As histórias de um colchão - Hugo Mendigo
Hügo Mendigo
Em 1984, ao pseudo fim da ditadura no Brasil, na cidadezinha rural de Gravataí nascia mais um Mendigo, o Hügo. Parece um clichê dizer "escrever para não enlouquecer" mas foi sim sua psicóloga que recomendou os registros turvos de sua vida. Visões urbanas e alcoolizadas, mulheres e teorias da conspiração povoam esses manuscritos virtuais, sempre assinados como Nadal Goulart. Metalúrgico, pai e um monte de outras coisas que não precisam ser ditas por que ninguem perguntou.





As histórias de um colchão

Encostados no colchão
Eu sentia o coração dela batendo através das molas
Sentia nas minhas costas como se ela estivesse encostada em mim
Estava deitada ao lado mas a léguas de distância
Coisas que só um casamento consegue fazer pelos humanos

Seguimos ali no silêncio total
Respirando no escuro, cada um no seu mundo, seja qual for
Passaram horas
Eu não dormi profundamente
Altos da madrugada eu estava entre acordado e dormindo
No estágio intermediário
Sem pensar me virei pro lado
E me alertei um pouco pois ela estava de frente pra mim
Rosto a rosto
Minha fraquíssima respiração batia nela e voltada
Eu senti algo que deve ser similar ao sonar de um golfinho
Eu senti cada curva e irregularidade da imperfeição de um lindo rosto humano
Sentia seu cabelo puxado pra trás
Escuro completo
Senti o coração dela acelerar
Os poucos centímetros que nos separavam sumiram
A excitação foi a mais mútua de minha vida
Os dois se beijaram ao mesmo tempo
Foi a coisa mais ascendente de todas
Minha mão voou na buceta dela que pulsava tanto quanto o peito
A mão dela voou no meu pau que já latejava de duro e eu nem tinha percebido
Dali veio uma foda selvagem
Mal lembro do desenrolar
Mas vagamente sei que foi rápido
Ela de bunda pra cima e eu engarupado nela soquei até gozar ali dentro
Era tarde e foi intenso
Pra não gritar mordi o travesseiro que ela estava semi-deitada por cima
Mordi pra não gritar

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Hügo Mendigo
As histórias de um colchão

Encostados no colchão
Eu sentia o coração dela batendo através das molas
Sentia nas minhas costas como se ela estivesse encostada em mim
Estava deitada ao lado mas a léguas de distância
Coisas que só um casamento consegue fazer pelos humanos

Seguimos ali no silêncio total
Respirando no escuro, cada um no seu mundo, seja qual for
Passaram horas
Eu não dormi profundamente
Altos da madrugada eu estava entre acordado e dormindo
No estágio intermediário
Sem pensar me virei pro lado
E me alertei um pouco pois ela estava de frente pra mim
Rosto a rosto
Minha fraquíssima respiração batia nela e voltada
Eu senti algo que deve ser similar ao sonar de um golfinho
Eu senti cada curva e irregularidade da imperfeição de um lindo rosto humano
Sentia seu cabelo puxado pra trás
Escuro completo
Senti o coração dela acelerar
Os poucos centímetros que nos separavam sumiram
A excitação foi a mais mútua de minha vida
Os dois se beijaram ao mesmo tempo
Foi a coisa mais ascendente de todas
Minha mão voou na buceta dela que pulsava tanto quanto o peito
A mão dela voou no meu pau que já latejava de duro e eu nem tinha percebido
Dali veio uma foda selvagem
Mal lembro do desenrolar
Mas vagamente sei que foi rápido
Ela de bunda pra cima e eu engarupado nela soquei até gozar ali dentro
Era tarde e foi intenso
Pra não gritar mordi o travesseiro que ela estava semi-deitada por cima
Mordi pra não gritar

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