Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Gerson Machado De Avillez
Vendedor de ideias e traficante de placebos. Fotógrafo e homem da prática de letras nas horas vagas, teólogo e pedagogo por formação, filósofo autodidata e por vocação. Descendente direto do Tenente-General Jorge Avillez, portador da Síndrome de Aspeger, trabalhou em eventos culturais nas Lonas Culturais no Rio (2002) onde produziu e fotografou, tendo fotos publicadas em jornais do Rio de Janeiro. Posteriormente trabalhou na Rede Globo como fiscal de figuração pela agência MMCDI especialmente na novela Avenida Brasil (2012). Membro votante do Plano Estadual do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas do Rio de Janeiro, membro número 1017 do CLFC (Clube de Leitores de Ficção Científica) e da Sal (Sociedade de Artes de São Gonçalo), tendo escrito artigos para a Revista Somnium, teve contos selecionados e publicados na Revista Litera, Primeiro Capítulo e é autor de destaque da Obvious Mag. Finalista de diversos concursos literários, tem 21 livros escritos e dois publicados, 'Adormecidos' (2011 - Ryoki Produções) e 'Síndrome Celestial' (2013 - Editora Multifoco).
E-mail: gersonavillez46@hotmail.com
Site: gersonavillez.jimdo.com





Armadilha dos Sonhos

Inicialmente não houve quaisquer resultados aprazíveis em minha engendrada busca virtual, todavia ao entrevistar o proprietário do Hotel Esperança tomei notas de que o dono anterior havia vendido a casa após seu filho João Abraão desaparecer misteriosamente. Ao indagar sobre possíveis fotos ou descrições do mesmo me foi negado, pois este fato teria ocorrido em longínquos 25 anos atrás. Os pais teriam vendido o hotel em 1996 por acreditavam que o garoto havia morrido.
Perplexo, tomei nota do novo fato e os joguei no computador quando vi uma nota virtual no acervo digital de um site de um jornal local, num distante ano de 1987. A nota mostrava os relatos dos ditos antigos proprietários onde clamavam por ajuda da população pela procura de um menino de 7 anos chamado João Abraão que desapareceu nas circunstâncias por eles relatadas, durante a madrugada após o menino relatar por vários dias estranhos sonhos. Ao ver uma foto antiga do jovem menino notei que impressionante os detalhas dados pelos sonhadores batiam com regular precisão.

Recostei-me a pensar intensamente sobre isso, eram 2:46 da madrugada do dia 28 de fevereiro de 2012 e então adormeci sem me dar conta deixando até mesmo meu laptop ligado. O que me ocorreu fora então um dos mais impressionantes sonhos lúcidos ao ter tomado por um estupor sonífero surpreendentemente intenso de modo a, curiosamente, impedir o meu despertar inexorável ainda que aparentemente ciente disto, num paradoxo.

Tão logo me sobreveio imagens inicialmente desconexas assim que apaguei, mas tão logo as imagens ganharam sentido e conotação linear quando tive a impressão de ver aquele mesmo lugar emergir nas imagens por uma nitidez limitada por algum tipo de névoa indescritível. Logo, como quem estivesse desperto dirigi-me a porta e a abri revelando uma escuridão sombriamente maldosa até que as luzes de algum veículo as cortassem, era um ônibus que surgia como quase um convite a ser adentrado e seguir, doravante, a desvelar seus mistérios.

Porém, naquele momento ouvi uma voz como que ecoasse num túnel. Ao virar-me vi então o mesmo menino da foto de 25 anos atrás me fintando diretamente nos olhos de modo a lançar-me numa sensação de arrepio. Não consegui manter o olhar fixo tomado por um medo sombrio que me empalideceu mesmo estando no leito do sono tenebroso. Mas o menino irrompeu o silêncio novamente me dizendo.

— Pegue o ônibus moço, ele levará o senhor ao além da realidade, uma terra entre os sonhos e o real. Um lugar que não existe no nosso mundo. Me salve, estou preso aqui.

— Como posso pegar um ônibus que não existe?

— Ele passará amanhã de madrugada as 3 horas. Mas passará apenas amanhã…

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Gerson Machado De Avillez
Armadilha dos Sonhos

Inicialmente não houve quaisquer resultados aprazíveis em minha engendrada busca virtual, todavia ao entrevistar o proprietário do Hotel Esperança tomei notas de que o dono anterior havia vendido a casa após seu filho João Abraão desaparecer misteriosamente. Ao indagar sobre possíveis fotos ou descrições do mesmo me foi negado, pois este fato teria ocorrido em longínquos 25 anos atrás. Os pais teriam vendido o hotel em 1996 por acreditavam que o garoto havia morrido.
Perplexo, tomei nota do novo fato e os joguei no computador quando vi uma nota virtual no acervo digital de um site de um jornal local, num distante ano de 1987. A nota mostrava os relatos dos ditos antigos proprietários onde clamavam por ajuda da população pela procura de um menino de 7 anos chamado João Abraão que desapareceu nas circunstâncias por eles relatadas, durante a madrugada após o menino relatar por vários dias estranhos sonhos. Ao ver uma foto antiga do jovem menino notei que impressionante os detalhas dados pelos sonhadores batiam com regular precisão.

Recostei-me a pensar intensamente sobre isso, eram 2:46 da madrugada do dia 28 de fevereiro de 2012 e então adormeci sem me dar conta deixando até mesmo meu laptop ligado. O que me ocorreu fora então um dos mais impressionantes sonhos lúcidos ao ter tomado por um estupor sonífero surpreendentemente intenso de modo a, curiosamente, impedir o meu despertar inexorável ainda que aparentemente ciente disto, num paradoxo.

Tão logo me sobreveio imagens inicialmente desconexas assim que apaguei, mas tão logo as imagens ganharam sentido e conotação linear quando tive a impressão de ver aquele mesmo lugar emergir nas imagens por uma nitidez limitada por algum tipo de névoa indescritível. Logo, como quem estivesse desperto dirigi-me a porta e a abri revelando uma escuridão sombriamente maldosa até que as luzes de algum veículo as cortassem, era um ônibus que surgia como quase um convite a ser adentrado e seguir, doravante, a desvelar seus mistérios.

Porém, naquele momento ouvi uma voz como que ecoasse num túnel. Ao virar-me vi então o mesmo menino da foto de 25 anos atrás me fintando diretamente nos olhos de modo a lançar-me numa sensação de arrepio. Não consegui manter o olhar fixo tomado por um medo sombrio que me empalideceu mesmo estando no leito do sono tenebroso. Mas o menino irrompeu o silêncio novamente me dizendo.

— Pegue o ônibus moço, ele levará o senhor ao além da realidade, uma terra entre os sonhos e o real. Um lugar que não existe no nosso mundo. Me salve, estou preso aqui.

— Como posso pegar um ônibus que não existe?

— Ele passará amanhã de madrugada as 3 horas. Mas passará apenas amanhã…

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