A Escuridão Virá como Garras - Glau Kemp, Henrique de Micco
Henrique de Micco
Henrique de Micco nasceu na cidade de São Paulo, no ano de 1992, e descobriu ainda na infância a paixão pela literatura. Atualmente, aguarda o lançamento de seu primeiro romance, previsto para agosto / 2017. O livro, de título “O Último Ceifador: Elo Dimensional”, é o primeiro volume de uma tetralogia fantástica. O autor criou um gosto especial também pela escrita de contos, tendo sido selecionado para compor sua primeira antologia no ano de 2017.





A Escuridão Virá como Garras

        — Não vejo nada demais… o mal de vocês é sono. Vão dormir, vão. Eu preciso mesmo de um pouco de silêncio. — Ele entrou no carro e notou as expressões atônitas dos três. — Mas que porra vocês viram, afinal?

        — A escuridão virá como garras… — Disse Thiago, num tom quase inaudível.

        — Como é?

        — Está escrito “A escuridão virá como garras”

        — Garras de cú é rôla, não tem nada ali… Escuridão? Que porra de…

        Antes que pudesse terminar, o carro se apagou totalmente. Assustados, tentaram iluminar o interior do veículo com seus celulares, mas estes também não ligavam. Júlio tentou dar a partida diversas vezes sem sucesso, antes de voltar para fora na esperança de avistar faróis distantes, indicando-lhe uma companhia muito bem-vinda naquele momento; tirou um isqueiro do bolso, mas este aparentava estar sem gás. Isadora, por sua vez, apanhou seu chaveiro-lanterna na bolsa, notando que provavelmente a pilha acabara. Estavam sem fonte alguma de luz.

        “Só pode ser a porra de uma pegadinha”

        Pensou o pai, enganado. Os quatro se entreolharam, sem nada dizer. Mal podiam enxergar um ao outro. A única luz sobre eles era a da lua, mas esta, de repente, também sumiu do céu.

 

-III- O Escuro

        Júlio entrou no carro e bateu a porta. O som reverberou pela estrada se embrenhado pelas árvores e ecoando ao longe, despertando pássaros que revoaram respondendo com um chilrear lamuriante. Observou o filho Thiago apertar o pino na porta do carona trancando o carro e depois voltar a mexer no celular. Os três jovens estavam com olhos grudados nas telas pretas dos aparelhos, tirando as baterias e apertando botões, mas ele permanecia com as mãos ao volante. Sabia em seu íntimo que o telefone no bolso da calça não funcionaria também. Olhando a estrada prendeu a respiração. Em cinco minutos parados ali nenhum carro havia passado. 

        — Puta merda — Júlio sussurrou agarrando o volante com força.

          Thiago se assustou tanto que deixou o celular cair no chão e escorregar para debaixo do banco. Ele olhou para o pai sem entender completamente o horror em seus olhos fixos no para-brisas, mas começou a compartilhar deles. Havia algo no meio da estrada e não era um carro apesar do tamanho equivalente. Não se movia

        — Meu Deus… — Isadora levou a mão a boca. — Pai o que é aquilo?

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Henrique de Micco
A Escuridão Virá como Garras

        — Não vejo nada demais… o mal de vocês é sono. Vão dormir, vão. Eu preciso mesmo de um pouco de silêncio. — Ele entrou no carro e notou as expressões atônitas dos três. — Mas que porra vocês viram, afinal?

        — A escuridão virá como garras… — Disse Thiago, num tom quase inaudível.

        — Como é?

        — Está escrito “A escuridão virá como garras”

        — Garras de cú é rôla, não tem nada ali… Escuridão? Que porra de…

        Antes que pudesse terminar, o carro se apagou totalmente. Assustados, tentaram iluminar o interior do veículo com seus celulares, mas estes também não ligavam. Júlio tentou dar a partida diversas vezes sem sucesso, antes de voltar para fora na esperança de avistar faróis distantes, indicando-lhe uma companhia muito bem-vinda naquele momento; tirou um isqueiro do bolso, mas este aparentava estar sem gás. Isadora, por sua vez, apanhou seu chaveiro-lanterna na bolsa, notando que provavelmente a pilha acabara. Estavam sem fonte alguma de luz.

        “Só pode ser a porra de uma pegadinha”

        Pensou o pai, enganado. Os quatro se entreolharam, sem nada dizer. Mal podiam enxergar um ao outro. A única luz sobre eles era a da lua, mas esta, de repente, também sumiu do céu.

 

-III- O Escuro

        Júlio entrou no carro e bateu a porta. O som reverberou pela estrada se embrenhado pelas árvores e ecoando ao longe, despertando pássaros que revoaram respondendo com um chilrear lamuriante. Observou o filho Thiago apertar o pino na porta do carona trancando o carro e depois voltar a mexer no celular. Os três jovens estavam com olhos grudados nas telas pretas dos aparelhos, tirando as baterias e apertando botões, mas ele permanecia com as mãos ao volante. Sabia em seu íntimo que o telefone no bolso da calça não funcionaria também. Olhando a estrada prendeu a respiração. Em cinco minutos parados ali nenhum carro havia passado. 

        — Puta merda — Júlio sussurrou agarrando o volante com força.

          Thiago se assustou tanto que deixou o celular cair no chão e escorregar para debaixo do banco. Ele olhou para o pai sem entender completamente o horror em seus olhos fixos no para-brisas, mas começou a compartilhar deles. Havia algo no meio da estrada e não era um carro apesar do tamanho equivalente. Não se movia

        — Meu Deus… — Isadora levou a mão a boca. — Pai o que é aquilo?

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