Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Hügo Mendigo
Em 1984, ao pseudo fim da ditadura no Brasil, na cidadezinha rural de Gravataí nascia mais um Mendigo, o Hügo. Parece um clichê dizer "escrever para não enlouquecer" mas foi sim sua psicóloga que recomendou os registros turvos de sua vida. Visões urbanas e alcoolizadas, mulheres e teorias da conspiração povoam esses manuscritos virtuais, sempre assinados como Nadal Goulart. Metalúrgico, pai e um monte de outras coisas que não precisam ser ditas por que ninguem perguntou.





Era tudo mato

Mal me reconheceu bem de perto
Trocamos algumas frases
“Como vai?”
“E o filho?”
E seguimos nosso caminho
Eu ao mercado e ele a casa enorme que ele mora, agora, sozinho
Pensei em quantas coisas vivi com ele em poucos meses
Mas só tem um fato que eu lembro com grandeza
Entre tantos que me formaria minha profissão e meu ganha-pão
Lembro que nossa turma da escola
Eu, o gordo (Rafael, filho do tal Ênio) e o Daniel (meu amigo desde os 9 anos)
Todos trabalhamos ali na “E. P. Maq serviço” do Ênio
O Daniel um dia me contou que viu o Ênio tomando café da manhã
Pegava um pão velho e mergulhava num copo de cerveja
Antes das 8 da manhã
Isso durante anos foi nosso assunto
E lembrei que a pouco tempo fizemos um churrasco com amigos da antigas e o nome “pai do gordo” foi citado
O próprio Daniel ergueu um brinde ao Deus que conhecemos vivo
Ênio
Bebia cerveja no café da manhã

Vi ele na rua e segui meu caminho
Mercado
Vi um conhecido da antiga
Trocamos algumas frases mas lembrávamos pouco um do outro
O papo foi deprimente
Acabou
Peguei o que queria
Bananas, bolachas e carne
Fui ao caixa
Estranhei quando a caixa me perguntou se era débito ou crédito
Óbvio

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Hügo Mendigo
Era tudo mato

Mal me reconheceu bem de perto
Trocamos algumas frases
“Como vai?”
“E o filho?”
E seguimos nosso caminho
Eu ao mercado e ele a casa enorme que ele mora, agora, sozinho
Pensei em quantas coisas vivi com ele em poucos meses
Mas só tem um fato que eu lembro com grandeza
Entre tantos que me formaria minha profissão e meu ganha-pão
Lembro que nossa turma da escola
Eu, o gordo (Rafael, filho do tal Ênio) e o Daniel (meu amigo desde os 9 anos)
Todos trabalhamos ali na “E. P. Maq serviço” do Ênio
O Daniel um dia me contou que viu o Ênio tomando café da manhã
Pegava um pão velho e mergulhava num copo de cerveja
Antes das 8 da manhã
Isso durante anos foi nosso assunto
E lembrei que a pouco tempo fizemos um churrasco com amigos da antigas e o nome “pai do gordo” foi citado
O próprio Daniel ergueu um brinde ao Deus que conhecemos vivo
Ênio
Bebia cerveja no café da manhã

Vi ele na rua e segui meu caminho
Mercado
Vi um conhecido da antiga
Trocamos algumas frases mas lembrávamos pouco um do outro
O papo foi deprimente
Acabou
Peguei o que queria
Bananas, bolachas e carne
Fui ao caixa
Estranhei quando a caixa me perguntou se era débito ou crédito
Óbvio

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