Dinheiro Maldito - Gerson Machado De Avillez
Gerson Machado De Avillez
Vendedor de ideias e traficante de placebos. Fotógrafo e homem da prática de letras nas horas vagas, teólogo e pedagogo por formação, filósofo autodidata e por vocação. Descendente direto do Tenente-General Jorge Avillez, portador da Síndrome de Aspeger, trabalhou em eventos culturais nas Lonas Culturais no Rio (2002) onde produziu e fotografou, tendo fotos publicadas em jornais do Rio de Janeiro. Posteriormente trabalhou na Rede Globo como fiscal de figuração pela agência MMCDI especialmente na novela Avenida Brasil (2012). Membro votante do Plano Estadual do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas do Rio de Janeiro, membro número 1017 do CLFC (Clube de Leitores de Ficção Científica) e da Sal (Sociedade de Artes de São Gonçalo), tendo escrito artigos para a Revista Somnium, teve contos selecionados e publicados na Revista Litera, Primeiro Capítulo e é autor de destaque da Obvious Mag. Finalista de diversos concursos literários, tem 21 livros escritos e dois publicados, 'Adormecidos' (2011 - Ryoki Produções) e 'Síndrome Celestial' (2013 - Editora Multifoco).
E-mail: gersonavillez46@hotmail.com
Site: gersonavillez.jimdo.com





Dinheiro Maldito

Poderia ser apenas 50,00 reais, longe do valor módico dispersado por aquela quadrilha que em conluio com funcionários roubaram por aquela empreiteira através de projetos superfaturados para o governo. Mas achar o montante total em notas marcadas que foram repassadas à políticos seria quase impossível de se localizar. Uma fraude para se apropriar de outra. O dinheiro é uma coisa essencialmente suja, em todos os sentidos.

Cerca de 90% das notas de real apresentam traços de cocaína, sem contar de outras impurezas que incluem até mesmo coliformes fecais, mas de moeda de troca se tornou objetivo num capitalismo feroz. Sabe-se lá por onde passa o dinheiro, mas mesmo o lendário ‘Garganta Profunda’ do caso Waltergate nos EUA do século XXI disse que se quisesse descobrir a verdade, seguissem o dinheiro.

Assim fazíamos na operação Lava Jato em mais um caso correlato com outros políticos de todas matizes, partidos e lados. Inicialmente a verificação de números de série ocorriam em bancos, mas tão logo fomos capazes de rastrear a próprio custo números de série.

Inicialmente a primeira pista veio de uma nota de 50,00 reais encontrada por acaso na casa de uma senhora morta em circunstâncias misteriosas. Descobrir de quem a senhora pegou, e dessa pessoa quem pegou, seguindo a linearidade inversa, poderíamos chegar até o ponto de origem. Mas para isso um trabalho de investigação por entrevistas e interrogatório se fazia necessário para se cruzar dados.

Todavia uma carta encontrada no local da morte da senhora nos chamou peculiar atenção. Nela dizia:

“Esse dinheiro é maldito! Desde quando meu neto o achou largado na rua 10, enfrente aquela mansão abandonada repleta de drogados a minha vida desabou. Agora entendo por qual motivo os próprios delinquentes a abandonaram na rua. Esse dinheiro, seja qual for a procedência é maldito, não apenas sujo. Mas essa maldita nota penetra meus sonhos e parece-me fazer enlouquecer enquanto somos assombrados por algo negativo que converge a tudo dar errado. Não aguento mais, vou desfazer dessa nota o quanto antes, antes que…”

O bilhete misterioso fora interrompido subitamente ali. A senhora caída ao chão fintando o vazio com seus olhos sem vida ainda segurava a caneta, estava com a língua roxa e inchada. A retina de seus olhos se deslocaram e momentos antes da morte parecia ter liberado muita adrenalina. Fosse o que fosse a apavorou de sobremaneira que fez a velha enfartar. Seguimos até o dito lugar que era refúgio de drogados que viviam à míngua como zumbis para que os grandes bandidos produtores disso ostentassem uma vida de luxo, grandes boçais! Mas mal sabia onde aquele dinheiro me levaria… A seguir a história da nota.

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Gerson Machado De Avillez
Dinheiro Maldito

Poderia ser apenas 50,00 reais, longe do valor módico dispersado por aquela quadrilha que em conluio com funcionários roubaram por aquela empreiteira através de projetos superfaturados para o governo. Mas achar o montante total em notas marcadas que foram repassadas à políticos seria quase impossível de se localizar. Uma fraude para se apropriar de outra. O dinheiro é uma coisa essencialmente suja, em todos os sentidos.

Cerca de 90% das notas de real apresentam traços de cocaína, sem contar de outras impurezas que incluem até mesmo coliformes fecais, mas de moeda de troca se tornou objetivo num capitalismo feroz. Sabe-se lá por onde passa o dinheiro, mas mesmo o lendário ‘Garganta Profunda’ do caso Waltergate nos EUA do século XXI disse que se quisesse descobrir a verdade, seguissem o dinheiro.

Assim fazíamos na operação Lava Jato em mais um caso correlato com outros políticos de todas matizes, partidos e lados. Inicialmente a verificação de números de série ocorriam em bancos, mas tão logo fomos capazes de rastrear a próprio custo números de série.

Inicialmente a primeira pista veio de uma nota de 50,00 reais encontrada por acaso na casa de uma senhora morta em circunstâncias misteriosas. Descobrir de quem a senhora pegou, e dessa pessoa quem pegou, seguindo a linearidade inversa, poderíamos chegar até o ponto de origem. Mas para isso um trabalho de investigação por entrevistas e interrogatório se fazia necessário para se cruzar dados.

Todavia uma carta encontrada no local da morte da senhora nos chamou peculiar atenção. Nela dizia:

“Esse dinheiro é maldito! Desde quando meu neto o achou largado na rua 10, enfrente aquela mansão abandonada repleta de drogados a minha vida desabou. Agora entendo por qual motivo os próprios delinquentes a abandonaram na rua. Esse dinheiro, seja qual for a procedência é maldito, não apenas sujo. Mas essa maldita nota penetra meus sonhos e parece-me fazer enlouquecer enquanto somos assombrados por algo negativo que converge a tudo dar errado. Não aguento mais, vou desfazer dessa nota o quanto antes, antes que…”

O bilhete misterioso fora interrompido subitamente ali. A senhora caída ao chão fintando o vazio com seus olhos sem vida ainda segurava a caneta, estava com a língua roxa e inchada. A retina de seus olhos se deslocaram e momentos antes da morte parecia ter liberado muita adrenalina. Fosse o que fosse a apavorou de sobremaneira que fez a velha enfartar. Seguimos até o dito lugar que era refúgio de drogados que viviam à míngua como zumbis para que os grandes bandidos produtores disso ostentassem uma vida de luxo, grandes boçais! Mas mal sabia onde aquele dinheiro me levaria… A seguir a história da nota.

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