Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Hügo Mendigo
Em 1984, ao pseudo fim da ditadura no Brasil, na cidadezinha rural de Gravataí nascia mais um Mendigo, o Hügo. Parece um clichê dizer "escrever para não enlouquecer" mas foi sim sua psicóloga que recomendou os registros turvos de sua vida. Visões urbanas e alcoolizadas, mulheres e teorias da conspiração povoam esses manuscritos virtuais, sempre assinados como Nadal Goulart. Metalúrgico, pai e um monte de outras coisas que não precisam ser ditas por que ninguem perguntou.





Peso na consciência sem culpa

Tem um desenho de uma árvore que ela fez
Um conjunto de par de brincos e um colar, artesanal
E um lenço azul que eu não tive coragem de desdobrar
Bobagens, como eu já disse antes
Mas a maneira, a delicadeza que ela acomodou aquilo na cadeira
Com o sentimento de deixar o presente pra trás
Sem a dona ter vindo pegar em mãos
Eu senti como se tivesse sido uma mistura de decepção e depressão
Talvez por ter falhado em entregar um presente que com tanto carinho trouxera de tão longe
Fixou ali
Ela foi embora de manhã cedo e meu dia seguiu
A noite voltei pra casa e fui arrumar tudo
Observei o pacote com o presente
E ela me avisou que esqueceu o travesseiro aqui e mais um colar dela
Eu fiquei revendo a cena dela deixando o pacote em cima da cadeira
Fiquei revendo aquela cena mínima
Deve ter durado unas 3 segundos
Estou a horas revendo e revendo a mesma cena dentro da minha cabeça
Isso é um inferno
Como se fosse peso na consciência por algo que eu não
fiz
Não sei se é peso na consciência isso mas eu não sei descrever melhor
Um sentimento de culpa e remorso junto
É estranho porém familiar demais

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Hügo Mendigo
Peso na consciência sem culpa

Tem um desenho de uma árvore que ela fez
Um conjunto de par de brincos e um colar, artesanal
E um lenço azul que eu não tive coragem de desdobrar
Bobagens, como eu já disse antes
Mas a maneira, a delicadeza que ela acomodou aquilo na cadeira
Com o sentimento de deixar o presente pra trás
Sem a dona ter vindo pegar em mãos
Eu senti como se tivesse sido uma mistura de decepção e depressão
Talvez por ter falhado em entregar um presente que com tanto carinho trouxera de tão longe
Fixou ali
Ela foi embora de manhã cedo e meu dia seguiu
A noite voltei pra casa e fui arrumar tudo
Observei o pacote com o presente
E ela me avisou que esqueceu o travesseiro aqui e mais um colar dela
Eu fiquei revendo a cena dela deixando o pacote em cima da cadeira
Fiquei revendo aquela cena mínima
Deve ter durado unas 3 segundos
Estou a horas revendo e revendo a mesma cena dentro da minha cabeça
Isso é um inferno
Como se fosse peso na consciência por algo que eu não
fiz
Não sei se é peso na consciência isso mas eu não sei descrever melhor
Um sentimento de culpa e remorso junto
É estranho porém familiar demais

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