A coroa - Gustavo Lopes
Gustavo Lopes
Nascido em 89, em Suzano - SP, trabalho, estudo, vivo e me divido entre centenas de coisas, mas minha verdadeira paixão é a escrita. Tenho um blog de estimação onde escrevo sobre música e meus projetos inacabados. Leio quando posso e escrevo o quanto possível, sobre realidades distorcidas e talvez horrendas, que nem sempre têm um final feliz, mas que devem ser contadas. Meu primeiro livro, O Inominável, foi publicado em 2017 e está disponível gratuitamente nas plataformas Wattpad e Luvbook.
Site: gustavolopes.net.br
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A coroa

– Parem essa palhaçada! Agora! – Gritou Julia.

Os olhos fervorosos das mulheres se voltaram a equipe Alfa e a equipe Omega, que mal teve tempo para reagir. As mulheres agacharam como um único exército, e levantaram empunhando lanças feitas de ossos dentro de ossos, duras e pontiagudas. Julia não sabia o que fazer. Mesmo em embate físico, as mulheres pareciam superar a força de seus homens treinados.

– Julia, dê a ordem! Por favor! – Exclamou o padre.

Quando o capacete do primeiro homem foi atravessado por uma lança, os primeiros tiros foram dados, sem a ordem da comandante. Um a um os rostos doces com bestas encarnadas em seus espíritos caíram. Julia permaneceu imóvel diante da rainha, uma mulher da sua altura, porém emanando uma aura negra que a paralisou.

– Oh meu Deus, me perdoe por meus pecados, novamente.

O tiro final foi dado pelo padre Renkse, na cabeça da rainha, que ainda deu alguns passos até cair aos pés de Julia. As dezenas de homens, ao vislumbrarem a queda da rainha, sacaram adagas e cortaram suas gargantas num último cântico uníssono.

– A Coroa sobrevive.

Julia jamais entendeu se aqueles homens acreditavam em sua própria religião, ou se apenas a usavam como fachada para uma rede de venda ilegal de órgãos.Ela também não conseguia compreender de onde veio a força daquelas mulheres, que derrubaram seus homens, um exército treinado e bem equipado, e os obrigou a usar armamento pesado, contra mulheres nuas empunhando armas rústicas. A aura da rainha, que a paralisou com um olhar, ficou gravada em sua mente. Ela não conseguia aceitar como elas foram convencidas a tamanha insanidade, assim como os homens,foram capazes de criar uma crença e difundi-la a ponto dela se tornar real para aqueles que a conduziam ou seguiam. Mas uma coisa ela entendeu. Aquelas pessoas não eram apenas um bando de malucos.

 

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Gustavo Lopes
A coroa

– Parem essa palhaçada! Agora! – Gritou Julia.

Os olhos fervorosos das mulheres se voltaram a equipe Alfa e a equipe Omega, que mal teve tempo para reagir. As mulheres agacharam como um único exército, e levantaram empunhando lanças feitas de ossos dentro de ossos, duras e pontiagudas. Julia não sabia o que fazer. Mesmo em embate físico, as mulheres pareciam superar a força de seus homens treinados.

– Julia, dê a ordem! Por favor! – Exclamou o padre.

Quando o capacete do primeiro homem foi atravessado por uma lança, os primeiros tiros foram dados, sem a ordem da comandante. Um a um os rostos doces com bestas encarnadas em seus espíritos caíram. Julia permaneceu imóvel diante da rainha, uma mulher da sua altura, porém emanando uma aura negra que a paralisou.

– Oh meu Deus, me perdoe por meus pecados, novamente.

O tiro final foi dado pelo padre Renkse, na cabeça da rainha, que ainda deu alguns passos até cair aos pés de Julia. As dezenas de homens, ao vislumbrarem a queda da rainha, sacaram adagas e cortaram suas gargantas num último cântico uníssono.

– A Coroa sobrevive.

Julia jamais entendeu se aqueles homens acreditavam em sua própria religião, ou se apenas a usavam como fachada para uma rede de venda ilegal de órgãos.Ela também não conseguia compreender de onde veio a força daquelas mulheres, que derrubaram seus homens, um exército treinado e bem equipado, e os obrigou a usar armamento pesado, contra mulheres nuas empunhando armas rústicas. A aura da rainha, que a paralisou com um olhar, ficou gravada em sua mente. Ela não conseguia aceitar como elas foram convencidas a tamanha insanidade, assim como os homens,foram capazes de criar uma crença e difundi-la a ponto dela se tornar real para aqueles que a conduziam ou seguiam. Mas uma coisa ela entendeu. Aquelas pessoas não eram apenas um bando de malucos.

 

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