponta era enrolada quase que com delicadeza no pescoço de Maldito. Pelo menos duas senhoras que passavam pela praça exatamente no momento que Maldito era erguido do chão olharam calmamente a cena enquanto seguiam seus caminhos. Na cabeça das duas, o que acontecia ali era um momento de equidade, logo, estava tudo certo.

       Assim como os pés de Maldito deixavam o chão, o ar de seus pulmões extinguiam-se rapidamente. Pelo menos três palmos separavam a terra de Maldito; os dois homens quase não faziam força para levantar o homem que excomungavam sempre que o viam. Por mais que o peito de Maldito queimasse pela falta de oxigênio, ele mal movimentava-se. Encarava seus dois carrascos com um quase sorriso no rosto, como se estivesse feliz com seu eminente destino. E na verdade, estava. Na cabeça vaga de Maldito, um pensamento surgiu como uma colorida pincelada em uma tela branca: gostaria de poder agradecer aos dois rapazes.

 

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George Au Costa
O Maravilhoso Destino de Maldito

       A solitária árvore que ficava exatamente no centro da praça esbanjava folhas verdes e galhos fortes; suficientes para aguentar o peso de um homem desprovido de gordura como Maldito era. Como se para provar isso, os dois homens chegaram e agarraram Maldito como se agarrassem um animal indefeso. Um deles jogou a ponta de uma corda por um dos galhos enquanto a outra ponta era enrolada quase que com delicadeza no pescoço de Maldito. Pelo menos duas senhoras que passavam pela praça exatamente no momento que Maldito era erguido do chão olharam calmamente a cena enquanto seguiam seus caminhos. Na cabeça das duas, o que acontecia ali era um momento de equidade, logo, estava tudo certo.

       Assim como os pés de Maldito deixavam o chão, o ar de seus pulmões extinguiam-se rapidamente. Pelo menos três palmos separavam a terra de Maldito; os dois homens quase não faziam força para levantar o homem que excomungavam sempre que o viam. Por mais que o peito de Maldito queimasse pela falta de oxigênio, ele mal movimentava-se. Encarava seus dois carrascos com um quase sorriso no rosto, como se estivesse feliz com seu eminente destino. E na verdade, estava. Na cabeça vaga de Maldito, um pensamento surgiu como uma colorida pincelada em uma tela branca: gostaria de poder agradecer aos dois rapazes.

 

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