Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Hügo Mendigo
Em 1984, ao pseudo fim da ditadura no Brasil, na cidadezinha rural de Gravataí nascia mais um Mendigo, o Hügo. Parece um clichê dizer "escrever para não enlouquecer" mas foi sim sua psicóloga que recomendou os registros turvos de sua vida. Visões urbanas e alcoolizadas, mulheres e teorias da conspiração povoam esses manuscritos virtuais, sempre assinados como Nadal Goulart. Metalúrgico, pai e um monte de outras coisas que não precisam ser ditas por que ninguem perguntou.





Era tudo mato

Íamos pra escola e ele nos avançava
Ele certamente mordeu muitos estudantes da minha idade a uns 20 anos atrás
Passei pelas casa de aluguel onde morava a costureira que fez minha calça da capoeira, quando eu tinha 8 anos
Lembrei do ciclista fdp
Ele arrumava um lado da bike e estragava outro
Segui a rua
Lembro de um casal que teve 2 filhas
Talvez ainda morem ali
Esquina dos pais do Marcelo que plantam na calçada
Passei pela esquina do amigo da minha vida, que hoje faz questão de me ignorar se me ver na rua
Fiquei vendo tudo e relembrando como era antes
Fui subindo a lomba onde moro
Que foi a casa onde fui morar ainda bebê de meses
A rua era de terra
As árvores tomavam a rua
Lembro dos 3 postes na rua
Mais de 200 metros entre um e outro
Uma profunda treva entre uma luz e outra
Lembro dos buracos na terra da rua
Lembro de bobagens assim
Besteiras que nem fazem diferença
Subo a lombra e lembro de quando tudo era coberto por mato
Essa é uma frase típica de quem fica velho na minha região
“Isso antes era tudo mato…”
Vou subindo e pensando nisso
Lembro da casa que pegou fogo
Vou lembrando da época da terra de rua
A doença que assolava o país era a cólera
Transmitida pela água suja
Água suja

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Hügo Mendigo
Era tudo mato

Íamos pra escola e ele nos avançava
Ele certamente mordeu muitos estudantes da minha idade a uns 20 anos atrás
Passei pelas casa de aluguel onde morava a costureira que fez minha calça da capoeira, quando eu tinha 8 anos
Lembrei do ciclista fdp
Ele arrumava um lado da bike e estragava outro
Segui a rua
Lembro de um casal que teve 2 filhas
Talvez ainda morem ali
Esquina dos pais do Marcelo que plantam na calçada
Passei pela esquina do amigo da minha vida, que hoje faz questão de me ignorar se me ver na rua
Fiquei vendo tudo e relembrando como era antes
Fui subindo a lomba onde moro
Que foi a casa onde fui morar ainda bebê de meses
A rua era de terra
As árvores tomavam a rua
Lembro dos 3 postes na rua
Mais de 200 metros entre um e outro
Uma profunda treva entre uma luz e outra
Lembro dos buracos na terra da rua
Lembro de bobagens assim
Besteiras que nem fazem diferença
Subo a lombra e lembro de quando tudo era coberto por mato
Essa é uma frase típica de quem fica velho na minha região
“Isso antes era tudo mato…”
Vou subindo e pensando nisso
Lembro da casa que pegou fogo
Vou lembrando da época da terra de rua
A doença que assolava o país era a cólera
Transmitida pela água suja
Água suja

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