Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Henrique de Micco
Henrique de Micco nasceu na cidade de São Paulo, no ano de 1992, e descobriu ainda na infância a paixão pela literatura. Atualmente, aguarda o lançamento de seu primeiro romance, previsto para agosto / 2017. O livro, de título “O Último Ceifador: Elo Dimensional”, é o primeiro volume de uma tetralogia fantástica. O autor criou um gosto especial também pela escrita de contos, tendo sido selecionado para compor sua primeira antologia no ano de 2017.





A luz que transformou o mundo em trevas

Erik estava acostumado a dirigir embriagado, fazia isso com uma frequência até exagerada. Naquela noite, porém, havia passado dos limites. Seu carro ziguezagueava pela estrada escura, sendo alvo de buzinas e xingamentos dos motoristas enfurecidos que vinham pelo lado oposto da rodovia. Não contente em dirigir naquelas condições, ele havia decidido fazer uma visita a um amigo em uma cidade vizinha. Ir embora sozinho, daquela maneira, era totalmente desaconselhável.
Mas Erik era e sempre fora teimoso; mandou seu amigo à merda após seus conselhos, e seguiu viagem para casa.

Ele cantarolava uma música animada que tocava no rádio, batucando seus dedos no volante, quando viu algo na estrada à sua frente ser iluminado pela luz dos faróis. Não havia nada ali além de algumas árvores, placas, um grande morro à sua esquerda, e o que agora se mostrava uma menina sentada na beira da estrada. Ela abraçava os joelhos e olhava para cima, balançando a cabeça como se negasse algo. Erik parou o carro há alguns metros dela, que olhou em sua direção; sua boca parecia estar costurada.

“Mas o que…”

Ele buzinou uma vez, e a menina se levantou lentamente. Estava nua, e uma grande marca indicava uma outra costura, iniciando-se em seu pescoço e terminando no umbigo.

A julgar pelo seu corpo, podia-se dizer que tinha uns 12 ou 13 anos. Erik saiu do carro.

– Garota, tudo bem? Não pode me responder, pelo visto…

Ela não disse nada, e mesmo que tentasse, não conseguiria. Apenas olhou mais uma vez para cima, onde agora uma luz arroxeada aparecera, antes de fugir correndo na direção do morro. Erik pensou em persegui-la, mas achou que a estranha luz merecia mais atenção naquele momento; ele nunca havia visto nada parecido. Assistiu a luz dançar no céu sobre sua cabeça, ofuscando até mesmo a beleza da lua cheia elevada no céu sem nuvens. E então, passou os olhos em algo escondido pelas sombras do outro lado da pista. Erik correu até lá, tropeçandonos próprios pés, e notou se tratar de um carro capotado. Não havia sinal de batida, mas os corpos em seu interior estavam despedaçados.

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Henrique de Micco
A luz que transformou o mundo em trevas

Erik estava acostumado a dirigir embriagado, fazia isso com uma frequência até exagerada. Naquela noite, porém, havia passado dos limites. Seu carro ziguezagueava pela estrada escura, sendo alvo de buzinas e xingamentos dos motoristas enfurecidos que vinham pelo lado oposto da rodovia. Não contente em dirigir naquelas condições, ele havia decidido fazer uma visita a um amigo em uma cidade vizinha. Ir embora sozinho, daquela maneira, era totalmente desaconselhável.
Mas Erik era e sempre fora teimoso; mandou seu amigo à merda após seus conselhos, e seguiu viagem para casa.

Ele cantarolava uma música animada que tocava no rádio, batucando seus dedos no volante, quando viu algo na estrada à sua frente ser iluminado pela luz dos faróis. Não havia nada ali além de algumas árvores, placas, um grande morro à sua esquerda, e o que agora se mostrava uma menina sentada na beira da estrada. Ela abraçava os joelhos e olhava para cima, balançando a cabeça como se negasse algo. Erik parou o carro há alguns metros dela, que olhou em sua direção; sua boca parecia estar costurada.

“Mas o que…”

Ele buzinou uma vez, e a menina se levantou lentamente. Estava nua, e uma grande marca indicava uma outra costura, iniciando-se em seu pescoço e terminando no umbigo.

A julgar pelo seu corpo, podia-se dizer que tinha uns 12 ou 13 anos. Erik saiu do carro.

– Garota, tudo bem? Não pode me responder, pelo visto…

Ela não disse nada, e mesmo que tentasse, não conseguiria. Apenas olhou mais uma vez para cima, onde agora uma luz arroxeada aparecera, antes de fugir correndo na direção do morro. Erik pensou em persegui-la, mas achou que a estranha luz merecia mais atenção naquele momento; ele nunca havia visto nada parecido. Assistiu a luz dançar no céu sobre sua cabeça, ofuscando até mesmo a beleza da lua cheia elevada no céu sem nuvens. E então, passou os olhos em algo escondido pelas sombras do outro lado da pista. Erik correu até lá, tropeçandonos próprios pés, e notou se tratar de um carro capotado. Não havia sinal de batida, mas os corpos em seu interior estavam despedaçados.

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