A César o que é de César - Henrique de Micco
Henrique de Micco
Henrique de Micco nasceu na cidade de São Paulo, no ano de 1992, e descobriu ainda na infância a paixão pela literatura. Atualmente, aguarda o lançamento de seu primeiro romance, previsto para agosto / 2017. O livro, de título “O Último Ceifador: Elo Dimensional”, é o primeiro volume de uma tetralogia fantástica. O autor criou um gosto especial também pela escrita de contos, tendo sido selecionado para compor sua primeira antologia no ano de 2017.





A César o que é de César

***

Recuperado da dor intensa, arrumou-se uma vez mais no banco de madeira. Algumas pontadas ainda apareciam ora ou outra, mas nada que o incomodasse tanto. Quase fora expulso do bar, mas convenceu o gerente a permitir que continuasse ali; o velho, depois de uma breve conversa, concordou, afinal, a conta dele estava razoavelmente alta. Nem imaginava que ele não tinha a intenção de pagar.

Terminou sua dose, e em seguida entornou também o resto do chope deixado por Ed goela abaixo. O balconista, constrangido, se aproximou dele.

− Senhor… O seu amigo não pagou pelos chopes. Posso botar na tua conta?

Mal terminara de falar quando o barulho da porta se fez ouvir de novo. Eduardo voltava, mais uma vez desacompanhado.

“Ele só pode estar de sacanagem!”

Passou direto por Marcos, deixando duas notas em cima do balcão.

− Ia me esquecendo… Isso deve dar. – Falou ao atendente. – Pode dar o troco para esse coitado, aqui, pra ajudar na conta dele.

Melhor teria sido se Marcos tivesse sido expulso. Ou se Eduardo fosse embora, como deu a entender que faria ainda há pouco. Teria sido, mas não foi.

 

***

 

Aquele “Click” maldito. Marcos o conhecia bem. Acontecia antes de fazer alguma merda grande. O impulso que o levava a um crescente de ódio e barbárie. Foi assim que acabou mandando a esposa para o hospital; ou que quebrou os dois joelhos de um namorado (agora ex) da filha; ou então quando enfiou o gato da família no micro-ondas, pelo simples fato de ele ter mijado em seus chinelos. Era um pai comprometido dentro do possível, e dava o máximo de si para garantir que levassem uma vida menos miserável. Mas, aquele Click sempre voltava, e era mais forte do que ele.

            Click.

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Henrique de Micco
A César o que é de César

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Recuperado da dor intensa, arrumou-se uma vez mais no banco de madeira. Algumas pontadas ainda apareciam ora ou outra, mas nada que o incomodasse tanto. Quase fora expulso do bar, mas convenceu o gerente a permitir que continuasse ali; o velho, depois de uma breve conversa, concordou, afinal, a conta dele estava razoavelmente alta. Nem imaginava que ele não tinha a intenção de pagar.

Terminou sua dose, e em seguida entornou também o resto do chope deixado por Ed goela abaixo. O balconista, constrangido, se aproximou dele.

− Senhor… O seu amigo não pagou pelos chopes. Posso botar na tua conta?

Mal terminara de falar quando o barulho da porta se fez ouvir de novo. Eduardo voltava, mais uma vez desacompanhado.

“Ele só pode estar de sacanagem!”

Passou direto por Marcos, deixando duas notas em cima do balcão.

− Ia me esquecendo… Isso deve dar. – Falou ao atendente. – Pode dar o troco para esse coitado, aqui, pra ajudar na conta dele.

Melhor teria sido se Marcos tivesse sido expulso. Ou se Eduardo fosse embora, como deu a entender que faria ainda há pouco. Teria sido, mas não foi.

 

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Aquele “Click” maldito. Marcos o conhecia bem. Acontecia antes de fazer alguma merda grande. O impulso que o levava a um crescente de ódio e barbárie. Foi assim que acabou mandando a esposa para o hospital; ou que quebrou os dois joelhos de um namorado (agora ex) da filha; ou então quando enfiou o gato da família no micro-ondas, pelo simples fato de ele ter mijado em seus chinelos. Era um pai comprometido dentro do possível, e dava o máximo de si para garantir que levassem uma vida menos miserável. Mas, aquele Click sempre voltava, e era mais forte do que ele.

            Click.

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