A César o que é de César - Henrique de Micco
Henrique de Micco
Henrique de Micco nasceu na cidade de São Paulo, no ano de 1992, e descobriu ainda na infância a paixão pela literatura. Atualmente, aguarda o lançamento de seu primeiro romance, previsto para agosto / 2017. O livro, de título “O Último Ceifador: Elo Dimensional”, é o primeiro volume de uma tetralogia fantástica. O autor criou um gosto especial também pela escrita de contos, tendo sido selecionado para compor sua primeira antologia no ano de 2017.





A César o que é de César

Eduardo deu a ele as costas e partiu sem dizer mais nada. Na percepção de Marcos, os passos do “amigo” eram lentos, as conversas ao redor pareciam zumbidos, e seu próprio coração pulsava com força dentro do peito.

Bum! Bum!

Bum!

Foi tudo muito rápido. Ed sequer teve tempo de reagir.

 Marcos apanhou uma long neck deixada no balcão por uma cliente já ausente, e a bateu contra o tampo, fazendo com que se quebrasse. A ansiedade tornava sua respiração descompassada, e a excitação o fazia seguir em frente sem questionar o quão insano aquilo poderia ser.

“Eu só quero de volta, seu ingrato…”

Ele se levantou. Ed, atraído pelo barulho do vidro partido, se voltou ao amigo.

Marcos saltou em sua direção, empunhando a meia garrafa como uma arma de guerra. O caco afiado acertou seu pescoço como uma lâmina. Uma, duas, várias vezes. Golpeou também sua bochecha, e depois, segurando sua garganta ensanguentada com a mão livre, perfurou seu tórax com golpes repetidos um pouco abaixo do peito.

Sangue jorrava, molhando os dois com esguichos rubros que tingiam o piso; seus pés escorregavam, os braços se agarravam em meio à confusão. Uma dança guiada pela violência.

Ed, então, finalmente tombou. Sufocava-se ao tentar implorar por piedade. Seu olhar desesperado só alimentava o ódio de seu algoz, que fazia tudo mantendo um sorriso doentio nos lábios. Já os olhares dos demais presentes, eram de horror. Qualquer reação foi impedida pelo choque. Os dois seguranças correram para dentro do bar, mas nada fizeram; não era um homem quem atacava o “querido” patrão. Era uma besta. Não tinham sido treinados para aquilo.

O agressor enfurecido se pôs sobre o corpo que se debatia, largando a garrafa. Com as duas mãos, abriu um dos cortes no tórax de Ed, como quem abre ansiosamente uma encomenda valiosa. Para ele, naquele momento, só existiam os dois. O jazz parou de tocar, e o silêncio só não reinou porque, agora, podia-se ouvir o barulho dos órgãos de Eduardo sendo revirados dentro do corpo.

− Acordo desfeito, desgraçado! Desfeito! Isso… – Ele tirou de dentro do copo um dos rins do pobre homem – Isso pertence à minha filha. Seu animal!

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Henrique de Micco
A César o que é de César

Eduardo deu a ele as costas e partiu sem dizer mais nada. Na percepção de Marcos, os passos do “amigo” eram lentos, as conversas ao redor pareciam zumbidos, e seu próprio coração pulsava com força dentro do peito.

Bum! Bum!

Bum!

Foi tudo muito rápido. Ed sequer teve tempo de reagir.

 Marcos apanhou uma long neck deixada no balcão por uma cliente já ausente, e a bateu contra o tampo, fazendo com que se quebrasse. A ansiedade tornava sua respiração descompassada, e a excitação o fazia seguir em frente sem questionar o quão insano aquilo poderia ser.

“Eu só quero de volta, seu ingrato…”

Ele se levantou. Ed, atraído pelo barulho do vidro partido, se voltou ao amigo.

Marcos saltou em sua direção, empunhando a meia garrafa como uma arma de guerra. O caco afiado acertou seu pescoço como uma lâmina. Uma, duas, várias vezes. Golpeou também sua bochecha, e depois, segurando sua garganta ensanguentada com a mão livre, perfurou seu tórax com golpes repetidos um pouco abaixo do peito.

Sangue jorrava, molhando os dois com esguichos rubros que tingiam o piso; seus pés escorregavam, os braços se agarravam em meio à confusão. Uma dança guiada pela violência.

Ed, então, finalmente tombou. Sufocava-se ao tentar implorar por piedade. Seu olhar desesperado só alimentava o ódio de seu algoz, que fazia tudo mantendo um sorriso doentio nos lábios. Já os olhares dos demais presentes, eram de horror. Qualquer reação foi impedida pelo choque. Os dois seguranças correram para dentro do bar, mas nada fizeram; não era um homem quem atacava o “querido” patrão. Era uma besta. Não tinham sido treinados para aquilo.

O agressor enfurecido se pôs sobre o corpo que se debatia, largando a garrafa. Com as duas mãos, abriu um dos cortes no tórax de Ed, como quem abre ansiosamente uma encomenda valiosa. Para ele, naquele momento, só existiam os dois. O jazz parou de tocar, e o silêncio só não reinou porque, agora, podia-se ouvir o barulho dos órgãos de Eduardo sendo revirados dentro do corpo.

− Acordo desfeito, desgraçado! Desfeito! Isso… – Ele tirou de dentro do copo um dos rins do pobre homem – Isso pertence à minha filha. Seu animal!

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