Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Hügo Mendigo
Em 1984, ao pseudo fim da ditadura no Brasil, na cidadezinha rural de Gravataí nascia mais um Mendigo, o Hügo. Parece um clichê dizer "escrever para não enlouquecer" mas foi sim sua psicóloga que recomendou os registros turvos de sua vida. Visões urbanas e alcoolizadas, mulheres e teorias da conspiração povoam esses manuscritos virtuais, sempre assinados como Nadal Goulart. Metalúrgico, pai e um monte de outras coisas que não precisam ser ditas por que ninguem perguntou.





Fim da tarde no inverno

Eu lembro de todas as casas que morei e como era a visão da janela onde eu via a sombra da noite engolindo tudo
Lembro dos vários ângulos em que eu percebia isso
Lembro do ar frio entrando e me gelando as costas e os dedos dos pés
Lembro de um dia que eu olhava a tv colorida da minha vó e ela deixou, certamente por esquecimento
A janela atrás de mim aberta
Era como se o frio tivesse tentáculos e fosse se entranhando na minha alma passo a passo
Lembro de uma vez, quando meu filho era bem bebê
Deixamos a janela da sala aberta e fomos dormir
Eu acordei na madrugada
Vi a neblina entrando pela janela
Parecia o nevoeiro clássico dos filmes de terror com pântano
Eu lembro
Quase tudo eu esqueço
Mas o frio do fim da tarde eu lembro
E mesmo assim
Mesmo agora percebendo que o frio pode ser considerado um dos demônios da minha mente
Nunca me amedrontou
Sempre até gostei de sentir o gelado
O frio é sempre bem vindo
As lembranças ruins somem perto do prazer que eu sinto perto dele
Que venha a noite fria!!!

 

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Hügo Mendigo
Fim da tarde no inverno

Eu lembro de todas as casas que morei e como era a visão da janela onde eu via a sombra da noite engolindo tudo
Lembro dos vários ângulos em que eu percebia isso
Lembro do ar frio entrando e me gelando as costas e os dedos dos pés
Lembro de um dia que eu olhava a tv colorida da minha vó e ela deixou, certamente por esquecimento
A janela atrás de mim aberta
Era como se o frio tivesse tentáculos e fosse se entranhando na minha alma passo a passo
Lembro de uma vez, quando meu filho era bem bebê
Deixamos a janela da sala aberta e fomos dormir
Eu acordei na madrugada
Vi a neblina entrando pela janela
Parecia o nevoeiro clássico dos filmes de terror com pântano
Eu lembro
Quase tudo eu esqueço
Mas o frio do fim da tarde eu lembro
E mesmo assim
Mesmo agora percebendo que o frio pode ser considerado um dos demônios da minha mente
Nunca me amedrontou
Sempre até gostei de sentir o gelado
O frio é sempre bem vindo
As lembranças ruins somem perto do prazer que eu sinto perto dele
Que venha a noite fria!!!

 

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