Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Henrique de Micco
Henrique de Micco nasceu na cidade de São Paulo, no ano de 1992, e descobriu ainda na infância a paixão pela literatura. Atualmente, aguarda o lançamento de seu primeiro romance, previsto para agosto / 2017. O livro, de título “O Último Ceifador: Elo Dimensional”, é o primeiro volume de uma tetralogia fantástica. O autor criou um gosto especial também pela escrita de contos, tendo sido selecionado para compor sua primeira antologia no ano de 2017.





A César o que é de César

A música agradável tomava todo o ambiente, saltando de ouvidos a ouvidos. Um jazz que percorria todo o bar, alcançando cada casal apaixonado, cada grupo de colegas animados, e até os bêbados solitários que ali estavam, só por estar. Marcos aguardava a chegada de um amigo de longa data, já impaciente pela demora. Intercalava-se entre bebericadas em seu conhaque e olhadelas no relógio.

Tic, tac!

A porta se abriu. Cabeças se voltaram à entrada.

Tic, tac!

O homem bem vestido e imponente passou pela porta, pedindo com um gesto discreto que seus seguranças o aguardassem do lado de fora.

“É ele, mesmo… hora de pagar o que me deve, playboyzinho cuzão”

Marcos acenou para ele, que veio ao seu encontro. Cumprimentaram-se com um aperto de mãos, e o homem se sentou ao seu lado no amplo balcão.

− Marcola, meu caro… há quanto tempo!

− Sim… tempo demais, até. – Respondeu, de forma mais ríspida do que gostaria. – Como vão as coisas, Ed?

− Ed? Deus… nem me lembro qual foi a última vez que alguém me chamou por esse nome. – Eduardo riu e fez sinal para que o balconista lhe trouxesse um chope – Está tudo em ordem, como sempre. E você? O que tem feito?

Marcos fixou os olhos em algum lugar distante, como se buscasse pela resposta. Parecia encarar o próprio reflexo inexistente num espelho invisível.

 Riu para si mesmo, virou o resto do conhaque e respondeu:

− Estou na merda, meu amigo. Fodido mesmo.

Eduardo ergueu as sobrancelhas, fingindo surpresa. Sabia que Marcos pediria a ele algum favor. Dinheiro, talvez? Com base em sua experiência e no histórico de vida do amigo, poderia apostar que sim.

− Huh…Sinto em ouvir isso.

− Pois é… você já deve imaginar o motivo de eu ter te ligado, depois de tanto tempo.

“Imagino, sim, seu pedaço de bosta”.

− Não faço ideia, mas sou todo ouvidos.

Ed apanhou o chope colocado à sua frente e quase secou a caneca num só gole. Marcos pediu mais uma dose.

− Eu preciso de trabalho, Ed. Eu poderia vir aqui e te contar minha história triste, pedir um empréstimo que eu nunca pagaria, mas não… eu só quero uma vaguinha na sua empresa, cara.

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Henrique de Micco
A César o que é de César

A música agradável tomava todo o ambiente, saltando de ouvidos a ouvidos. Um jazz que percorria todo o bar, alcançando cada casal apaixonado, cada grupo de colegas animados, e até os bêbados solitários que ali estavam, só por estar. Marcos aguardava a chegada de um amigo de longa data, já impaciente pela demora. Intercalava-se entre bebericadas em seu conhaque e olhadelas no relógio.

Tic, tac!

A porta se abriu. Cabeças se voltaram à entrada.

Tic, tac!

O homem bem vestido e imponente passou pela porta, pedindo com um gesto discreto que seus seguranças o aguardassem do lado de fora.

“É ele, mesmo… hora de pagar o que me deve, playboyzinho cuzão”

Marcos acenou para ele, que veio ao seu encontro. Cumprimentaram-se com um aperto de mãos, e o homem se sentou ao seu lado no amplo balcão.

− Marcola, meu caro… há quanto tempo!

− Sim… tempo demais, até. – Respondeu, de forma mais ríspida do que gostaria. – Como vão as coisas, Ed?

− Ed? Deus… nem me lembro qual foi a última vez que alguém me chamou por esse nome. – Eduardo riu e fez sinal para que o balconista lhe trouxesse um chope – Está tudo em ordem, como sempre. E você? O que tem feito?

Marcos fixou os olhos em algum lugar distante, como se buscasse pela resposta. Parecia encarar o próprio reflexo inexistente num espelho invisível.

 Riu para si mesmo, virou o resto do conhaque e respondeu:

− Estou na merda, meu amigo. Fodido mesmo.

Eduardo ergueu as sobrancelhas, fingindo surpresa. Sabia que Marcos pediria a ele algum favor. Dinheiro, talvez? Com base em sua experiência e no histórico de vida do amigo, poderia apostar que sim.

− Huh…Sinto em ouvir isso.

− Pois é… você já deve imaginar o motivo de eu ter te ligado, depois de tanto tempo.

“Imagino, sim, seu pedaço de bosta”.

− Não faço ideia, mas sou todo ouvidos.

Ed apanhou o chope colocado à sua frente e quase secou a caneca num só gole. Marcos pediu mais uma dose.

− Eu preciso de trabalho, Ed. Eu poderia vir aqui e te contar minha história triste, pedir um empréstimo que eu nunca pagaria, mas não… eu só quero uma vaguinha na sua empresa, cara.

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