A coroa - Gustavo Lopes
Gustavo Lopes
Nascido em 89, em Suzano - SP, trabalho, estudo, vivo e me divido entre centenas de coisas, mas minha verdadeira paixão é a escrita. Tenho um blog de estimação onde escrevo sobre música e meus projetos inacabados. Leio quando posso e escrevo o quanto possível, sobre realidades distorcidas e talvez horrendas, que nem sempre têm um final feliz, mas que devem ser contadas. Meu primeiro livro, O Inominável, foi publicado em 2017 e está disponível gratuitamente nas plataformas Wattpad e Luvbook.
Site: gustavolopes.net.br
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A coroa

– Vingança, amarga vingança. Em nome de minhas companheiras e minha irmã, chegou a hora.

Os olhos de Julia estavam em chamas observando seus subordinados; homens e mulheres treinados para matar um inseto em pleno ar com apenas um único tiro. Anos de preparação convergiam para aquele momento, no qual ela comandava duas equipes com vinte agentes das forças especiais em uma cidade no interior, com ruas de barro e casas de madeira e palha. O retrocesso daquela civilização isolada incomodava Julia, adepta de avançada tecnologia em sua rotina, ainda mais sabendo o que poderia estar por trás da fachada pacata daquele lugar.

– Equipe Alfa, em posição, comandante Julia.

– Equipe Omega, em posição, comandante Julia.

– Prossigam com a manobra de reconhecimento.

O sol já havia se posto e a população estava encolhida em seus cobertores dentro de suas casas. A neve cobria os telhados pontiagudos das casas que não estavam protegidas pelas enormes e densas árvores, cujas copas se perdiam de vista. As tochas que iluminavam as ruas não resistiam ao vento, logo, não se enxergava um palmo em meio a escuridão, hora branca, hora negra, favorecendo as equipes de Julia, equipadas com capacetes de visão noturna e vestes térmicas. Dois homens de cada equipe circundavam a área ao redor do único monumento grandioso daquela civilização isolada: uma igreja cujas paredes se ligavam a diversas árvores, formando uma construção moldada direto na natureza, cercada por vinhas e galhos.

– Padre Renkse, tem certeza que está preparado? – Perguntou Julia, ansiosa com a presença da figura religiosa.

– Sim, minha cara Julia. Já lutei batalhas piores, mesmo você não acreditando.

– O padre respondeu com um sorriso.

– Não vamos tomar nenhuma atitude drástica se identificarmos que os alvos não possuem condições de reação. Você pode ficar aqui e aguardar. Confesso que tenho receio de que me atrapalhe.

– Julia, sabe que não vim pessoalmente só por conta do caso.

– E sabe que eu não acredito nessas baboseiras. É só um bando de malucos.

– Um grande sábio me disse uma vez que mentiras podem se tornar verdades se repetidas até acreditarmos. Você subestima estes homens, mesmo depois do que fizeram com sua irmã.

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Gustavo Lopes
A coroa

– Vingança, amarga vingança. Em nome de minhas companheiras e minha irmã, chegou a hora.

Os olhos de Julia estavam em chamas observando seus subordinados; homens e mulheres treinados para matar um inseto em pleno ar com apenas um único tiro. Anos de preparação convergiam para aquele momento, no qual ela comandava duas equipes com vinte agentes das forças especiais em uma cidade no interior, com ruas de barro e casas de madeira e palha. O retrocesso daquela civilização isolada incomodava Julia, adepta de avançada tecnologia em sua rotina, ainda mais sabendo o que poderia estar por trás da fachada pacata daquele lugar.

– Equipe Alfa, em posição, comandante Julia.

– Equipe Omega, em posição, comandante Julia.

– Prossigam com a manobra de reconhecimento.

O sol já havia se posto e a população estava encolhida em seus cobertores dentro de suas casas. A neve cobria os telhados pontiagudos das casas que não estavam protegidas pelas enormes e densas árvores, cujas copas se perdiam de vista. As tochas que iluminavam as ruas não resistiam ao vento, logo, não se enxergava um palmo em meio a escuridão, hora branca, hora negra, favorecendo as equipes de Julia, equipadas com capacetes de visão noturna e vestes térmicas. Dois homens de cada equipe circundavam a área ao redor do único monumento grandioso daquela civilização isolada: uma igreja cujas paredes se ligavam a diversas árvores, formando uma construção moldada direto na natureza, cercada por vinhas e galhos.

– Padre Renkse, tem certeza que está preparado? – Perguntou Julia, ansiosa com a presença da figura religiosa.

– Sim, minha cara Julia. Já lutei batalhas piores, mesmo você não acreditando.

– O padre respondeu com um sorriso.

– Não vamos tomar nenhuma atitude drástica se identificarmos que os alvos não possuem condições de reação. Você pode ficar aqui e aguardar. Confesso que tenho receio de que me atrapalhe.

– Julia, sabe que não vim pessoalmente só por conta do caso.

– E sabe que eu não acredito nessas baboseiras. É só um bando de malucos.

– Um grande sábio me disse uma vez que mentiras podem se tornar verdades se repetidas até acreditarmos. Você subestima estes homens, mesmo depois do que fizeram com sua irmã.

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