Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Hügo Mendigo
Em 1984, ao pseudo fim da ditadura no Brasil, na cidadezinha rural de Gravataí nascia mais um Mendigo, o Hügo. Parece um clichê dizer "escrever para não enlouquecer" mas foi sim sua psicóloga que recomendou os registros turvos de sua vida. Visões urbanas e alcoolizadas, mulheres e teorias da conspiração povoam esses manuscritos virtuais, sempre assinados como Nadal Goulart. Metalúrgico, pai e um monte de outras coisas que não precisam ser ditas por que ninguem perguntou.





Desculpas de vó

Eu era novo, tinha menos de 10 anos com certeza…
Era uma tarde fria e úmida em Gravataí, RS, cidade onde nasci e me criei,
morávamos, eu e meus país junto com meus avós maternos.
Por sermos pobres, todos os adultos trabalhavam p manter nossos corpos alimentados e nosso teto firme. Eu ficava as tardes apenas com a minha avó, era a mais velha de todos, já não tinha grande pique para manter a casa em ordem e ainda assim vender sua mão de obra p outra pessoa ou organização. Eu estudava pela manhã e ficava as tardes me distraindo com a tv e brincando por entre as árvores frutíferas q meu avô cultivava nos fundos de nosso grande terreno.
Nesse tempo, máquinas de lavar roupas e de secá-las era um eletrodoméstico muito inacessível, então tínhamos q nos virar com o tanque, água e sabão para lavar e com o clima para secá-las ao sol.
O inverno no sul do Brasil fica com o clima muito estável, estando um dia-mesmo nublado-sem chuva e do nada começar uma chuva q pode demorar alguns minutos ou alguns dias. É nesse clima duvidoso q se passa o fato…
Era uma tarde como a descrita, haviam algumas mudas penduradas pelo longo varal de vários metros de corda esticado de uma das madeiras q seguravam o teto da varanda dos fundos da casa até uma goiabeira bem ao fundo, mais ou menos no meio do longo terreno. do nada o tempo vira e começa algo entre uma garoa e uma chuva, q molhará em menos d um minuto o q o pouco sol demorou mais de um dia para secar. Eu me concentrava na tv e vi minha vó a passos largos passar pela sala e ir a rua recolher as roupas. Eu nunca ajudava, pq nessa época minha altura não era muito útil p tal ação; o máximo q eu fazia era ficar a porta com os braços estendidos e recebendo as roupas recolhidas. nada de anormal até então naquele dia;mas naquele dia minha vó havia além das roupas colocado na rua para pegar um sol ou ao menos um ar puro, o colchão onde meu vô descansava seu corpo cansado, de um aposentado q não pode deixar de trabalhar devido ao péssimo serviço social do país onde vive.
Sendo assim, seria melhor se eu ajudasse a recolocar o colchão p dentro de casa, mas com medo de atrapalhar mais do q ajudar me resumi ao minha incapacidade e apenas fiquei da porta olhando.
Foi ai q vi uma grande raiva nos olhos dela e ela gritou comigo dizendo:
“-me ajuda aqui seu merda!”

Páginas: 1 2

Hügo Mendigo
Desculpas de vó

Eu era novo, tinha menos de 10 anos com certeza…
Era uma tarde fria e úmida em Gravataí, RS, cidade onde nasci e me criei,
morávamos, eu e meus país junto com meus avós maternos.
Por sermos pobres, todos os adultos trabalhavam p manter nossos corpos alimentados e nosso teto firme. Eu ficava as tardes apenas com a minha avó, era a mais velha de todos, já não tinha grande pique para manter a casa em ordem e ainda assim vender sua mão de obra p outra pessoa ou organização. Eu estudava pela manhã e ficava as tardes me distraindo com a tv e brincando por entre as árvores frutíferas q meu avô cultivava nos fundos de nosso grande terreno.
Nesse tempo, máquinas de lavar roupas e de secá-las era um eletrodoméstico muito inacessível, então tínhamos q nos virar com o tanque, água e sabão para lavar e com o clima para secá-las ao sol.
O inverno no sul do Brasil fica com o clima muito estável, estando um dia-mesmo nublado-sem chuva e do nada começar uma chuva q pode demorar alguns minutos ou alguns dias. É nesse clima duvidoso q se passa o fato…
Era uma tarde como a descrita, haviam algumas mudas penduradas pelo longo varal de vários metros de corda esticado de uma das madeiras q seguravam o teto da varanda dos fundos da casa até uma goiabeira bem ao fundo, mais ou menos no meio do longo terreno. do nada o tempo vira e começa algo entre uma garoa e uma chuva, q molhará em menos d um minuto o q o pouco sol demorou mais de um dia para secar. Eu me concentrava na tv e vi minha vó a passos largos passar pela sala e ir a rua recolher as roupas. Eu nunca ajudava, pq nessa época minha altura não era muito útil p tal ação; o máximo q eu fazia era ficar a porta com os braços estendidos e recebendo as roupas recolhidas. nada de anormal até então naquele dia;mas naquele dia minha vó havia além das roupas colocado na rua para pegar um sol ou ao menos um ar puro, o colchão onde meu vô descansava seu corpo cansado, de um aposentado q não pode deixar de trabalhar devido ao péssimo serviço social do país onde vive.
Sendo assim, seria melhor se eu ajudasse a recolocar o colchão p dentro de casa, mas com medo de atrapalhar mais do q ajudar me resumi ao minha incapacidade e apenas fiquei da porta olhando.
Foi ai q vi uma grande raiva nos olhos dela e ela gritou comigo dizendo:
“-me ajuda aqui seu merda!”

Páginas: 1 2