O Sonho Secreto - Gerson Machado De Avillez
Gerson Machado De Avillez
Vendedor de ideias e traficante de placebos. Fotógrafo e homem da prática de letras nas horas vagas, teólogo e pedagogo por formação, filósofo autodidata e por vocação. Descendente direto do Tenente-General Jorge Avillez, portador da Síndrome de Aspeger, trabalhou em eventos culturais nas Lonas Culturais no Rio (2002) onde produziu e fotografou, tendo fotos publicadas em jornais do Rio de Janeiro. Posteriormente trabalhou na Rede Globo como fiscal de figuração pela agência MMCDI especialmente na novela Avenida Brasil (2012). Membro votante do Plano Estadual do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas do Rio de Janeiro, membro número 1017 do CLFC (Clube de Leitores de Ficção Científica) e da Sal (Sociedade de Artes de São Gonçalo), tendo escrito artigos para a Revista Somnium, teve contos selecionados e publicados na Revista Litera, Primeiro Capítulo e é autor de destaque da Obvious Mag. Finalista de diversos concursos literários, tem 21 livros escritos e dois publicados, 'Adormecidos' (2011 - Ryoki Produções) e 'Síndrome Celestial' (2013 - Editora Multifoco).
E-mail: gersonavillez46@hotmail.com
Site: gersonavillez.jimdo.com





O Sonho Secreto

       Tentei remexer-me sem sucesso quando então veio um garoto correndo em minha direção. Inicialmente achei se tratar de um fantasma, mas suas feições suaves e serenas pareciam conter o temor que prenunciava ao dizer-me.

       — Venha! Levante-se, não quero ser um fantasma nesse lugar!

       — O que está acontecendo? — Indaguei perplexo ao garoto que me puxava pelo braço.

       — O vaso da morte, o homem mal que vive apenas para a morte quer acabar contigo!

       — Como assim? Não fiz nada!

       — Você é o garoto do sonho, você é a próxima vítima daquele o qual obra é apenas a destruição. O embaixador do inferno!
Como assim? Me indaguei, como poderia eu ao buscar respostas acabar compelido pelo destino a concretizar profecias profanas dos que lá adormeceram? E se o destino controla nossa vontade? A contragosto me remexi ao contemplar aquele garoto que me fitava agora nervoso. Ao levantar-me fitei o corretor que se estendia tenebroso até a escada que descia ao primeiro andar, caminhei como embriagado pelo torpor de uma sonolência que me fazia presa quando por uma janela vi um homem de camisa branca com listras azuis marinho pegando um facão e com um sorriso sádico adentrar o recinto lá embaixo. Corri para o sentido oposto na tentativa de sair daquele lugar pelo telhado, mas tropecei numa cadeira que não havia visto o que deu tempo do homem com traços mongóis me alcançar. O homem estava com olhos vidrados e riu de prazer em ver-me vulnerável como uma gazela na savana, me pegou pelo pescoço apertando-o e empunhou a faca desferindo-a entre meu peito, no coração.

       — Consegui acabar contigo como eu queria! Essa é minha grande obra!

       Ao ouvir aquelas palavras acordei subitamente no lugar em que havia dormido. Perplexo ao perceber se tratar de um sonho, levantei-me tonto e segui para o corredor tentando retirar-me quando pela janela vi o mesmo homem com a mesma roupa exatamente como no sonho. A estranha sensação de Déjà vu que me tomou em perplexidade não me deu chance para refletir, mas apenas tomar o mesmo rumo que tomei no sonho, mas desviando-me da cadeira o que impediu que caísse. Corri até uma janela e sai pelo telhado que por estar molhado me levou a escorregar caindo sobre uma moita de plantas quando ouvi gritos de uma casa vizinha de uma mulher que vociferou “o assassino!”

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Gerson Machado De Avillez
O Sonho Secreto

       Tentei remexer-me sem sucesso quando então veio um garoto correndo em minha direção. Inicialmente achei se tratar de um fantasma, mas suas feições suaves e serenas pareciam conter o temor que prenunciava ao dizer-me.

       — Venha! Levante-se, não quero ser um fantasma nesse lugar!

       — O que está acontecendo? — Indaguei perplexo ao garoto que me puxava pelo braço.

       — O vaso da morte, o homem mal que vive apenas para a morte quer acabar contigo!

       — Como assim? Não fiz nada!

       — Você é o garoto do sonho, você é a próxima vítima daquele o qual obra é apenas a destruição. O embaixador do inferno!
Como assim? Me indaguei, como poderia eu ao buscar respostas acabar compelido pelo destino a concretizar profecias profanas dos que lá adormeceram? E se o destino controla nossa vontade? A contragosto me remexi ao contemplar aquele garoto que me fitava agora nervoso. Ao levantar-me fitei o corretor que se estendia tenebroso até a escada que descia ao primeiro andar, caminhei como embriagado pelo torpor de uma sonolência que me fazia presa quando por uma janela vi um homem de camisa branca com listras azuis marinho pegando um facão e com um sorriso sádico adentrar o recinto lá embaixo. Corri para o sentido oposto na tentativa de sair daquele lugar pelo telhado, mas tropecei numa cadeira que não havia visto o que deu tempo do homem com traços mongóis me alcançar. O homem estava com olhos vidrados e riu de prazer em ver-me vulnerável como uma gazela na savana, me pegou pelo pescoço apertando-o e empunhou a faca desferindo-a entre meu peito, no coração.

       — Consegui acabar contigo como eu queria! Essa é minha grande obra!

       Ao ouvir aquelas palavras acordei subitamente no lugar em que havia dormido. Perplexo ao perceber se tratar de um sonho, levantei-me tonto e segui para o corredor tentando retirar-me quando pela janela vi o mesmo homem com a mesma roupa exatamente como no sonho. A estranha sensação de Déjà vu que me tomou em perplexidade não me deu chance para refletir, mas apenas tomar o mesmo rumo que tomei no sonho, mas desviando-me da cadeira o que impediu que caísse. Corri até uma janela e sai pelo telhado que por estar molhado me levou a escorregar caindo sobre uma moita de plantas quando ouvi gritos de uma casa vizinha de uma mulher que vociferou “o assassino!”

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