A Escuridão Virá como Garras - Glau Kemp, Henrique de Micco
Henrique de Micco
Henrique de Micco nasceu na cidade de São Paulo, no ano de 1992, e descobriu ainda na infância a paixão pela literatura. Atualmente, aguarda o lançamento de seu primeiro romance, previsto para agosto / 2017. O livro, de título “O Último Ceifador: Elo Dimensional”, é o primeiro volume de uma tetralogia fantástica. O autor criou um gosto especial também pela escrita de contos, tendo sido selecionado para compor sua primeira antologia no ano de 2017.





A Escuridão Virá como Garras

        — Se é para me desmerecer, vou embora. — Digo já com pouco interesse em ajudar, mesmo sabendo ser sua última chance.

        — Fala, velho, vamos ficar calados.

        — Já disse tudo, não fiquem no escuro. É perigoso.

        Dei ás costas, magoado e derrotado, eles não queriam minha ajuda. A madrugada fria chegou e o carro da família ficou pronto. Assisti a partida da Van escolar, o homem mais velho, talvez o pai, deitou no banco do meio e um dos garotos pegou o volante, entusiasmado. Peguei minha lamparina e meu guarda-chuvas e segui meu caminho solitário.

        Fiquei sinceramente triste, como não ficar? Eu sabia o destino deles, era o escuro e tudo que existia dentro dele.

 

-II- A estrada

        O vento gélido assobiava por entre as janelas entreabertas do veículo, abafando o som do heavy metal tocado no rádio. Leonardo, que dirigia naquele momento, acompanhava o ritmo da bateria tamborilando os dedos no volante.

        — Eu não sei como vocês escutam essas merdas… — Resmungou o pai, ainda largado no banco. — E é bom ir abaixando isso aí, tá me dando dor de cabeça!

        Ainda que contrariado, Leonardo obedeceu. Thiago, no banco do passageiro, lançou ao pai um olhar reprovador, enquanto a irmã mais nova, nos fundos, revirava os olhos.

        — Ai pai, como você é velho! Jesus! — Disse ela.

        — Oh, olha lá como fala comigo! Eu vou tentar cochilar, se precisar me chamem. Se precisar!  E Leo, cuidado aí! Eu não quero morrer dormindo, e muito menos numa estrada fodida.

        Depois de duas horas e meia de viagem, o único som que se podia ouvir vinha dos roncos escandalosos de Júlio, que acordou com os cutucões da filha.

        — Pai. Pai!

        Ele levantou sobressaltado, limpando a baba densa que lhe escorria pelo queixo.

        — O que foi?

        Quem respondeu foi Leonardo.

        — Um hotel… logo ali na frente. Acho que devíamos para pra descansar, não tô me aguentando de sono.

        O homem esfregou os olhos e avistou o velho hotel. Parecia um lugar abandonado, embora houvesse alguns carros no estacionamento e janelas abertas. No letreiro parcialmente apagado, podia-se ler:

        “H_te_ _o Sonh__or”

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Henrique de Micco
A Escuridão Virá como Garras

        — Se é para me desmerecer, vou embora. — Digo já com pouco interesse em ajudar, mesmo sabendo ser sua última chance.

        — Fala, velho, vamos ficar calados.

        — Já disse tudo, não fiquem no escuro. É perigoso.

        Dei ás costas, magoado e derrotado, eles não queriam minha ajuda. A madrugada fria chegou e o carro da família ficou pronto. Assisti a partida da Van escolar, o homem mais velho, talvez o pai, deitou no banco do meio e um dos garotos pegou o volante, entusiasmado. Peguei minha lamparina e meu guarda-chuvas e segui meu caminho solitário.

        Fiquei sinceramente triste, como não ficar? Eu sabia o destino deles, era o escuro e tudo que existia dentro dele.

 

-II- A estrada

        O vento gélido assobiava por entre as janelas entreabertas do veículo, abafando o som do heavy metal tocado no rádio. Leonardo, que dirigia naquele momento, acompanhava o ritmo da bateria tamborilando os dedos no volante.

        — Eu não sei como vocês escutam essas merdas… — Resmungou o pai, ainda largado no banco. — E é bom ir abaixando isso aí, tá me dando dor de cabeça!

        Ainda que contrariado, Leonardo obedeceu. Thiago, no banco do passageiro, lançou ao pai um olhar reprovador, enquanto a irmã mais nova, nos fundos, revirava os olhos.

        — Ai pai, como você é velho! Jesus! — Disse ela.

        — Oh, olha lá como fala comigo! Eu vou tentar cochilar, se precisar me chamem. Se precisar!  E Leo, cuidado aí! Eu não quero morrer dormindo, e muito menos numa estrada fodida.

        Depois de duas horas e meia de viagem, o único som que se podia ouvir vinha dos roncos escandalosos de Júlio, que acordou com os cutucões da filha.

        — Pai. Pai!

        Ele levantou sobressaltado, limpando a baba densa que lhe escorria pelo queixo.

        — O que foi?

        Quem respondeu foi Leonardo.

        — Um hotel… logo ali na frente. Acho que devíamos para pra descansar, não tô me aguentando de sono.

        O homem esfregou os olhos e avistou o velho hotel. Parecia um lugar abandonado, embora houvesse alguns carros no estacionamento e janelas abertas. No letreiro parcialmente apagado, podia-se ler:

        “H_te_ _o Sonh__or”

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