O Primeiro Seth - Gerson Machado De Avillez
Gerson Machado De Avillez
Vendedor de ideias e traficante de placebos. Fotógrafo e homem da prática de letras nas horas vagas, teólogo e pedagogo por formação, filósofo autodidata e por vocação. Descendente direto do Tenente-General Jorge Avillez, portador da Síndrome de Aspeger, trabalhou em eventos culturais nas Lonas Culturais no Rio (2002) onde produziu e fotografou, tendo fotos publicadas em jornais do Rio de Janeiro. Posteriormente trabalhou na Rede Globo como fiscal de figuração pela agência MMCDI especialmente na novela Avenida Brasil (2012). Membro votante do Plano Estadual do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas do Rio de Janeiro, membro número 1017 do CLFC (Clube de Leitores de Ficção Científica) e da Sal (Sociedade de Artes de São Gonçalo), tendo escrito artigos para a Revista Somnium, teve contos selecionados e publicados na Revista Litera, Primeiro Capítulo e é autor de destaque da Obvious Mag. Finalista de diversos concursos literários, tem 21 livros escritos e dois publicados, 'Adormecidos' (2011 - Ryoki Produções) e 'Síndrome Celestial' (2013 - Editora Multifoco).
E-mail: gersonavillez46@hotmail.com
Site: gersonavillez.jimdo.com





O Primeiro Seth

“Somos todos escravos do Tempo, reféns da eternidade”
Boris Pasternak

Em tempos antigos havia um homem do qual mesmo com seu pouco tempo de vida conquistou todo o mundo por ele conhecido, rompeu limites e fronteiras, suplantando culturas e civilizações e chorando quando não mais havia nada a conquistar. Assim nem mesmo o Egito o mais era em sua concepção original de modo que este homem batizou toda uma cidade com seu nome, Alexandria. Todavia lá fora honrado o conhecimento humano como um todo, numa lendária biblioteca que fez famosa tal cidade. Havia todo um grupo de protetores de seus livros, os lendários bibliotecários, tal como seus conhecimentos como compêndio do saber humano, mas também pelas sombras se esgueiravam aqueles cujo ímpeto era transtornar o conhecimento e a verdade, mais que escribas replicadores eram falsificadores mudando livros, tirando autorias e criando o que muito se conhece hoje por apócrifos. Homens de negro do qual tinha a pertença de transtornar toda a verdade conhecida em mentira e o aplicando para todo tipo de ato vil e servil com a força de um extremismo cuja única paternidade legítima era o medo, a violência e a discriminação. E assim maquinavam eles, pelas sombras daquele que era o maior centro cultural do mundo até o presente momento. O ano era 646 depois de Cristo e mal sabiam os bibliotecários que eram alvo de uma conspiração dentro de suas dez salas, e com seus setecentos mil livros, conspiração para destruir os segredos que guardavam, segredos que rompiam o tempo.

Era noite enquanto um dos nobres protetores caminhava pelos corredores altos daquele formidável lugar. Carregando rolos de pergaminhos recém adquiridos da China, estava levando-os para o vasto acervo e catalogar os mesmos. O lugar era apenas irradiado pelas luzes artificiais de pequenas chamas tremules a lançar sombras compridas por toda extensão do trajeto, quando o jovem adentrou numa fileira de estantes murmurando consigo mesmo.

— Conhecimentos orientais, autor Wang, próximo as viagens a terras desconhecidas de Platão.

Todavia naquele momento outro murmúrio se ouviu e vendo-se que não era o único a interromper o agradável silêncio do lugar ele parou, todo o ruído o quando produzia a encostar os livros numa mesa e virou-se. O som cessou, e assim ele voltou a se movimentar quando ouviu passos atrás dele, numa das estantes.

— Naum? É você? Ainda trabalhando ou lendo algo nas horas vagas?

Ao falar isso apenas sua voz ecoou por todo saguão tendo apenas o silêncio por resposta. Ele então largou os manuscritos sobre a mesa e deu a volta até o outro lado da estante quando ouviu passos agora ligeiros em sua direção. Pegou ele uma vela e tentou iluminar o lugar quando viu uma sombra tremule atrás dele e ao se virar notou um homem vestindo longas vestes negras a sorrir com dentes apodrecidos ao abaixar seu capuz e ele disse.

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Gerson Machado De Avillez
O Primeiro Seth

“Somos todos escravos do Tempo, reféns da eternidade”
Boris Pasternak

Em tempos antigos havia um homem do qual mesmo com seu pouco tempo de vida conquistou todo o mundo por ele conhecido, rompeu limites e fronteiras, suplantando culturas e civilizações e chorando quando não mais havia nada a conquistar. Assim nem mesmo o Egito o mais era em sua concepção original de modo que este homem batizou toda uma cidade com seu nome, Alexandria. Todavia lá fora honrado o conhecimento humano como um todo, numa lendária biblioteca que fez famosa tal cidade. Havia todo um grupo de protetores de seus livros, os lendários bibliotecários, tal como seus conhecimentos como compêndio do saber humano, mas também pelas sombras se esgueiravam aqueles cujo ímpeto era transtornar o conhecimento e a verdade, mais que escribas replicadores eram falsificadores mudando livros, tirando autorias e criando o que muito se conhece hoje por apócrifos. Homens de negro do qual tinha a pertença de transtornar toda a verdade conhecida em mentira e o aplicando para todo tipo de ato vil e servil com a força de um extremismo cuja única paternidade legítima era o medo, a violência e a discriminação. E assim maquinavam eles, pelas sombras daquele que era o maior centro cultural do mundo até o presente momento. O ano era 646 depois de Cristo e mal sabiam os bibliotecários que eram alvo de uma conspiração dentro de suas dez salas, e com seus setecentos mil livros, conspiração para destruir os segredos que guardavam, segredos que rompiam o tempo.

Era noite enquanto um dos nobres protetores caminhava pelos corredores altos daquele formidável lugar. Carregando rolos de pergaminhos recém adquiridos da China, estava levando-os para o vasto acervo e catalogar os mesmos. O lugar era apenas irradiado pelas luzes artificiais de pequenas chamas tremules a lançar sombras compridas por toda extensão do trajeto, quando o jovem adentrou numa fileira de estantes murmurando consigo mesmo.

— Conhecimentos orientais, autor Wang, próximo as viagens a terras desconhecidas de Platão.

Todavia naquele momento outro murmúrio se ouviu e vendo-se que não era o único a interromper o agradável silêncio do lugar ele parou, todo o ruído o quando produzia a encostar os livros numa mesa e virou-se. O som cessou, e assim ele voltou a se movimentar quando ouviu passos atrás dele, numa das estantes.

— Naum? É você? Ainda trabalhando ou lendo algo nas horas vagas?

Ao falar isso apenas sua voz ecoou por todo saguão tendo apenas o silêncio por resposta. Ele então largou os manuscritos sobre a mesa e deu a volta até o outro lado da estante quando ouviu passos agora ligeiros em sua direção. Pegou ele uma vela e tentou iluminar o lugar quando viu uma sombra tremule atrás dele e ao se virar notou um homem vestindo longas vestes negras a sorrir com dentes apodrecidos ao abaixar seu capuz e ele disse.

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