Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Gerson Machado De Avillez
Vendedor de ideias e traficante de placebos. Fotógrafo e homem da prática de letras nas horas vagas, teólogo e pedagogo por formação, filósofo autodidata e por vocação. Descendente direto do Tenente-General Jorge Avillez, portador da Síndrome de Aspeger, trabalhou em eventos culturais nas Lonas Culturais no Rio (2002) onde produziu e fotografou, tendo fotos publicadas em jornais do Rio de Janeiro. Posteriormente trabalhou na Rede Globo como fiscal de figuração pela agência MMCDI especialmente na novela Avenida Brasil (2012). Membro votante do Plano Estadual do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas do Rio de Janeiro, membro número 1017 do CLFC (Clube de Leitores de Ficção Científica) e da Sal (Sociedade de Artes de São Gonçalo), tendo escrito artigos para a Revista Somnium, teve contos selecionados e publicados na Revista Litera, Primeiro Capítulo e é autor de destaque da Obvious Mag. Finalista de diversos concursos literários, tem 21 livros escritos e dois publicados, 'Adormecidos' (2011 - Ryoki Produções) e 'Síndrome Celestial' (2013 - Editora Multifoco).
E-mail: gersonavillez46@hotmail.com
Site: gersonavillez.jimdo.com





O Primeiro Seth (Parte 3 de 3)

Na realidade o golpe fulminante naquele compêndio do conhecimento fora desferido em vários pontos antes previamente combinados e de acordo com a posição do vento sabendo que este poderia atrapalhar o que antes apenas naquela reunião vista por Naum era a concentração para tal ato iminente. Assim Naum notou que justamente onde estava o livro ‘Primeiro Seth’ era um foco do incêndio, de modo que palpando tudo a sua volta procurou pelo livro enquanto sufocava pela fumaça numa crise de tosse. Naquele momento uma estante desabou sobre uma mesa de leitura dando-o tempo apenas de se jogar para outro lado quando viu um dos homens de negro igualmente procurando um livro. O ancião surgiu tentando acudi-lo para resgatar os papéis assim como ele, mas recebeu um chute do homem de negro em seu rosto o fazendo cair. Naquilo ele contemplou o livro perdido e o pegando abraçou com um sorriso funesto quando algo em meio a fumaça o atingiu fazendo-o igualmente cair desacordado. Era o misterioso árabe que vendo o livro pegou em seus braços e levantou seu amigo Naum dizendo para ir dali, pois a biblioteca estava condenada. O ancião levantou-se e vendo o homem olhou para Naum reconhecendo-o pela descrição. Sem nada dizer apenas olhou para os braços vendo ‘O Primeiro Seth’ quando o árabe disse.

— Acredite se eu não salvasse o livro ninguém o salvaria, mais pode ter certeza que toda verdade aqui ocorrida será preservada assim como o livro, onde um dia tudo será contado.

— Mas e os demais livros? – indagou Naum em meio um ataque de tosse.

— Lamento, não podemos mudar o curso natural da história. Mas a verdade é constante, assim como os seth, e somente os constantes tocarão o destino. Filoversismo, não digam essa palavra até 15 gerações! Fiquem em paz.

O árabe desapareceu em meio a espessa nuvem de fumaça enquanto luzes de chamas já se poderiam ver em labaredas cujo calor já os tocavam, forçando todos presentes a sair com os livros que conseguissem carregar. O ancião ficou em prantos ao contemplar todos os anos de sua vida serem incinerados covardemente por saqueadores e sabotadores, ele havia devotado literalmente todos os seus anos vivendo naquele lugar catalogando cada livro, pergaminho e conhecimento de todo tipo de cultura. Naum colocou suas mãos em seu ombro e disse lamentar profundamente por aqueles covardes e seu ato malévolo. A humanidade naquele dia se tornou mais idiota e ignorante.

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Gerson Machado De Avillez
O Primeiro Seth (Parte 3 de 3)

Na realidade o golpe fulminante naquele compêndio do conhecimento fora desferido em vários pontos antes previamente combinados e de acordo com a posição do vento sabendo que este poderia atrapalhar o que antes apenas naquela reunião vista por Naum era a concentração para tal ato iminente. Assim Naum notou que justamente onde estava o livro ‘Primeiro Seth’ era um foco do incêndio, de modo que palpando tudo a sua volta procurou pelo livro enquanto sufocava pela fumaça numa crise de tosse. Naquele momento uma estante desabou sobre uma mesa de leitura dando-o tempo apenas de se jogar para outro lado quando viu um dos homens de negro igualmente procurando um livro. O ancião surgiu tentando acudi-lo para resgatar os papéis assim como ele, mas recebeu um chute do homem de negro em seu rosto o fazendo cair. Naquilo ele contemplou o livro perdido e o pegando abraçou com um sorriso funesto quando algo em meio a fumaça o atingiu fazendo-o igualmente cair desacordado. Era o misterioso árabe que vendo o livro pegou em seus braços e levantou seu amigo Naum dizendo para ir dali, pois a biblioteca estava condenada. O ancião levantou-se e vendo o homem olhou para Naum reconhecendo-o pela descrição. Sem nada dizer apenas olhou para os braços vendo ‘O Primeiro Seth’ quando o árabe disse.

— Acredite se eu não salvasse o livro ninguém o salvaria, mais pode ter certeza que toda verdade aqui ocorrida será preservada assim como o livro, onde um dia tudo será contado.

— Mas e os demais livros? – indagou Naum em meio um ataque de tosse.

— Lamento, não podemos mudar o curso natural da história. Mas a verdade é constante, assim como os seth, e somente os constantes tocarão o destino. Filoversismo, não digam essa palavra até 15 gerações! Fiquem em paz.

O árabe desapareceu em meio a espessa nuvem de fumaça enquanto luzes de chamas já se poderiam ver em labaredas cujo calor já os tocavam, forçando todos presentes a sair com os livros que conseguissem carregar. O ancião ficou em prantos ao contemplar todos os anos de sua vida serem incinerados covardemente por saqueadores e sabotadores, ele havia devotado literalmente todos os seus anos vivendo naquele lugar catalogando cada livro, pergaminho e conhecimento de todo tipo de cultura. Naum colocou suas mãos em seu ombro e disse lamentar profundamente por aqueles covardes e seu ato malévolo. A humanidade naquele dia se tornou mais idiota e ignorante.

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