Café com Amor - Golden Barbie, José Fernando Rezende
Golden Barbie
Louca, maluca, insana e perturbada. Sem nenhum pingo de lucidez.
Um labirinto sem fim...
Um enigma onde muitos insistem em querer desvendar...
Vivendo a complexidade dos meus dias onde, embriago-me para viver e sobreviver em guerra constante entre a realidade e a fantasia.
Devorando os lobos que surgem em minha caminhada.
Mantendo-me sempre uma alfa.
Escrevo para aliviar os agonizantes gritos das vozes que moram em minha cabeça, o universo e suas frustrações "cagadas" me inspiram a rabiscar folhas e mais folhas de papel.
Mantenha-se longe! "Ou arrancarei suas tripas e as cozinharei". 





Café com Amor

Ela me dizia que era vazia e problemática. Que enxergava demônios quando mirava-se no espelho. Encontrava alívio nas doses industriais de álcool, conseguia às vezes até rir da vida.

Bebendo a cerveja barata, eu não lograva êxito na tarefa de unir as coisas que eram ditas numa só imagem. Os meus sentidos embriagavam-se com a presença mais poderosa que um cruzado de direita desferido por um pugilista peso pesado. Era assim; a sombra nos olhos e o cabelo meticulosamente arrumado apenas para parecer que não estava.

Sempre tive a mania de enxergar a aura das coisas, mesmo nas mais mundanas. É de todo, uma espécie de maldição, pois escavar coisas francamente ordinárias é como buscar o problema no Íntimo de cada porção da vida. Ali não era diferente. Não fazia qualquer sentido que fosse vazio, algo que me tornava tão vivo, mesmo sendo eu, de resto, espécie de pessimista Incurável, mergulhado em denso e por vezes destrutivo niilismo. Uma névoa etílica cobria todas essas elucubrações, fazendo com que vagássemos de mãos dadas para o interior de cada um. Em passos ébrios, é fato, mas determinados ao seu modo, como tendem a ser esse tipo de coisa.

Entre um gole e outro de cerveja, desejava apenas poder sorver o contentamento de mulher, que arrancaria de suas entranhas com a perícia dos amantes mais vadios e sujos. Uma confidencia feita em sussurros embalados pelo álcool, um beijo que fazia a consciência resvalar o mais próximo paraíso que os que rastejam no limbo podem almejar. Num êxtase diabólico, restava certa paz, como se o tempo não agisse mais com sua autoridade irrefreável. Como se as coisas fizessem o mesmo sentido que o nosso parlatório embriagado conferia a cada ato, a cada gesto, a cada canto do lugar que era testemunha de um caos tão bem vindo. A cada estourar dos lacres das latas de cerveja ordinária, cada vez que a saliva corria quando o beijo a arrancava, lúbrico, a cada carícia árida, torpe, abusada, que destronava pudores, que questionava valores, que cuspia com a boca maculada pelo gozo no rosto farsesco da moral apodrecida dos hipócritas, gargalhávamos como lunáticos numa orgia atemporal. O álcool, o gosto do corpo dela, exposto, nu, peito arfante, seios de bicos entumecidos, os olhos, a boca perfeita a dizer impropérios, elevando as consciências, chafurdando no mais imundo lodo existencial das emoções. Nada além do álcool, do corpo contorcendo em profuso gozo.

Poderia eu imaginar que aquele banho quente de café casualmente numa rua qualquer resultaria no mais selvagem e singelo amor?

Comporto em mim os assombros que a viola e assim torno-a eternamente minha.

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Golden Barbie
Café com Amor

Ela me dizia que era vazia e problemática. Que enxergava demônios quando mirava-se no espelho. Encontrava alívio nas doses industriais de álcool, conseguia às vezes até rir da vida.

Bebendo a cerveja barata, eu não lograva êxito na tarefa de unir as coisas que eram ditas numa só imagem. Os meus sentidos embriagavam-se com a presença mais poderosa que um cruzado de direita desferido por um pugilista peso pesado. Era assim; a sombra nos olhos e o cabelo meticulosamente arrumado apenas para parecer que não estava.

Sempre tive a mania de enxergar a aura das coisas, mesmo nas mais mundanas. É de todo, uma espécie de maldição, pois escavar coisas francamente ordinárias é como buscar o problema no Íntimo de cada porção da vida. Ali não era diferente. Não fazia qualquer sentido que fosse vazio, algo que me tornava tão vivo, mesmo sendo eu, de resto, espécie de pessimista Incurável, mergulhado em denso e por vezes destrutivo niilismo. Uma névoa etílica cobria todas essas elucubrações, fazendo com que vagássemos de mãos dadas para o interior de cada um. Em passos ébrios, é fato, mas determinados ao seu modo, como tendem a ser esse tipo de coisa.

Entre um gole e outro de cerveja, desejava apenas poder sorver o contentamento de mulher, que arrancaria de suas entranhas com a perícia dos amantes mais vadios e sujos. Uma confidencia feita em sussurros embalados pelo álcool, um beijo que fazia a consciência resvalar o mais próximo paraíso que os que rastejam no limbo podem almejar. Num êxtase diabólico, restava certa paz, como se o tempo não agisse mais com sua autoridade irrefreável. Como se as coisas fizessem o mesmo sentido que o nosso parlatório embriagado conferia a cada ato, a cada gesto, a cada canto do lugar que era testemunha de um caos tão bem vindo. A cada estourar dos lacres das latas de cerveja ordinária, cada vez que a saliva corria quando o beijo a arrancava, lúbrico, a cada carícia árida, torpe, abusada, que destronava pudores, que questionava valores, que cuspia com a boca maculada pelo gozo no rosto farsesco da moral apodrecida dos hipócritas, gargalhávamos como lunáticos numa orgia atemporal. O álcool, o gosto do corpo dela, exposto, nu, peito arfante, seios de bicos entumecidos, os olhos, a boca perfeita a dizer impropérios, elevando as consciências, chafurdando no mais imundo lodo existencial das emoções. Nada além do álcool, do corpo contorcendo em profuso gozo.

Poderia eu imaginar que aquele banho quente de café casualmente numa rua qualquer resultaria no mais selvagem e singelo amor?

Comporto em mim os assombros que a viola e assim torno-a eternamente minha.

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