Homo Omni - Gerson Machado De Avillez
Gerson Machado De Avillez
Fotógrafo, autor nas horas vagas, teólogo, filósofo e pedagogo por formação. Portador da Síndrome de Aspeger com superdotação (Qi 163), trabalhou em eventos culturais nas Lonas Culturais no Rio (2002) onde produziu e fotografou, com fotos publicadas em jornais cariocas. Posteriormente trabalhou na Globo como fiscal de figuração pela agência MMCDI na novela Avenida Brasil (2012). Membro votante do Plano Estadual do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas do Rio de Janeiro, membro número 1017 do CLFC (Clube de Leitores de Ficção Científica), UBE (União Brasileira de Escritores) e da Sal (Sociedade de Artes de São Gonçalo), escreveu artigos para a Revista Somnium, teve contos selecionados e publicados na Revista Litera, site Maldohorror, Arte do Terror, Mirage, Primeiro Capítulo, Conexão Literatura, Creepypasta Brasil assim como autor da semana com artigos de destaque na Obvious Mag. Finalista de diversos concursos literários, tendo os contos 'O Poço' (2017) e 'Inominável do Além' (2018) selecionado como um dos melhores de seus respectivos anos pela revisa Litera Livre. Tem 25 livros escritos e dois publicados, 'Adormecidos' (2011 - Ryoki Produções) e 'Síndrome Celestial' (2013 - Ed. Multifoco).

E-mail: gersonavillez46@hotmail.com
Site: gersonavillez.jimdo.com





Homo Omni

Acreditava que meus vívidos surtos de delírios dissociativos da realidade fossem apenas um caso crônico de psicose. Sem saber bem o motivo o qual não lembrava exatamente a razão de minha amnésia e ter ido parar ali, os efeitos dos surtos foram aumentando gradualmente até chegar a um nível de delírio que tornou necessário tais medidas.

          Enquanto comecei a escrever isso num momento de lucidez que logo fora sucedido por uma sequência de imagens que pareciam afetar o meu campo perceptivo da visão e culminou em mulheres que outrora amava vir ter comigo. Era como se as alucinações fossem orientadas por desejos, vontades ou mesmos sentimentos ao ser tomado por um turbilhão de sensações decorrentes ante a intensidade que rivalizava mesmo com o mais impactante sonho. A doutora então adentrou o lugar e dirigiu-se até mim ao notar minha condição.

          — Chamem a enfermeira para me ajudar, ele está tendo mais um surto de projeção de pensamentos! — Vociferou ela enquanto segurava-me até ser amarrado no leito. — Fique tranquilo estamos aqui para ajudar, estamos desenvolvendo a droga para diminuir a intensidade dos surtos ao menos.

          As imagens que me sobrevinham agora eram aterradoras, monstros e outras criaturas de meus mais profundos e íntimos sonhos de modo que gradualmente o mundo real a volta parecia ser afetado com reações dos médicos presentes.

          — Precisamos que você se foque em algo agradável! Pense em algo bom, nas mulheres que você amava! — Vociferou novamente a doutora Sophia Aurea ao me fitar nos olhos. — Na sua mente você é o deus, você controla sem mundo interior!

          — Está fugindo ao controle, doutora! — Resmungou um enfermeiro de quase dois metros de altura, mas que parecia de alguma forma temoroso ante aquilo.

          O homem me segurou e aplicou uma injeção quando vociferei.

          — Eles vão te pegar! O monstro de três braços atrás de você!

          O homem se supetão saltou para trás se esquivando quando a doutora disse para mim.

          — É tudo coisa de sua cabeça! Não existe monstro algum! Pense nisso!

          O enfermeiro então num golpe me empurrou com força contra o leito e aplicou novamente uma injeção do estilo mata leão e tudo desapareceu ante mim.

Páginas: 1 2 3 4

Acreditava que meus vívidos surtos de delírios dissociativos da realidade fossem apenas um caso crônico de psicose. Sem saber bem o motivo o qual não lembrava exatamente a razão de minha amnésia e ter ido parar ali, os efeitos dos surtos foram aumentando gradualmente até chegar a um nível de delírio que tornou necessário tais medidas.

          Enquanto comecei a escrever isso num momento de lucidez que logo fora sucedido por uma sequência de imagens que pareciam afetar o meu campo perceptivo da visão e culminou em mulheres que outrora amava vir ter comigo. Era como se as alucinações fossem orientadas por desejos, vontades ou mesmos sentimentos ao ser tomado por um turbilhão de sensações decorrentes ante a intensidade que rivalizava mesmo com o mais impactante sonho. A doutora então adentrou o lugar e dirigiu-se até mim ao notar minha condição.

          — Chamem a enfermeira para me ajudar, ele está tendo mais um surto de projeção de pensamentos! — Vociferou ela enquanto segurava-me até ser amarrado no leito. — Fique tranquilo estamos aqui para ajudar, estamos desenvolvendo a droga para diminuir a intensidade dos surtos ao menos.

          As imagens que me sobrevinham agora eram aterradoras, monstros e outras criaturas de meus mais profundos e íntimos sonhos de modo que gradualmente o mundo real a volta parecia ser afetado com reações dos médicos presentes.

          — Precisamos que você se foque em algo agradável! Pense em algo bom, nas mulheres que você amava! — Vociferou novamente a doutora Sophia Aurea ao me fitar nos olhos. — Na sua mente você é o deus, você controla sem mundo interior!

          — Está fugindo ao controle, doutora! — Resmungou um enfermeiro de quase dois metros de altura, mas que parecia de alguma forma temoroso ante aquilo.

          O homem me segurou e aplicou uma injeção quando vociferei.

          — Eles vão te pegar! O monstro de três braços atrás de você!

          O homem se supetão saltou para trás se esquivando quando a doutora disse para mim.

          — É tudo coisa de sua cabeça! Não existe monstro algum! Pense nisso!

          O enfermeiro então num golpe me empurrou com força contra o leito e aplicou novamente uma injeção do estilo mata leão e tudo desapareceu ante mim.

Páginas: 1 2 3 4