Café com Amor - Golden Barbie, José Fernando Rezende
Golden Barbie
Louca, maluca, insana e perturbada. Sem nenhum pingo de lucidez.
Um labirinto sem fim...
Um enigma onde muitos insistem em querer desvendar...
Vivendo a complexidade dos meus dias onde, embriago-me para viver e sobreviver em guerra constante entre a realidade e a fantasia.
Devorando os lobos que surgem em minha caminhada.
Mantendo-me sempre uma alfa.
Escrevo para aliviar os agonizantes gritos das vozes que moram em minha cabeça, o universo e suas frustrações "cagadas" me inspiram a rabiscar folhas e mais folhas de papel.
Mantenha-se longe! "Ou arrancarei suas tripas e as cozinharei". 





Café com Amor

Desperto-me do transe tendo as matas e o meu coração de caçador como testemunha, estava feito, envolvida no mais lindo vestido tecido à mão com pétalas de rosas brancas, estava minha amada no dia do nosso casamento. Todas as curvas que trilhei em minha vida trouxeram-me até ela.

A pele suavemente dourada havia se tornado o meu lar, onde toda noite depositávamos num só entrelaço de corpos nosso amor em euforia. Foi quando descobri o “felizes para sempre”. Ingênuo, apaixonado.

Os dias foram passando e junto com eles o sorriso de minha bela. Distantes um do outro, meu coração enchia-se de tristeza, pois restou-me apenas as lembranças da memória de um amor empoeirado sobre uma estante velha de madeira abandonada numa pocilga há tempos esquecida. Fui me acostumando a este novo ser instável, ou realmente era o seu verdadeiro ser? Numa noite fria e chuvosa sob o intenso véu neblinoso de fazer cegar a mais limpa visão, da janela do nosso quarto eu a vi dançar nua em meio ao bosque da floresta; Seu corpo nu refletia nítido em meus olhos apaixonados. Num piscar de olhos ela estava a envolver seus braços em meu pescoço; que segundos maravilhosos sentir a carícia que há muito não surgia… virei-me para ela bruscamente a afastei de mim. Seu corpo de Afrodite estava em retalhos, Eram volumosos os cortes que desenhavam os símbolos de uma magia escura sobre sua carne, magia a qual eu desconhecia mas por alguma razão ela conhecia muito bem. Presenteou-me com um sorriso que não era o seu. Lábios gastos, mastigados, dentes pútridos, pele pálida esverdeada, completamente envelhecida. De toda certeza que eu tinha na vida, era que de fato que minha bela já não existia. Exceto os olhos, continuavam negros e sombrios acompanhados de um mistério indizível.

Feito um filme em câmera analógica, nossos momentos desfilaram lentamente em minha cabeça, permitindo que eu me aproximasse daquela criatura que fedia mais do que dezesseis bezerros abatidos no final de um rito satânico.

Sem nenhum pavor à exprimir, a tomei em meus braços. Como num passado ainda vivo, nossos pés se desprenderam do chão como uma única pena de corax. Nos amávamos sobre uma cama invisível, gargalhávamos insanamente pela última vez. Nosso canibalismo atravessou dimensões em dimensões tingindo a via láctea em sangue aquarela, nos devorávamos à dentadas juntos, até o nada pairar sobre o fim.

 

 

 

 

Golden Barbie e José Fernando Rezende.

Páginas: 1 2

Golden Barbie
Café com Amor

Desperto-me do transe tendo as matas e o meu coração de caçador como testemunha, estava feito, envolvida no mais lindo vestido tecido à mão com pétalas de rosas brancas, estava minha amada no dia do nosso casamento. Todas as curvas que trilhei em minha vida trouxeram-me até ela.

A pele suavemente dourada havia se tornado o meu lar, onde toda noite depositávamos num só entrelaço de corpos nosso amor em euforia. Foi quando descobri o “felizes para sempre”. Ingênuo, apaixonado.

Os dias foram passando e junto com eles o sorriso de minha bela. Distantes um do outro, meu coração enchia-se de tristeza, pois restou-me apenas as lembranças da memória de um amor empoeirado sobre uma estante velha de madeira abandonada numa pocilga há tempos esquecida. Fui me acostumando a este novo ser instável, ou realmente era o seu verdadeiro ser? Numa noite fria e chuvosa sob o intenso véu neblinoso de fazer cegar a mais limpa visão, da janela do nosso quarto eu a vi dançar nua em meio ao bosque da floresta; Seu corpo nu refletia nítido em meus olhos apaixonados. Num piscar de olhos ela estava a envolver seus braços em meu pescoço; que segundos maravilhosos sentir a carícia que há muito não surgia… virei-me para ela bruscamente a afastei de mim. Seu corpo de Afrodite estava em retalhos, Eram volumosos os cortes que desenhavam os símbolos de uma magia escura sobre sua carne, magia a qual eu desconhecia mas por alguma razão ela conhecia muito bem. Presenteou-me com um sorriso que não era o seu. Lábios gastos, mastigados, dentes pútridos, pele pálida esverdeada, completamente envelhecida. De toda certeza que eu tinha na vida, era que de fato que minha bela já não existia. Exceto os olhos, continuavam negros e sombrios acompanhados de um mistério indizível.

Feito um filme em câmera analógica, nossos momentos desfilaram lentamente em minha cabeça, permitindo que eu me aproximasse daquela criatura que fedia mais do que dezesseis bezerros abatidos no final de um rito satânico.

Sem nenhum pavor à exprimir, a tomei em meus braços. Como num passado ainda vivo, nossos pés se desprenderam do chão como uma única pena de corax. Nos amávamos sobre uma cama invisível, gargalhávamos insanamente pela última vez. Nosso canibalismo atravessou dimensões em dimensões tingindo a via láctea em sangue aquarela, nos devorávamos à dentadas juntos, até o nada pairar sobre o fim.

 

 

 

 

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