Vida de ostentação - Hugo Mendigo
Hügo Mendigo
Em 1984, ao pseudo fim da ditadura no Brasil, na cidadezinha rural de Gravataí nascia mais um Mendigo, o Hügo. Parece um clichê dizer "escrever para não enlouquecer" mas foi sim sua psicóloga que recomendou os registros turvos de sua vida. Visões urbanas e alcoolizadas, mulheres e teorias da conspiração povoam esses manuscritos virtuais, sempre assinados como Nadal Goulart. Metalúrgico, pai e um monte de outras coisas que não precisam ser ditas por que ninguem perguntou.





Vida de ostentação

Peguei o ônibus cheio perto do meio dia

Não é o meu normal pegar essa linha a essas horas

Mas tem sido e de novo a peguei

Sentei em um degrau p colocar os pés

Todos os acentos lotados e mais uns de pé

Normal

Periferia no sul do Brasil é sempre assim

Não me assusto com isso, o coletivo passando na hora certa já é lucro

Mas observei os olhares de todos ali

Só uma dupla conversava, acho q mãe e filho

Ela mais de trinta, ele uns dez

O resto, todos isolados

Cabisbaixos e pensativos

Com cara de quem pensava em nada, na real

Mas isolados

Sofrendo por estarem mal acomodados em um ambiente de desconhecidos

Temperatura acima do agradável

Ninguém estava ali com cara de passeio, todos com cara de compromissos que não gostavam nem um pouco

Trabalho, estudo, tudo parece ser odiado

Andei por uns 50 mins enquanto eles iam descendo até q eu desci

Caminhei uns 25 mins no sol forte a pino

Muitas coisas me vinham a cabeça vendo a diferença de tudo

Era um bairro rico o qual eu atravessara agora

As pessoas nas ruas conversavam sem preocupar

É um dia de semana e parece q ninguém tem compromisso com nada, só com a vida

Que mudança

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Hügo Mendigo
Vida de ostentação

Peguei o ônibus cheio perto do meio dia

Não é o meu normal pegar essa linha a essas horas

Mas tem sido e de novo a peguei

Sentei em um degrau p colocar os pés

Todos os acentos lotados e mais uns de pé

Normal

Periferia no sul do Brasil é sempre assim

Não me assusto com isso, o coletivo passando na hora certa já é lucro

Mas observei os olhares de todos ali

Só uma dupla conversava, acho q mãe e filho

Ela mais de trinta, ele uns dez

O resto, todos isolados

Cabisbaixos e pensativos

Com cara de quem pensava em nada, na real

Mas isolados

Sofrendo por estarem mal acomodados em um ambiente de desconhecidos

Temperatura acima do agradável

Ninguém estava ali com cara de passeio, todos com cara de compromissos que não gostavam nem um pouco

Trabalho, estudo, tudo parece ser odiado

Andei por uns 50 mins enquanto eles iam descendo até q eu desci

Caminhei uns 25 mins no sol forte a pino

Muitas coisas me vinham a cabeça vendo a diferença de tudo

Era um bairro rico o qual eu atravessara agora

As pessoas nas ruas conversavam sem preocupar

É um dia de semana e parece q ninguém tem compromisso com nada, só com a vida

Que mudança

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