Tiozão - Hugo Mendigo
Hügo Mendigo
Em 1984, ao pseudo fim da ditadura no Brasil, na cidadezinha rural de Gravataí nascia mais um Mendigo, o Hügo. Parece um clichê dizer "escrever para não enlouquecer" mas foi sim sua psicóloga que recomendou os registros turvos de sua vida. Visões urbanas e alcoolizadas, mulheres e teorias da conspiração povoam esses manuscritos virtuais, sempre assinados como Nadal Goulart. Metalúrgico, pai e um monte de outras coisas que não precisam ser ditas por que ninguem perguntou.





Tiozão

Costume do sul que se espalha por todo lado
Fui andando e pensando sobre muitas coisas desse segmento
Passei por uma boca de lobo
Deveria estar sugando esgoto da rua, estava expulsando baratas
Pisei em umas 10 pela rua
Percebi que estava bêbado
Segui o caminho
Fui pela rua mais deserta de todas do bairro
Uma lomba asfaltada de casas de idosos e famílias
Uma rua muda
Subi a lomba lembrando da minha infância por ali
Chovia e a rua ficava coberta de pequenos sapos
Pisávamos em todos como se fossem bexigas cheias de tripas e sangue
“Ganhava” quem cuspia o vermelho mais longe em apenas um pisão.
Hoje não tem mais nada
Nossa ignorância matou tudo e hoje só tem asfalto
E velhos dormindo em casa
E nem eram 9 da noite
21 horas
Minha mania matemática, lógica, numérica e absoluta de ver tudo me irrita
Mas que seja
Estava indo pra casa
Mais uma quadra e chegaria
Fui pela rua de terra
Quando asfaltaram a cidade toda essa rua ficou pra trás

Páginas: 1 2 3 4

Hügo Mendigo
Tiozão

Costume do sul que se espalha por todo lado
Fui andando e pensando sobre muitas coisas desse segmento
Passei por uma boca de lobo
Deveria estar sugando esgoto da rua, estava expulsando baratas
Pisei em umas 10 pela rua
Percebi que estava bêbado
Segui o caminho
Fui pela rua mais deserta de todas do bairro
Uma lomba asfaltada de casas de idosos e famílias
Uma rua muda
Subi a lomba lembrando da minha infância por ali
Chovia e a rua ficava coberta de pequenos sapos
Pisávamos em todos como se fossem bexigas cheias de tripas e sangue
“Ganhava” quem cuspia o vermelho mais longe em apenas um pisão.
Hoje não tem mais nada
Nossa ignorância matou tudo e hoje só tem asfalto
E velhos dormindo em casa
E nem eram 9 da noite
21 horas
Minha mania matemática, lógica, numérica e absoluta de ver tudo me irrita
Mas que seja
Estava indo pra casa
Mais uma quadra e chegaria
Fui pela rua de terra
Quando asfaltaram a cidade toda essa rua ficou pra trás

Páginas: 1 2 3 4