Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Hügo Mendigo
Em 1984, ao pseudo fim da ditadura no Brasil, na cidadezinha rural de Gravataí nascia mais um Mendigo, o Hügo. Parece um clichê dizer "escrever para não enlouquecer" mas foi sim sua psicóloga que recomendou os registros turvos de sua vida. Visões urbanas e alcoolizadas, mulheres e teorias da conspiração povoam esses manuscritos virtuais, sempre assinados como Nadal Goulart. Metalúrgico, pai e um monte de outras coisas que não precisam ser ditas por que ninguem perguntou.





Era tudo mato

E sigo pela rua em passos lentos
Vem vindo um homem do mesmo lado da tua que eu
Velho
Guarda-chuvas em mãos
Jaqueta jeans
Talvez botas, não observei os pés
Fixei no rosto e na barba branca
Reconheci ele
Ênio
Oficialmente meu primeiro chefe na metal-mecânica
Ele teve uma oficina de tratores e máquinas grandes
Eu tinha a pouco completado 18 anos
Cortei o cabelo pra conseguir aquela vaga que durou poucos meses
Outras histórias…
Lá estava o velho Ênio
Pai de um colega meu da escola
Escola a qual estudou toda a vizinhança
Depois ele se tornou meu amigo
De muitas fases
Depois me casei e ele foi um dos poucos que me visitava
Depois ele foi padrinho (sem batismo na igreja) do meu filho
Coisa que ele nunca deu bola
E depois sumiu na poeira do tempo
Sei onde ele mora
Ele me visitou após a facada
Temos o telefone um do outro
E nao falamos nada
Vi o pai dele na rua por acaso
Mais velho do que eu lembrava
Mais curvado
Bem cego pela diabetes

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Hügo Mendigo
Era tudo mato

E sigo pela rua em passos lentos
Vem vindo um homem do mesmo lado da tua que eu
Velho
Guarda-chuvas em mãos
Jaqueta jeans
Talvez botas, não observei os pés
Fixei no rosto e na barba branca
Reconheci ele
Ênio
Oficialmente meu primeiro chefe na metal-mecânica
Ele teve uma oficina de tratores e máquinas grandes
Eu tinha a pouco completado 18 anos
Cortei o cabelo pra conseguir aquela vaga que durou poucos meses
Outras histórias…
Lá estava o velho Ênio
Pai de um colega meu da escola
Escola a qual estudou toda a vizinhança
Depois ele se tornou meu amigo
De muitas fases
Depois me casei e ele foi um dos poucos que me visitava
Depois ele foi padrinho (sem batismo na igreja) do meu filho
Coisa que ele nunca deu bola
E depois sumiu na poeira do tempo
Sei onde ele mora
Ele me visitou após a facada
Temos o telefone um do outro
E nao falamos nada
Vi o pai dele na rua por acaso
Mais velho do que eu lembrava
Mais curvado
Bem cego pela diabetes

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