Necroína- Parte 03 - Gerson Machado De Avillez
Gerson Machado De Avillez
Fotógrafo, autor nas horas vagas, teólogo, filósofo e pedagogo por formação. Portador da Síndrome de Aspeger com superdotação (Qi 163), trabalhou em eventos culturais nas Lonas Culturais no Rio (2002) onde produziu e fotografou, com fotos publicadas em jornais cariocas. Posteriormente trabalhou na Globo como fiscal de figuração pela agência MMCDI na novela Avenida Brasil (2012). Membro votante do Plano Estadual do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas do Rio de Janeiro, membro número 1017 do CLFC (Clube de Leitores de Ficção Científica), UBE (União Brasileira de Escritores) e da Sal (Sociedade de Artes de São Gonçalo), escreveu artigos para a Revista Somnium, teve contos selecionados e publicados na Revista Litera, site Maldohorror, Arte do Terror, Mirage, Primeiro Capítulo, Conexão Literatura, Creepypasta Brasil assim como autor da semana com artigos de destaque na Obvious Mag. Finalista de diversos concursos literários, tendo os contos 'O Poço' (2017) e 'Inominável do Além' (2018) selecionado como um dos melhores de seus respectivos anos pela revisa Litera Livre. Tem 25 livros escritos e dois publicados, 'Adormecidos' (2011 - Ryoki Produções) e 'Síndrome Celestial' (2013 - Ed. Multifoco).

E-mail: gersonavillez46@hotmail.com
Site: gersonavillez.jimdo.com





Necroína- Parte 03

Despertei na cama ruborizado. Embebido no meu suor ergui-me como de um pesadelo indagando Roberta sobre gritos supostamente ouvidos. Calmamente, Roberta riu e me perguntou.

            — Pare de bobagens, são comuns relatos de sonhos antes da projeção. Diga-me que carta você viu no baralho.

            — As de copas. — Respondi secamente levando ela dar um sorriso luminoso. — Mas você também trocou de roupa durante o sono colocando um top azul.

            — Muito bem, passou o efeito e agora será a minha vez! Incrível isto!

            — Espere! — Vociferei com ela ainda nervoso. — Vi um crime! Um estupro enquanto estava fora de meu corpo!

            — Não diga isto… — Completou ela sorrindo como se eu mentisse para ela, mas naquele instante os sons de sirenes irromperam o silêncio noturno exterior vindo parar com suas luzes oscilantes entre azul e vermelho no terreno baldio.

            Roberta engoliu seco ao perceber que aquele lugar havia se tornado uma cena de crime. Saímos da casa dela e presenciamos a verdade, uma mulher não somente havia sido violentada como morta por pervertidos sexuais. Não se fazia a menor ideia de como mencionar a polícia um crime ao qual a única testemunha havia sido uma ‘consciência flutuante’.

            — Muito bem, você me dirá como eram esses homens! — Indagou ela perplexa com o ocorrido, afinal a jovem morta era uma vizinha amiga do colegial de Roberta.

            Pensava que aqueles homens talvez estivessem sob efeito de uma outra droga agora ilícita, a cromoína, que aumentava exponencialmente a libido tornando as imagens percebidas multicoloridas e fantasiadas. Essa droga terrível havia levado até mesmo um homem ser estuprado porque seus perpetradores algozes o viam como uma linda loira que rebolava ainda que fosse calvo e de barba.  Os usuários dessa perigosa droga tinham invertido as polaridades – inclusive morais – de sua personalidade e num estado semelhante de loucura matava, agredia ou estuprava pessoas apenas por serem honestas e íntegras, ou meramente talentosas. Sua proibição fora justa e inquestionável. Aquela arriscada e venenosa droga criava danos cerebrais que gradualmente transformava seus usuários em psicopatas ao obscurecer a empatia tão necessária para que se colocassem no lugar de suas vítimas. Tudo que é certo é verdadeiro, mas nem tudo que é verdadeiro é certo.

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Gerson Machado De Avillez
Necroína- Parte 03

Despertei na cama ruborizado. Embebido no meu suor ergui-me como de um pesadelo indagando Roberta sobre gritos supostamente ouvidos. Calmamente, Roberta riu e me perguntou.

            — Pare de bobagens, são comuns relatos de sonhos antes da projeção. Diga-me que carta você viu no baralho.

            — As de copas. — Respondi secamente levando ela dar um sorriso luminoso. — Mas você também trocou de roupa durante o sono colocando um top azul.

            — Muito bem, passou o efeito e agora será a minha vez! Incrível isto!

            — Espere! — Vociferei com ela ainda nervoso. — Vi um crime! Um estupro enquanto estava fora de meu corpo!

            — Não diga isto… — Completou ela sorrindo como se eu mentisse para ela, mas naquele instante os sons de sirenes irromperam o silêncio noturno exterior vindo parar com suas luzes oscilantes entre azul e vermelho no terreno baldio.

            Roberta engoliu seco ao perceber que aquele lugar havia se tornado uma cena de crime. Saímos da casa dela e presenciamos a verdade, uma mulher não somente havia sido violentada como morta por pervertidos sexuais. Não se fazia a menor ideia de como mencionar a polícia um crime ao qual a única testemunha havia sido uma ‘consciência flutuante’.

            — Muito bem, você me dirá como eram esses homens! — Indagou ela perplexa com o ocorrido, afinal a jovem morta era uma vizinha amiga do colegial de Roberta.

            Pensava que aqueles homens talvez estivessem sob efeito de uma outra droga agora ilícita, a cromoína, que aumentava exponencialmente a libido tornando as imagens percebidas multicoloridas e fantasiadas. Essa droga terrível havia levado até mesmo um homem ser estuprado porque seus perpetradores algozes o viam como uma linda loira que rebolava ainda que fosse calvo e de barba.  Os usuários dessa perigosa droga tinham invertido as polaridades – inclusive morais – de sua personalidade e num estado semelhante de loucura matava, agredia ou estuprava pessoas apenas por serem honestas e íntegras, ou meramente talentosas. Sua proibição fora justa e inquestionável. Aquela arriscada e venenosa droga criava danos cerebrais que gradualmente transformava seus usuários em psicopatas ao obscurecer a empatia tão necessária para que se colocassem no lugar de suas vítimas. Tudo que é certo é verdadeiro, mas nem tudo que é verdadeiro é certo.

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