As histórias de um colchão - Hugo Mendigo
Hügo Mendigo
Em 1984, ao pseudo fim da ditadura no Brasil, na cidadezinha rural de Gravataí nascia mais um Mendigo, o Hügo. Parece um clichê dizer "escrever para não enlouquecer" mas foi sim sua psicóloga que recomendou os registros turvos de sua vida. Visões urbanas e alcoolizadas, mulheres e teorias da conspiração povoam esses manuscritos virtuais, sempre assinados como Nadal Goulart. Metalúrgico, pai e um monte de outras coisas que não precisam ser ditas por que ninguem perguntou.





As histórias de um colchão

Feito pra dormir
Mas nem sempre
Mas não é uma história de grandes fodas
Bom… é
É e não é
Eu comprei esse colchão logo em seguida que me mudei
No casamento número 2
Hoje deve fazer uns quase 5 anos
Cama box e colchão de mola
Primeira cama/colchão assim que comprei
Compramos
Em casal tudo é nosso
Mas na partilha final ficou comigo
Lembro de grandes momentos do casório em cima dele
Transando ou mesmo conversando
Vivendo
Mas lembrei dos tempos ruins do casório
Tarde da noite
Depois de horas de silêncio deitamos pra dormir sem se tocar e sem falar nada
Silêncio total
Parecia que minha audição ia alcançando cada vez mais longe
Na vila onde morávamos a poucos metros da rua as madrugadas eram silenciosas
Eu quase posso dizer que podia ouvir a respiração do cara subnutrido que ficava na esquina vendendo cocaina a noite toda
Mas ouvia a dela claramente
Como se assoviasse o ar entrando em meio aos pelos do nariz
Era bizarro
Ela se virou de bunda pra cima
Eu seguia deitado de barriga pra cima
Ela tem os seios fartos e lindos

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Hügo Mendigo
As histórias de um colchão

Feito pra dormir
Mas nem sempre
Mas não é uma história de grandes fodas
Bom… é
É e não é
Eu comprei esse colchão logo em seguida que me mudei
No casamento número 2
Hoje deve fazer uns quase 5 anos
Cama box e colchão de mola
Primeira cama/colchão assim que comprei
Compramos
Em casal tudo é nosso
Mas na partilha final ficou comigo
Lembro de grandes momentos do casório em cima dele
Transando ou mesmo conversando
Vivendo
Mas lembrei dos tempos ruins do casório
Tarde da noite
Depois de horas de silêncio deitamos pra dormir sem se tocar e sem falar nada
Silêncio total
Parecia que minha audição ia alcançando cada vez mais longe
Na vila onde morávamos a poucos metros da rua as madrugadas eram silenciosas
Eu quase posso dizer que podia ouvir a respiração do cara subnutrido que ficava na esquina vendendo cocaina a noite toda
Mas ouvia a dela claramente
Como se assoviasse o ar entrando em meio aos pelos do nariz
Era bizarro
Ela se virou de bunda pra cima
Eu seguia deitado de barriga pra cima
Ela tem os seios fartos e lindos

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